Yunus (Jonas) علیه السلام

Yunus (Jonas) علیه السلام

Quem foi este profeta

O profeta Yunus (Jonas, que a paz esteja sobre ele) foi um dos mensageiros de Allah enviados para guiar uma comunidade situada na região do atual Iraque, conhecida como Nínive. Assim como todos os profetas de Allah, Yunus foi escolhido para chamar seu povo ao tawhid, a adoração exclusiva do Deus Único, livre de qualquer parceiro, filho ou intermediário.

A história do profeta Yunus ocupa um lugar especial na tradição islâmica porque mostra, com muita clareza, como um servo pode cometer um erro por impulso, reconhecer sua falha, voltar-se a Allah com sinceridade e ser elevado em status por causa do arrependimento verdadeiro. Ao estudarmos a história do profeta Yunus à luz do Alcorão e das obras clássicas, como as narrativas de Ibn Kathir, percebemos que não se trata apenas de um relato milagroso de alguém que foi engolido por um grande peixe, mas sim de uma profunda lição sobre paciência, confiança e submissão ao decreto divino.

O Alcorão menciona o profeta Yunus em diferentes passagens, ora chamando-o pelo nome, ora usando o título Dhun-Nun (“o homem do peixe”). Em uma dessas passagens, Allah, Exaltado seja, diz:

“E (recorda-te) de Dun-Num, quando partiu, irado, e supôs que não o estreitaríamos. Então, nas trevas, clamou: ‘Não existe deus senão Tu. Glorificado sejas! Por certo, fui dos injustos.’” (Surah Al-Anbiya, 21:87)

Esse versículo resume, em poucas palavras, o ponto central da história do profeta Yunus: ele saiu de seu povo antes de receber permissão de Allah, arrependeu-se sinceramente e, por meio de sua súplica, foi salvo. A história do profeta Yunus é, portanto, um espelho no qual cada crente pode se ver, reconhecer suas falhas e lembrar que a porta do arrependimento está sempre aberta enquanto a pessoa estiver viva.


Yunus e o seu povo em Nínive

O profeta Yunus (que a paz esteja sobre ele) foi enviado para uma grande cidade, Nínive, que, segundo exegetas, contava com milhares de habitantes. O povo de Nínive se afundava na idolatria, na injustiça e no abandono da mensagem dos profetas anteriores.

Como é o caso com todos os profetas de Allah, Yunus veio a Nínive para conclamar as pessoas a adorarem o Deus Único. Falou de um Deus livre de quaisquer parceiros ou filhos e implorou às pessoas para que parassem de adorar ídolos e adotarem mau comportamento. Entretanto, as pessoas se recusaram a ouvir e tentaram ignorar Yunus e suas palavras de advertência. Achavam o profeta Yunus irritante e inconveniente, porque sua mensagem confrontava seus costumes, interesses e pecados.

Ibn Kathir relata que Yunus permaneceu durante um tempo considerável chamando seu povo com paciência: lembrava-os das bênçãos que recebiam, alertava sobre o castigo das nações anteriores e prometia a misericórdia de Allah para quem se arrependesse. Porém, a maioria insistiu na arrogância e na descrença.

O profeta sentia o peso da rejeição e via que os corações se fechavam cada vez mais. A história do profeta Yunus mostra que mesmo os mensageiros, que são os melhores seres humanos, sentem dor e frustração diante da obstinação das pessoas, mas são chamados a permanecer firmes. Ainda assim, naquele momento, Yunus tomou uma decisão precipitada, que mais tarde reconheceria como erro.

O Alcorão descreve a reação de muitos povos quando rejeitam repetidamente os mensageiros, e essa descrição se encaixa na situação de Nínive: zombaria, orgulho e falsa sensação de segurança. Ao advertir seu povo sobre o castigo iminente, Yunus viu apenas desprezo. Mesmo assim, a responsabilidade de orientar e avisar continuava sendo sua missão.

Quando estudamos o comportamento de Nínive, percebemos paralelos com as sociedades atuais, que muitas vezes veem a mensagem do tawhid como incômoda e ultrapassada. O exemplo dos habitantes de Nínive, entretanto, é diferente de muitos outros povos do passado, pois, após a saída de Yunus, eles acabaram se arrependendo sinceramente.


