Índice
Introdução
A história de Yusuf (José do Egito) foi revelada depois que um israelita perguntou ao profeta Muhammad ﷺ o que ele sabia sobre este profeta. Esta história não era conhecida pelos árabes na época e era parte de um teste que os judeus idealizaram para avaliar a reivindicação do profeta Muhammad ﷺ à profecia. Assim, já na sua origem, esse relato vem como um sinal claro de revelação e como prova de que o Alcorão não é fruto do conhecimento humano limitado, mas sim da revelação divina.
As histórias no Alcorão geralmente são contadas em pequenos trechos e distribuídas em vários capítulos, conectando diferentes episódios e lições ao longo do texto. A história de Yusuf, entretanto, é diferente. Foi revelada em um único capítulo, do início ao fim, na surata que leva seu nome (Surata Yusuf, capítulo 12). Isso faz dela algo único entre as narrativas corânicas, permitindo que o leitor acompanhe a trajetória deste profeta desde a infância até a fase de autoridade e liderança no Egito.
A história de Yusuf está estruturada por uma introdução de três versículos e um epílogo de dez versículos. Geralmente se concorda que foi revelada em Makkah, em um ano conhecido como o Ano da Tristeza, quando o profeta Muhammad ﷺ perdeu dois de seus apoiadores mais próximos: sua amada esposa Khadija e seu tio Abu Talib. Em um momento de dor e aparente cerco por parte dos opositores, Allah revela a história de Yusuf para consolar o coração do Mensageiro e ensinar que, mesmo quando tudo parece perdido, o plano de Allah é perfeito e está sempre em curso.
Esta história confirma de forma absoluta que Allah tem controle total sobre todos os assuntos, mesmo quando as pessoas enxergam apenas injustiça, perda e sofrimento. É uma história de paciência em face de adversidade e de confiança em face de tristeza. Ao longo de cada etapa, vemos como Yusuf, seu pai Yaqub e outros personagens lidam com os testes, e como Allah transforma situações aparentemente desesperadoras em portas de misericórdia, justiça e elevação espiritual.
A melhor história (versículos 1–3)
Logo no início da surata, Allah deixa claro o status especial dessa narrativa:
“Nós te relatamos, com esta leitura, a melhor das histórias, por termos revelado a ti este Alcorão, embora, antes disso, fosses dos desatentos.” (Alcorão, 12:3)
O Alcorão é um livro revelado na língua árabe para esclarecer as coisas e contém informação que Muhammad ﷺ desconhecia. A história é chamada “a melhor das histórias” porque reúne vários elementos ao mesmo tempo: profundidade espiritual, emoções humanas intensas, intrigas familiares, injustiça, fé, milagres, perdão e final feliz para os que temem Allah. Ela também é “a melhor” porque dialoga diretamente com a situação do profeta Muhammad ﷺ em Makkah: rejeição pelos parentes, trama dos opositores, exílio e, ao final, vitória pela permissão de Allah.
Além disso, é uma história que permanece atual em qualquer época. Quem lê a surata Yusuf com atenção encontra lições sobre como lidar com ciúme, injustiça, assédio, abuso de poder, tentação, prisão, pobreza e riqueza. Tudo isso é conectado pela mesma linha mestra: o servo crente não perde a confiança em Allah, mesmo quando não entende ainda o desfecho do decreto.
Sonhos e ilusão (versículos 4–18)
A história começa ainda na infância de Yusuf, com um sonho que antecipa o seu destino:
“Quando Yúsuf disse a seu pai: ‘Ó meu pai, por certo, vi, em sonho, onze estrelas, e o sol e a lua: vi-os prostrarem-se diante de mim.’” (Alcorão, 12:4)
Esse sonho é interpretado como um sinal de que Yusuf alcançaria um nível muito elevado na sociedade e que toda sua família ficaria sob seu comando, em respeito e honra, e não em humilhação. Ele confidencia esse sonho ao seu pai, o profeta Yaqub (Jacó), que o aconselha a não contar aos seus irmãos, pois conhece os perigos do ciúme e da inveja no coração humano, sobretudo quando alguém é agraciado com dons especiais.
Yusuf e Benjamim eram os filhos da segunda esposa de Yaqub. Os filhos anteriores eram mais velhos, mais fortes e cheios de si. Cegos pelo ciúme e pela sensação de que o pai amava mais Yusuf, planejam livrar-se dele. O Alcorão mostra como a inveja pode distorcer completamente a visão da realidade e levar uma pessoa a tramar contra a própria família. Os irmãos chegam a cogitar matar Yusuf, mas um deles convence os outros a jogá-lo em um poço profundo, para que seja pego por uma caravana, em vez de assassiná-lo.
