Uma Muçulmana Pode se Casar com um Não Muçulmano?

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Não é permitido que uma muçulmana se case com um não-muçulmano e o casamento não é válido.

Allah diz:

“E não deem (as vossas filhas) em casamento aos mushrikun (politeístas) até que eles se tornem crentes (n’Um Só Deus, Allah).” [2:221]

“Ó vós que credes! Quando mulheres crentes vêm ao vosso encontro como emigrantes, examinai-as; Allah sabe melhor quanto à sua fé, depois se acertais que elas são crentes verdadeiras não as enviem de volta para os descrentes. Elas não são (esposas) lícitas para os descrentes nem são os descrentes (maridos) lícitos para elas.” [60:10]

Mesmo se ela for forçada a casar com um descrente, não justifica a sua rendição a este casamento.

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Não há obediência a qualquer ser criado se isso envolve desobediência ao Criador”. [Ahmad e Hakim]

Este casamento (entre uma muçulmana e um não muçulmano) é então visto como inválido e qualquer relação sexual que haja entre os dois é visto como zina (adultério). 

Lógica desta proibição

O Islam é uma religião bastante organizada e existem parâmetros a serem cumpridos pelos crentes.

Quando uma muçulmana se casa com um não muçulmano a sua fé é afectada de muitas maneiras, mesmo se essa mulher for praticante da religião em muitos outros factores. Muitas desvantagens podem então ocorrer durante o casamento:

  • O marido pode pedir para ela fazer algo haram (proibido). Por exemplo, comprar vinho e servi-lo ao marido. Na religião dela, comprar vinho já é pecado e servi-lo é outro pecado e sentar à mesa com o marido enquanto ele bebe vinho é mais um pecado. Por outro lado, a mulher fica dividida entre deveres na sua religião: Por um lado quer agradar ao seu marido, por outro não quer desobedecer ao Criador e assim nunca terá as duas coisas. Se ela se casasse com um muçulmano conseguiria balançar os dois deveres.
  • O marido é como se fosse o líder da casa e relação em geral. Normalmente, e mesmo em famílias no ocidente, o marido tem a palavra final e se um não-muçulmano tem a palavra final que vai contra as regras do Islam, isso seria mais uma desvantagem para a muçulmana que quer agradar a Allah.
  • O marido poderá ganhar dinheiro de maneira proibida no Islam. Consequentemente, a comida, roupa, casa, etc, serão haram e não serão abençoadas por Allah até que o marido adquira um trabalho honesto e se veja livre do dinheiro haram que ganhou.
  • O não muçulmano pode não dar o mahr (dote) que é obrigatório dar à esposa. E outros factores como direitos para com os filhos depois do divórcio não serão cumpridos pois implicam muito esforço por parte do homem. Os filhos terão que ser sustentados pelo pai, e o não muçulmano pode não querer fazê-lo pois as regras do Islam não se aplicam a ele.
  • A mulher no Islam precisa de um mahram sempre que viaja. Se ela quiser fazer Hajj, o marido não a poderá acompanhar, a não ser que ela peça a um outro familiar que ela tenha para a levar. E mesmo assim é pouco provável, se ela não tiver maharim que sejam muçulmanos e que a acompanhem em todo o processo, visto que há determinadas regras em Meca que os impedem de prosseguir.
  • Os filhos serão afectados por isto. A mulher no Islam sabe o quão é importante as suas crianças serem muçulmanas e pode ser que o marido não muçulmano não queira isto e influencie as crianças a tornarem-se não muçulmanas, directa ou indirectamente. Os pais no Islam são responsáveis pelas suas crianças e prestarão contas a Allah no Dia do Julgamento por isso. Uma muçulmana, ao casar-se com um não muçulmano, está então a pôr em risco o seu dever e o mais provável é que falhe esse dever, especialmente com as crianças do sexo masculino, visto que estas tendem a olhar para o pai como modelo a seguir.
  • E claro que estará a desobedecer a Allah directamente, visto que a proibição do casamento com um não muçulmano está explicitamente no Alcorão. Ela levará então uma vida de pecado, cometendo adultério e deixando as suas crianças serem educadas por um não muçulmano. E mesmo que a mãe fique mais tempo com as crianças, isso pode não significar nada e muitas das vezes ocorrerão discussões sobre religião e métodos de educação e as crianças poderão ficar confusas. Os pais terão ideias diferentes, visto que os objectivos na vida de ambos serão completamente diferentes: um preocupa-se com esta vida e o outro preocupa-se com a próxima. Os deveres na religião de um são vistos como insignificantes aos olhos do outro e é pouco provável que exista serenidade por muito tempo.
  • Falando em deveres religiosos islâmicos serem insignificantes para o não muçulmano, vem a questão dos direitos do casamento no Islam. Os direitos que a esposa tem. O não muçulmano pouco sabe desses direitos e é pouco provável que os cumpra, especialmente nesta época. O marido, no Islam, terá que dar o sustento à sua família, e a mulher não é obrigada a trabalhar. No ocidente vemos muitas vezes o contrário: a mulher trabalha e o marido fica em casa e não se sente responsável, pensa que é obrigação da sua esposa fazê-lo. Isto faz com que a estrutura familiar caia tal como já caiu no ocidente onde mulheres solteiras cuidam dos seus filhos, divórcios acontecem a toda a hora, os filhos não sentem o laço familiar com os pais (especialmente a mãe por estar ausente), etc. Outro factor é o de não ter as maneiras islâmicas, isto leva ao marido a não se comportar como Allah ordenou: baixar o olhar, não cometer adultério, etc. O marido no Islam tem regras bem severas para não se envolver neste tipo de comportamento e pecado. E como o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) nos encorajou: devemos casar-nos com pessoas que saibam a sua religião e pratiquem o Islam como deve ser praticado.