A partida do profeta e o arrependimento de Nínive

A conduta de seu povo exasperou Yunus e ele decidiu partir. Fez um alerta final de que Allah puniria seus comportamentos arrogantes, mas as pessoas zombaram e disseram que não estavam com medo. O coração de Yunus se encheu de raiva por esse povo tolo. Decidiu deixá-los à sua inevitável miséria. Yunus reuniu uns poucos pertences e decidiu se afastar o máximo possível do povo que tinha passado a desprezar.

A saída do profeta, porém, aconteceu antes da permissão de Allah, e este foi o ponto em que ele cometeu um erro. Os profetas são protegidos de grandes pecados e da mentira, mas podem cometer pequenos erros humanos, dos quais se arrependem de imediato e que, na verdade, se tornam lições para toda a comunidade.

O Alcorão alude a essa partida apressada ao dizer:

“E também Yunus foi um dos mensageiros. Quando fugiu para o barco abarrotado.” (Surah As-Saffat, 37:139-140)

Enquanto Yunus se afastava, algo extraordinário acontecia em Nínive. Ibn Kathir descreve a cena em Nínive imediatamente após Yunus partir. O céu começou a mudar de cor e se tornou vermelho como o fogo. As pessoas se encheram de medo e compreenderam que estavam a poucos momentos da destruição.

Toda a população de Nínive se reuniu no topo de uma montanha e implorou pelo perdão de Allah. Homens, mulheres e crianças choraram, confessaram seus pecados e se comprometeram a abandonar a idolatria. Allah aceitou seu arrependimento e removeu a ira que pairava sobre suas cabeças. O céu voltou ao normal e as pessoas voltaram para suas casas. Rezaram para que Yunus voltasse e os guiasse para a senda reta.

Sobre esse episódio singular, o Alcorão diz:

“Por que não houve, entre as cidades, alguma que tivesse crido e a sua crença lhe tivesse aproveitado, exceto o povo de Jonas? Quando creram, afastamos deles o castigo aviltante na vida terrena e deixamos que gozassem por algum tempo.” (Surah Yunus, 10:98)

Diferentemente de povos como o de Noé, ‘Ad ou Tamud, que persistiram na descrença até que o castigo os alcançasse, o povo de Yunus é o único exemplo de uma cidade inteira que se arrepende antes da destruição e tem o castigo suspenso. A história do profeta Yunus torna-se, assim, um sinal de que a porta do retorno permanece aberta até o último instante, desde que o arrependimento seja sincero.


O barco, a tempestade e o grande peixe

Enquanto isso, Yunus tinha subido a bordo de um barco na esperança de que o levaria tão longe quanto possível de seu povo negligente. O barco e seus muitos passageiros partiram para os mares calmos. Quando a escuridão os cercou, o mar mudou repentinamente.

O vento começou a soprar violentamente e começou uma tempestade de grande magnitude. O barco estremeceu e pareceu que se partiria em pedaços. As pessoas se amontoaram na escuridão e decidiram jogar suas bagagens no mar, mas não fez diferença. O vento soprou e o barco estremeceu. Os passageiros decidiram que o peso contribuía para seu dilema e decidiram tirar a sorte para jogar um dos passageiros no mar.

As ondas estavam da altura de montanhas e a terrível tempestade lançava o barco para cima e para baixo, como se fosse tão leve quanto um palito de fósforo. Era uma tradição dos navegantes tirarem a sorte escrevendo todos os nomes para sortear uma pessoa a ser jogada ao mar. O nome sorteado foi o de Yunus, mas as pessoas ficaram intimidadas. Yunus era conhecido por ser um homem devoto e virtuoso e não queriam jogá-lo no mar revolto. Tiraram a sorte mais duas vezes, mas em ambas o nome sorteado foi o de Yunus. Isso deixou claro para o profeta que não se tratava de coincidência; era o decreto de Allah se manifestando.