Eles, então, levam adiante seu plano desonesto e, usando o maior medo de seu pai – um ataque de lobo –, preparam uma túnica manchada de sangue para tentar convencê-lo da morte de Yusuf. Enquanto isso, Allah alivia o medo de Yusuf no fundo do poço e inspira a ele que um dia informará seus irmãos de seus atos, enquanto eles não percebem quem ele é. Já aqui Allah nos mostra que, por trás da maldade humana, há um decreto sábio: Yusuf não está abandonado, mesmo que todos ao redor o tenham traído.
O pai de Yusuf, Yaqub, percebe que há algo errado e sente a traição, mas se volta para Allah e aceita as notícias com confiança e paciência. Ele diz:
“Mas vossas almas vos sugeriram algo. Assim, paciência bela! E Allah é Aquele de Quem se busca auxílio, contra o que descreveis.” (Alcorão, 12:18)
Esse versículo se torna um modelo de reação para qualquer pessoa que passa por uma injustiça: não negar a dor, mas escolher uma “paciência bela”, sem desespero, sem rebeldia contra o decreto de Allah e com plena confiança de que Ele é o melhor auxiliador.
Yusuf se estabelece no Egito (versículos 19–22)
Yusuf é resgatado do poço por uma caravana e vendido como escravo por um preço muito baixo a um homem influente do Egito, que o leva para casa e comenta com sua esposa que Yusuf pode ser útil a eles, ou até ser adotado como filho. Allah comenta:
“E, assim, estabelecemos Yúsuf na terra, e para ensiná-lo a interpretação das narrativas (dos sonhos). E Allah é Dominante em Seu desígnio, mas a maioria dos homens não sabe.” (Alcorão, 12:21)
Percebe-se que o que parece uma queda – de filho amado a escravo estrangeiro – é, na verdade, o início da ascensão de Yusuf. Allah o coloca na casa de um político importante, onde ele cresce em condições relativamente confortáveis, observando como se governa, como se administram recursos e como funcionam as relações de poder. Yusuf é agraciado com beleza física, caráter elevado, castidade e a ciência da interpretação de sonhos. Isso será fundamental em etapas posteriores de sua história.
Allah explica que concede sabedoria e bom julgamento a quem Ele deseja, deixando claro que a verdadeira honra não está na posição social, mas na proximidade com Ele. Quem vê apenas a superfície da vida de Yusuf naquele momento enxerga um jovem escravizado; quem vê com os olhos da fé percebe que Allah o está treinando para uma missão maior.
A sedução fracassada e a escolha pela prisão (versículos 23–35)
Quando Yusuf se torna adulto, a esposa do político egípcio começa a nutrir por ele um desejo intenso. Ela observa sua beleza e virtude, e passa a tentar seduzi-lo. O Alcorão descreve de forma clara:
“E aquela em cuja casa ele estava tentou seduzi-lo; trancou as portas e disse: ‘Vem a mim!’ Ele disse: ‘Busco refúgio em Allah! Por certo, Ele é meu Senhor; concedeu-me boa morada. Por certo, os injustos não prosperam.’” (Alcorão, 12:23)
Ela o persegue até a porta, segurando sua túnica por trás, e nesse momento o marido entra em casa. Para tentar se defender, ela inverte a situação e acusa Yusuf, mas um membro da casa, com sabedoria, aponta que a túnica estava rasgada por trás, o que é prova de que ele tentava fugir. Ainda assim, a honra de Yusuf é sujeita à fofoca e à maledicência das mulheres da cidade, que comentam o episódio e falam da paixão da esposa do governante.
Quando ela ouve as fofocas, decide convidar as mulheres à sua casa e mostrar-lhes a beleza de Yusuf. Dá uma faca a cada uma e pede a Yusuf que apareça. As mulheres ficam atônitas, cortam as próprias mãos sem perceber e exclamam que aquele não é um mero ser humano. A esposa do governante, então, declara abertamente que o cobiça e o ameaça, dizendo que, se ele não se submeter ao desejo dela, será preso.
