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Quem foi este profeta
Suleiman (Salomão, que a paz esteja sobre ele) era filho do profeta Dawud (Davi, que a paz esteja sobre ele), herdeiro não apenas de um reino terreno, mas de uma missão profética nobre entre os Filhos de Israel. Desde jovem, ele acompanhava o pai nas audiências com o povo, nas decisões de governo e nos julgamentos, observando com atenção a forma como Dawud conciliava justiça, misericórdia e firmeza.
O profeta Suleiman aprendeu com o vasto conhecimento e julgamento de seu pai e frequentemente se juntava a ele durante essas sessões, não como mero espectador, mas como estudante atento, que absorvia cada detalhe e refletia sobre o significado de cada decisão.
Ele era um observador profundo e aprendeu muito com Dawud, ocasionalmente contribuindo nas discussões e debates com respostas que demonstravam maturidade além da idade. A história de Suleiman no Islam mostra que a profecia não é apenas um título, mas um caminho de preparação gradual, em que Allah molda o caráter do servo antes de lhe confiar responsabilidade sobre outras pessoas.
Quando lemos sobre o profeta Suleiman, não o vemos apenas como um rei poderoso, mas como um adorador que reconhecia que toda autoridade pertence a Allah e que qualquer poder terreno é, na realidade, um teste. Essa compreensão é parte fundamental da crença islâmica e aparece de maneira clara na vida e nas escolhas de Suleiman.
Juventude ao lado de Dawud e a prova da sabedoria
Um episódio marcante da juventude de Suleiman mostra como sua sabedoria se destacou, pela graça de Allah, mesmo entre muitos irmãos. Um dia, o profeta Dawud chamou seus 19 filhos diante dos chefes e estudiosos de seu reino. Diante de todos, fez uma série de perguntas que pareciam simples, mas exigiam reflexão profunda e conhecimento da realidade desta vida e da outra. Ele perguntou:
- Qual coisa está mais próxima do homem?
- Qual é a coisa mais distante?
- Quais são as duas coisas que estão ligadas uma à outra?
- Qual é a coisa mais impressionante?
- Quais são as duas coisas que permanecem inalteradas?
- Quais são as duas coisas sempre diferentes?
- Quais são as duas coisas que se opõem?
- Qual é a ação cujo resultado é bom?
- Qual é a ação cujo resultado é ruim?
Os filhos de Dawud ficaram confusos e não conseguiram responder às perguntas diante dos sábios e dignitários. O mais novo dos filhos, Suleiman, levantou-se com serenidade e deu respostas que revelavam uma visão muito profunda sobre a vida, a morte e o comportamento humano. Disse que a coisa mais próxima do homem é o além – vida e morte – pois alguém pode morrer a qualquer momento; que a coisa mais distante é o tempo que passou, porque não volta; e que as duas coisas ligadas uma à outra são o corpo do homem e a alma, mostrando que o ser humano não é apenas matéria, mas também espírito.
Continuando, Suleiman afirmou que o que mais impressiona é o corpo do homem morto, sem alma; as duas coisas que permanecem as mesmas são o céu e a terra; as duas que são sempre diferentes são o dia e a noite; e as duas que se opõem são a vida e a morte.
Quanto às ações, explicou que a ação cujo fim é bom é a paciência e tolerância no momento da raiva, e que a ação cujo fim é ruim é a pressa e impulsividade na hora da raiva. Essas respostas mostraram que Suleiman compreendia o valor do autocontrole, da reflexão e da consciência da outra vida, elementos centrais na mensagem de todos os profetas, que a paz esteja sobre eles.
Impressionado com essas respostas, o profeta Dawud compreendeu que Allah havia concedido a Suleiman uma sabedoria especial. Por isso, nomeou-o para assumir o comando após sua morte. Com o passar do tempo, Suleiman herdou o reino de Israel e foi escolhido por Allah para continuar a missão profética de seu pai, guiando os Filhos de Israel ao monoteísmo e à justiça. Essa sucessão mostra como o conhecimento, a fé e a sabedoria são heranças muito mais nobres do que qualquer tesouro material.
Milagres e bênçãos concedidos a Suleiman
Depois de assumir o reino, o profeta Suleiman implorou a seu Senhor por um reino que não seria concedido a ninguém depois dele, não por vaidade, mas para que fosse um sinal manifesto do poder de Allah e das bênçãos concedidas àqueles que se submetem sinceramente a Ele.
Allah, em Sua sabedoria, aceitou essa súplica e concedeu a Suleiman milagres extraordinários. Entre eles, estava a capacidade de controlar o vento, que o transportava com seu exército em velocidades incríveis, encurtando distâncias e permitindo que cumprisse sua missão em diferentes regiões. O vento não era um brinquedo nas mãos de Suleiman, mas uma força submissa à ordem de Allah, usada pelo profeta para o bem, para difundir a mensagem e administrar seu povo.