Yunus, o profeta de Allah, sabia que isso não era aleatório. Compreendeu que estava em seu destino como predeterminado por Allah e, então, olhou para os passageiros e se jogou para fora do barco. Os passageiros ficaram horrorizados quando Yunus caiu na água e foi abocanhado pelas enormes mandíbulas de um peixe gigante. O Alcorão resume esse momento dramático em poucas palavras:

“E se lançou à sorte, e foi dos perdedores. Então, a baleia o engoliu, e ele era censurável.” (Surah As-Saffat, 37:141-142)

A história do profeta Yunus nos ensina, nesse ponto, que mesmo quando o ser humano parece ter controle de suas escolhas, tudo ocorre dentro do conhecimento e do decreto de Allah. A tempestade, o sorteio e o peixe foram meios pelos quais Allah ensinou ao profeta e à humanidade uma lição eterna sobre dependência e arrependimento.


A súplica de Yunus nas profundezas

Quando Yunus recobrou a consciência, pensou que estivesse morto e deitado na escuridão de seu túmulo. Tateou ao seu redor e percebeu que não estava em um túmulo, mas na barriga do peixe gigante. Estava com medo. Sentiu seu coração bater apressado no peito e quase sair pela garganta em cada respiração. Yunus estava sentado em sucos digestivos fortes e ácidos que digeriam sua pele e ele apelou a Allah. Na escuridão do peixe, na escuridão do mar e na escuridão da noite Yunus elevou sua voz e evocou sua aflição a Allah.

Ele proferiu a famosa súplica:

“E (recorda-te) de Dun-Num, quando partiu, irado, e supôs que não o estreitaríamos. Então, nas trevas, clamou: ‘Não existe deus senão Tu. Glorificado sejas! Por certo, fui dos injustos.’” (Surah Al-Anbiya, 21:87)

“Não há mais divindade do que Tu! Glorificado sejas! É certo que me contava entre os iníquos!” – essa súplica resume os pilares do arrependimento: reconhecimento da unicidade de Allah, exaltação do Senhor e confissão sincera de culpa. Yunus continuou orando e repetindo sua súplica a Allah. Percebeu seu erro e implorou pelo perdão de Allah. O profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nos conta, em um hadith classificado como autêntico, que a súplica de Dhun-Nun é uma súplica de libertação:

“A súplica de Dhun-Nun, quando ele estava no ventre do peixe, foi: ‘Lā ilāha illā Anta, subhānak, innī kuntu mina z-zālimīn’. Nenhum muçulmano a invoca, em qualquer coisa, sem que Allah atenda a ele.” (Sunan at-Tirmidhi, hadith sahih)

Foi exatamente isso que ocorreu com o profeta Yunus: seus gritos e louvores subiram das profundezas, e os anjos, como é mencionado em algumas narrações, reconheceram a voz de um servo que costumava lembrar-se de Allah em tempos de facilidade. Allah então disse que o salvaria e fez daquele momento uma lição para todos os crentes: quem O lembra na prosperidade é lembrado por Ele na adversidade.


O resgate, a cura e o retorno a Nínive

Allah respondeu à súplica do profeta e decretou sua libertação. O Alcorão continua o relato dizendo:

“Então o atendemos e o salvamos da angústia. E, assim, salvamos os crentes.” (Surah Al-Anbiya, 21:88)

Ao comando de Allah o peixe gigante foi à superfície e ejetou Yunus próximo à costa. O corpo de Yunus tinha sido queimado pelos sucos digestivos; sua pele não podia protegê-lo do sol e do vento. Yunus sentia dores e continuou a clamar por proteção. Continuou a repetir sua súplica e Allah fez com que uma árvore crescesse sobre ele para oferecer proteção dos elementos e prover Yunus com alimento. À medida que Yunus lentamente ficou bem de novo, percebeu que precisava retornar ao seu povo e continuar o trabalho que Allah tinha determinado para ele.

O Alcorão descreve esse momento em detalhes:

“E se ele não tivesse sido dos que glorificam a Allah, certamente teria permanecido em seu ventre até ao dia em que serão ressuscitados. Porém o lançamos em terra deserta, enquanto estava enfermo. E fizemos crescer, sobre ele, uma planta de aboboreira. E o enviamos a cem mil ou mais. Então creram, e concedemo-lhes gozo por um tempo.” (Surah As-Saffat, 37:143-148)

Quando Yunus se recuperou, retornou para Nínive e ficou surpreso com a mudança em seu povo. Informaram a Yunus de seu temor quando o céu se tornou vermelho sangue e como se reuniram na montanha para implorar o perdão de Allah. Yunus viveu entre seu povo e ensinou-lhes a adorar o Deus Único e viver vidas de devoção e virtude e mais de 100.000 pessoas morando em Nínive viveram em tranquilidade por um tempo.