Yusuf, consciente da gravidade da tentação, volta-se a Allah e faz uma súplica que se tornou famosa:
“Ele disse: ‘Senhor meu! A prisão é mais amada por mim do que o que me conclamam a fazer. E se Tu não afastas de mim as tramas delas, inclinarei para elas e serei dos ignorantes.’” (Alcorão, 12:33)
Allah atendeu sua súplica e afastou dele o mal, mas o decreto foi que Yusuf realmente fosse lançado na prisão, não por ser culpado, mas por ser íntegro. Assim, Allah transforma até a injustiça numa proteção: ao invés de sucumbir ao pecado, Yusuf é resguardado na prisão, mantendo sua honra e sua proximidade com o Senhor.
Mais sonhos na prisão e o chamado para Allah (versículos 36–42)
Na prisão, Yusuf não deixa de ser um servo ativo de Allah, mesmo estando privado de liberdade. Dois novos prisioneiros são colocados com ele e, percebendo seu caráter, pedem que ele interprete seus sonhos. Um deles diz: “Sonhei que estava espremendo uvas”; o outro diz: “Sonhei que estava carregando pão sobre minha cabeça e os pássaros o comiam.”
Antes de interpretar os sonhos, Yusuf aproveita a oportunidade para explicar sua fé. Ele lembra a eles que o sustento que recebem vem de Allah e afirma que a capacidade de interpretar sonhos é um conhecimento que Allah lhe concedeu. Então, declara que abandonou a religião do povo que não crê em Allah e não reconhece a Outra Vida, e que segue a senda de seus pais Ibrahim, Ishaq e Yaqub. Deixa claro que sua religião, a religião do Islam, não atribui parceiros a Allah, ainda que a maioria das pessoas no mundo não perceba essa verdade.
Só então ele interpreta os sonhos: um dos prisioneiros voltaria a servir vinho ao seu senhor; o outro seria executado, e os pássaros comeriam de sua cabeça. Tudo acontece exatamente como Yusuf previu. Ele pede ao que será salvo que o mencione ao seu senhor, na esperança de provar sua inocência. No entanto, Shaitan faz o homem esquecer desse pedido, e Yusuf permanece mais tempo na prisão. Isso mostra que o crente pode usar causas humanas, mas nunca deve depender do ser humano como se fosse o verdadeiro libertador: tudo continua sob o controle de Allah.
Do cárcere ao palácio: Yusuf governador do Egito (versículos 43–57)
O tempo passa e Allah prepara a próxima etapa do plano. O rei do Egito tem um sonho perturbador: vê sete vacas gordas sendo comidas por sete vacas magras, além de sete espigas verdes e sete espigas secas. Os conselheiros do rei são incapazes de interpretar e dizem que aquilo é apenas um amontoado de sonhos confusos. Nesse momento, o ex-prisioneiro se lembra de Yusuf e conta ao rei sobre o homem que interpretou corretamente seus sonhos na prisão.
Enviado à prisão para consultar Yusuf, ele ouve a interpretação: o sonho indica sete anos de fartura, seguidos de sete anos de seca e escassez. Yusuf propõe um plano econômico: durante os anos de abundância, o povo deve armazenar grãos em grande quantidade, preservando-os ainda nas espigas, para proteger o alimento e garantir a sobrevivência do país durante os anos difíceis. Essa combinação de ciência, planejamento e inspiração divina impressiona o rei.
O rei, então, ordena que Yusuf seja trazido à sua presença. Mas Yusuf não aceita sair sem que sua inocência seja publicamente estabelecida. Ele pede que o rei investigue as mulheres que cortaram as mãos, para que a verdade sobre a tentativa de sedução seja conhecida. Ao interrogá-las, o rei descobre que Yusuf havia sido injustiçado, e a esposa do governante confirma que foi ela quem tentou seduzi-lo. Dessa forma, a honra de Yusuf é restituída diante de toda a sociedade.
Somente então Yusuf comparece perante o rei. Ao ver sua sabedoria e confiança em Allah, o rei oferece a ele uma posição de alta autoridade. Yusuf escolhe ser responsável pelos armazéns de grãos, dizendo:
“Nomeia-me responsável pelos tesouros da terra, por certo, sou guardião conhecedor.” (Alcorão, 12:55)
Assim, Yusuf passa da condição de prisioneiro injustiçado a gestor máximo dos recursos do Egito. Allah comenta:
“E, assim, estabelecemos Yúsuf na terra, para nela morar onde quisesse. Atingimos com Nossa misericórdia a quem quisermos, e não deixamos de recompensar os que fazem o bem.” (Alcorão, 12:56)
A previsão se cumpre: reencontro com os irmãos (versículos 58–76)
Quando a seca se espalha pela região, não apenas o Egito, mas também os povos ao redor sofrem com a fome. A fama do Egito como lugar de provisão faz com que várias caravanas se dirijam até lá, inclusive os próprios irmãos de Yusuf. Eles se apresentam pedindo a medida de grãos, e Yusuf os reconhece imediatamente, mas eles não o reconhecem: o menino que jogaram no poço agora é governante em uma terra estrangeira.