A muçulmana que casar com um não muçulmano está então a destruir os seus direitos, dos quais os mais importantes: sustento, protecção e a tranquilidade entre o casal que Allah indicou no Alcorão. Por isso, peço à minha irmã que analise bem a sua situação antes de entrar para um casamento com um não muçulmano. Pense no Dia do Julgamento e no que dirá a Allah para se defender. Pense nos seus futuros filhos, pense no exemplo que dará às pessoas, pense na vida que levará, uma vida que não agradará a Allah e pouco será liberta do pecado…

Fontes utilizadas: IslamQA

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2 Comentários

  1. Assalamu alaikum
    Li o seu artigo explicando o motivo para que uma muçulmana não se case com um não muçulmano e tenho algumas questões.
    A uns dias atrás li um ayah no alcorão que diz: Por certo, os que creem [nos profetas e no Alcorão], e os que seguem o judaísmo, e os cristãos, e os sabeus — aqueles [dentre eles] que creem em Deus e no Último Dia e praticam o bem — receberão a sua recompensa junto do seu Senhor, e não haverá medo por eles, nem se entristecerão. E com base nisso deu a entender que ps cristãos também irão para o paraiso se tiver uma vida recta diante aos olhos de Allah e com este ayah gostaria de saber não poderia haver uma excepçao que permita o casamento de uma muçulmana e um cristão contando que o cristão é temente a Allah e acredita nas mesmas coisas que eu e respeita a minha religião.

    1. wa aleikom al salam, Madina. Agrdecemos sua questão, que é genuinamente importante e mostra que você pesquisa o Alcorão com atenção.

      A ayah que você cita é Al-Baqarah 2:62. Os estudiosos do Islam são unânimes em explicar que este versículo refere-se aos seguidores de Moisés e Jesus que viveram antes da missão do Profeta Muhammad (paz e bênçãos sobre ele) e que morreram como verdadeiros monoteístas, sem terem recebido a mensagem do Islam . Não é uma declaração geral sobre todos os cristãos de qualquer época. O próprio final da ayah condiciona tudo à crença em Allah e no Último Dia de forma íntegra, o que, segundo os exegetas, pressupõe a aceitação da mensagem completa após a revelação do Alcorão .

      Quanto ao casamento, a questão não é resolvida por esta ayah, mas por textos específicos e mais diretos. O Alcorão em 60:10 é explícito: “Elas não são lícitas para os descrentes, nem são os descrentes lícitos para elas.” E em 2:221 Allah proíbe dar mulheres crentes em casamento a quem não seja crente . Os eruditos de todas as escolas jurídicas islâmicas são unânimes neste ponto: o casamento de uma muçulmana com um não muçulmano não é permitido, independentemente do caráter moral do homem .

      A lógica por trás disso não é sobre salvar almas ou julgar quem entra no paraíso, mas sobre proteção da fé da mulher e da família. O marido tem papel de qiwama (responsabilidade e liderança espiritual no lar), e alguém que não partilha a mesma fé não pode cumprir esse papel de forma completa .

      A pergunta que vale fazer é esta: se a ayah 2:62 fosse suficiente para abrir exceções no casamento, por que Allah revelaria depois versículos específicos a proibir esse casamento? As regras específicas prevalecem sobre as gerais na jurisprudência islâmica — esse é um princípio fundamental do fiqh.

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