A história do profeta Yunus é a única, entre as histórias de profetas enviados a povos que rejeitaram, em que a comunidade como um todo voltou-se para Allah antes da destruição e foi agraciada com um novo período de vida.


Lições de fé da história do profeta Yunus

A história do profeta Yunus nos ensina a ter paciência, especialmente em face de adversidade. Ela mostra que até mesmo um profeta pode agir por impulso, mas a diferença está em como reage em seguida: Yunus reconheceu sua falha, não persistiu no erro e recorreu imediatamente ao arrependimento e ao dhikr, lembrando-se de Allah em meio às trevas. Cada crente que recita sua súplica reconhece também: “Por certo, fui dos injustos”, isto é, admite sua própria limitação e culpa, sem culpar o decreto divino ou as circunstâncias externas.

Outra lição importante é que a porta do retorno permanece aberta para as comunidades e indivíduos enquanto ainda há tempo. O povo de Nínive, apesar de sua arrogância inicial, se humilhou diante de Allah quando viu os sinais do castigo. O Alcorão registra o resultado: seu arrependimento suspendeu o castigo, e eles puderam viver mais tempo neste mundo. Em comparação com outras histórias de povos destruídos, a história do profeta Yunus é um lembrete cheio de esperança para qualquer sociedade que esteja rodeada por pecados, injustiça e idolatria moderna, seja de ídolos materiais ou ideológicos.

Além disso, a narrativa reforça a importância de lembrar Allah em tempos de facilidade. Yunus foi descrito como alguém que costumava glorificar seu Senhor, e foi isso que, pela misericórdia de Allah, se tornou um motivo para sua libertação. Sobre os servos sinceros, Allah diz:

“E lembrai-vos de vosso Senhor em vossas almas, humilde e temerosamente, e em voz baixa, pela manhã e ao entardecer, e não sejais dos desatentos.” (Surah Al-A‘raf, 7:205)

Por fim, a história também educa o crente sobre o adab diante do decreto divino. Não é permitido desesperar-se da misericórdia de Allah, nem apressar os resultados da da‘wah do modo que Yunus fez ao abandonar seu povo sem permissão. O mensageiro Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi orientado no Alcorão a tomar o profeta Yunus como exemplo, mas a não repetir sua atitude apressada. A firmeza, a paciência e a confiança absoluta em Allah são marcas dos mensageiros, e a história do profeta Yunus continua a ser um espelho para todos os que chamam ao bem em qualquer época.


Conclusão

A história do profeta Yunus (que a paz esteja sobre ele) é uma das narrativas mais tocantes do Alcorão, unindo milagre, arrependimento e misericórdia. Da partida apressada de Nínive até as profundezas do mar, do ventre do peixe até a sombra da aboboreira, cada etapa revela algo sobre a relação entre o servo e o seu Senhor.

Ao estudarmos essa história, somos lembrados de que nenhum erro é grande demais para a misericórdia de Allah, desde que o arrependimento seja sincero; de que nenhum povo está condenado enquanto tiver tempo de se voltar para o Deus Único; e de que a súplica de Dhun-Nun permanece como uma chave para todo coração aflito: “Não existe deus senão Tu. Glorificado sejas! Por certo, fui dos injustos.”


Referências

  1. Alcorão Sagrado, tradução de Helmi Nasr.
  2. Ibn Kathir, Qiṣaṣ al-Anbiyā’ (História dos Profetas), várias edições em árabe e traduções para o português/inglês.
  3. Artigo “The Story of Jonah (Yunus)” – IslamReligion.com.
  4. Coleção de hadith Sunan at-Tirmidhi, hadith sobre a súplica de Dhun-Nun (classificado como sahih). Disponível em Sunnah.com.
  5. Tafsir Ibn Kathir sobre as Suratas Al-Anbiya (21), Yunus (10) e As-Saffat (37).
  6. Artigos e fatwas sobre o profeta Yunus em IslamQA.info, especialmente as seções relativas ao arrependimento e às lições da história de Dhun-Nun.

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