Yusuf os trata com dignidade e lhes entrega a porção de grãos, mas pede que, numa próxima viagem, tragam o irmão mais novo, Benjamim, como condição para receberem nova medida. Os irmãos explicam que o pai é apegado ao menino, mas Yusuf insiste, e eles prometem tentar.
Em seguida, Yusuf ordena que os bens que os irmãos tinham usado como pagamento sejam devolvidos secretamente aos alforjes, para despertarem neles o desejo de retornar. De volta a Canaã, os irmãos pedem a Yaqub que permita levar Benjamim. Ele reluta, lembra o que aconteceu com Yusuf e pergunta se podem garantir a segurança do menino. Eles prometem com juramento solene. Ao abrirem os alforjes e encontrarem seus bens devolvidos, Yaqub entende que Allah está conduzindo algo e, ainda com o coração apertado, concorda.
Quando retornam ao Egito com Benjamim, Yusuf o chama em particular e revela sua identidade, pedindo que ele seja paciente e colaborativo. Em seguida, Yusuf faz um plano para retê-lo legitimamente: coloca um cálice do rei na bagagem do irmão e, depois, manda anunciar que o cálice foi roubado. Ao revistar os alforjes, o cálice é encontrado com Benjamim, e os irmãos se veem em apuros.
Yusuf aplica, então, a própria lei dos irmãos: quem for pego com o objeto roubado será mantido como servo. Dessa forma, ele consegue manter Benjamim consigo sem quebrar as normas locais, e sem revelar ainda sua verdadeira identidade. Allah mostra aqui que a inteligência e a estratégia também fazem parte das ferramentas que Ele pode conceder aos Seus servos, sempre dentro dos limites da justiça e da sabedoria.
Yaqub, a dor, a esperança e a confiança em Allah (versículos 77–98)
Quando os irmãos percebem que Benjamim será retido, o irmão mais velho se recusa a voltar para casa e decide permanecer na região até que seu pai permita ou Allah decida algo diferente. Os demais retornam a Yaqub com mais uma notícia devastadora. Já idoso, ele recebe o relato e, mais uma vez, responde com paciência e confiança. Ele sabe, em seu coração, que Yusuf não morreu, e agora perde de vista também Benjamim e o filho mais velho.
A dor de Yaqub é tão grande que ele chora até perder a visão. Mesmo assim, ele não perde a esperança em Allah. Quando os filhos o censuram por insistir em lembrar de Yusuf, ele lhes responde:
“Disse: ‘Só me queixo de minha angústia e de minha tristeza a Allah, e sei, da parte de Allah, o que vós não sabeis.’” (Alcorão, 12:86)
Aqui está uma das maiores lições da história: é permitido chorar, sofrer e sentir a perda profundamente, mas o coração continua voltado a Allah, certo de que Ele é o Único capaz de mudar a situação. Yaqub não se revolta, não acusa Allah de injustiça; ele se queixa a Allah, não de Allah.
Em seguida, Yaqub ordena que seus filhos voltem e procurem por Yusuf e seu irmão, dizendo:
“Ó meus filhos, ide e procurai notícias de Yúsuf e de seu irmão e não désespereis da misericórdia de Allah. Por certo, não desesperam da misericórdia de Allah senão o povo renegador da Fé.” (Alcorão, 12:87)
Esse versículo é um remédio para qualquer coração desesperado: não é permitido ao crente perder a esperança na misericórdia de Allah, ainda que a situação pareça impossível aos olhos humanos.
Perdão, reconciliação e realização do sonho (versículos 89–101)
De volta ao Egito, os irmãos se aproximam de Yusuf ainda sem saber quem ele é. Pedem por misericórdia, dizem que a fome os atingiu e apelam para sua generosidade. Yusuf, então, decide revelar sua identidade. Ele pergunta:
“Disse: ‘Sabeis o que fizestes a Yúsuf e a seu irmão, quando éreis ignorantes?’
Disseram: ‘És, na verdade, tu, Yúsuf?’
Disse: ‘Eu sou Yúsuf, e este é meu irmão. Allah, com efeito, agraciou-nos. Por certo, quem teme e persevera, por certo, Allah não faz perder a recompensa dos benfeitores.’” (Alcorão, 12:89–90)
Ao ouvir isso, os irmãos reconhecem seu erro e confessam que Allah o favoreceu sobre eles. Esperava-se talvez uma repreensão dura, mas Yusuf escolhe o caminho do perdão. Ele diz:
“Disse: ‘Hoje, não há censura sobre vós. Allah vos perdoará, e Ele é o mais Misericordioso dos misericordiosos.’” (Alcorão, 12:92)
Yusuf envia sua túnica para que seja colocada sobre o rosto de Yaqub, que recupera a visão. Toda a família vem para o Egito, e ali, numa cena emocionante, os pais e os irmãos se curvam diante de Yusuf em respeito, cumprindo o sonho visto ainda na infância. Yusuf reconhece:
“E elevou seus pais ao trono, e eles se prostraram a ele. E disse: ‘Ó meu pai, esta é a interpretação de meu sonho antigo. Meu Senhor tornou-o realidade. E, com efeito, agraciou-me, ao tirar-me da prisão e trazer-vos do deserto, depois de Shaitan ter semeado discórdia entre mim e meus irmãos. Por certo, meu Senhor é Sutil no que quer. Por certo, Ele é o Onisciente, o Sábio.’” (Alcorão, 12:100)
No final, Yusuf faz uma súplica que resume toda a sua jornada:
“Senhor meu! Com efeito, concedeste-me autoridade e ensinaste-me a interpretação das narrativas. Criador dos céus e da terra, Tu és meu Protetor, neste mundo e na Derradeira Vida. Faze-me morrer muçulmano e junta-me aos virtuosos.” (Alcorão, 12:101)
Ele não se prende ao poder, nem à posição; seu maior pedido é morrer submetido a Allah e ser reunido com os justos.
Lições principais da história de Yusuf
A história de Yusuf é uma lição para toda a humanidade. A paciência verdadeira e a habilidade de perdoar são características nobres, merecedoras de serem inculcadas. Aprendemos com Yusuf a manter a pureza e a castidade mesmo quando a tentação é forte e o pecado parece fácil. Aprendemos com Yaqub a chorar e sofrer sem romper com Allah, a reclamar somente a Ele e a nunca perder a esperança em Sua misericórdia.
Também vemos como o ciúme e a inveja destroem lares, relações e corações. Os irmãos de Yusuf eram filhos de um profeta e, ainda assim, caíram em um pecado grave, mostrando que ninguém está imune se não vigiar o próprio coração. Contudo, também aprendemos que a porta do arrependimento está aberta: quando eles reconhecem seus erros, Allah os perdoa, e Yusuf os acolhe com generosidade.
A história ainda nos ensina sobre planejamento, governança responsável e uso correto do poder. Yusuf não usa sua posição para vingança, mas para salvar vidas durante a seca. Ele mostra que um crente, quando colocado em posição de autoridade, deve ser competente, honesto e consciente de que será questionado por Allah por cada decisão.
Por fim, o epílogo da surata lembra ao profeta Muhammad ﷺ e a todos nós que:
“Com efeito, em suas histórias, há uma lição para os dotados de entendimento. Este (Alcorão) não é narrativa inventada, mas confirmação do que havia antes dele, explicação de todas as coisas, orientação e misericórdia para um povo que crê.” (Alcorão, 12:111)
A estrada pode ser longa e cheia de provações, mas a vitória final pertence aos que temem Allah, confiam nEle e perseveram.
Referências
- Alcorão Sagrado, Surata Yusuf (12), Surata Al-Baqara (2), Surata Al-Imran (3), Surata Maryam (19), com tradução dos significados para o português do Brasil por Dr. Helmi Nasr.
- Ibn Kathir, História dos Profetas (qissas al-anbiya’), capítulos sobre o profeta Yaqub e o profeta Yusuf.
- Artigo “The Story of Joseph (Yusuf) in the Quran”, portal IslamReligion.com, seção de histórias dos profetas.
- Artigo “Story of Prophet Yusuf”, compilado a partir do Tafsir Ibn Kathir, coleção de exegese clássica sobre a Surata Yusuf.
- Obras de exegese clássica, como Tafsir At-Tabari e Tafsir Al-Qurtubi, nos comentários aos versículos 12:3, 12:18, 12:33, 12:86, 12:90–92 e 12:100–101.
- Compilações de hadith autênticos, incluindo Sahih Al-Bukhari e Sahih Muslim, nas seções relacionadas às virtudes do profeta Yusuf e à revelação da Surata Yusuf como consolo ao profeta Muhammad ﷺ.
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