Outro milagre grandioso foi que os jinn (gênios) estavam sob seu comando. Eles realizavam trabalhos pesados, construíam grandes edificações, escavavam minas e executavam tarefas que os seres humanos comuns não poderiam realizar com a mesma rapidez. O Alcorão menciona que Allah deu a Suleiman o controle sobre parte do mundo invisível, mas, ao mesmo tempo, deixou claro que nem mesmo os jinn conhecem o futuro ou o Invisível. Isso fica evidente no episódio de sua morte, como veremos mais adiante.
Allah também concedeu a Suleiman uma mina de cobre com a qual ele fazia armas, utensílios e estruturas importantes. Em uma época em que o domínio dos metais representava força militar e desenvolvimento, esse favor era um sinal evidente da graça de Allah. Além disso, Suleiman foi abençoado com a habilidade de se comunicar com os animais, compreendendo o que diziam. O Alcorão menciona de forma especial o episódio do vale das formigas:
“Até que, ao chegarem ao vale das formigas, uma formiga disse: ‘Ó formigas! Entrai em vossos formigueiros, a fim de que vos não esmaguem Salomão e seu exército, enquanto não percebam.’ Então, Salomão sorriu, prazeroso, admirado de seu dito, e disse: ‘Senhor meu! Induze-me a agradecer-Te a graça, com que me agraciaste e a meus pais, e a fazer o bem que Te agrade, e faz-me entrar, com Tua misericórdia, para junto de Teus servos íntegros.’” (Surah An-Naml, 18-19)
Esse versículo mostra que o profeta Suleiman, mesmo com um exército imenso e com poderes que nenhum outro homem teve, reagia aos sinais de Allah com humildade, gratidão e súplica. Ele não se gabava do domínio sobre os animais; pelo contrário, pedia que Allah o ajudasse a agradecer e a fazer o bem que Lhe agradasse. A história das formigas também nos ensina que uma pequena criatura, aparentemente insignificante, pode ser motivo de reflexão e aumento de fé para um coração atento.
A missão de Suleiman e o encontro com a poupa
Na sua missão como profeta de Allah, Suleiman empregou todos os recursos que Allah lhe concedeu para estabelecer a justiça, proteger os fracos e difundir o monoteísmo. Uma parte importante de sua vida se relaciona com a região de Jerusalém e a construção de um importante local de adoração para Allah.
Fontes islâmicas mencionam a edificação do local que mais tarde ficaria conhecido como a área do Domo da Rocha, ligado à história dos Filhos de Israel e à sacralidade de Jerusalém. A partir dali, Suleiman e seus seguidores realizavam sua adoração e também faziam a peregrinação a Makkah, mantendo a ligação com a tradição de Ibrahim, que a paz esteja sobre ele.
Após cumprir o Hajj, Suleiman viajou com seu exército e comitiva até o Iêmen. Lá, testemunhou um sistema sofisticado de canalização de água, algo muito avançado para a época. Admirado, desejou replicar esse sistema em suas próprias terras, mas sabia que a região não dispunha de fontes superficiais suficientes.
Determinado a encontrar uma solução, Suleiman recorreu ao conhecimento que Allah havia dado ao pássaro poupa (hud-hud), conhecido por sua capacidade de detectar água no subsolo. Quando percebeu que o pássaro não estava presente para cumprir essa função, Suleiman expressou sua insatisfação e disse que o puniria severamente, a menos que apresentasse uma justificativa clara para sua ausência.
Pouco tempo depois, o pássaro voltou com notícias que mudariam o rumo da história. Em vez de falar primeiro sobre água, ele trouxe informação sobre um povo distante, em Sabá, e sobre uma rainha que governava sobre grandes riquezas, mas que, juntamente com seu povo, adorava o sol em vez de Allah. O Alcorão relata as palavras do pássaro:
“Mas ela não tardou muito, e disse: ‘Abarquei aquilo que não abarcaste, e chego a ti, de Saba’ com informe certo. Por certo, encontrei uma mulher reinando sobre eles, e a ela foi concedido algo de todas as cousas e tem magnífico trono. Encontrei-a e a seu povo prosternando-se diante do sol em vez de Allah.
E Satã aformoseou-lhes as obras e afastou-os do caminho reto; então, não se guiam. Afastou-os, para que se não prosternassem diante de Allah, Quem faz sair o recôndito nos céus e na terra, e sabe o que escondeis e o que manifestais. Allah, não existe deus senão Ele, O Senhor do magnífico Trono!’” (Surah An-Naml, 22-26)
Essa passagem mostra como a missão do profeta Suleiman não estava limitada às fronteiras de seu reino. Seu objetivo não era apenas administrar um povo, mas chamar nações inteiras para a adoração do Deus Único, corrigindo o desvio de aqueles que, por ignorância ou orgulho, se prosternavam a criaturas em vez do Criador.
Suleiman e Bilkis: poder, sabedoria e submissão a Allah
Ao ouvir o relato do pássaro, o profeta Suleiman decidiu verificar a informação. Ele disse:
“Salomão disse: ‘Olharemos se disseste a verdade ou se és dos mentirosos. Vai com esta minha missiva, e lança-lhas; em seguida, volta-lhes as costas, e olha o que farão retornar.’” (Surah An-Naml, 27-28)
O pássaro levou a carta até a rainha Bilkis, governante de Sabá, e a deixou diante dela. O Alcorão narra que, ao lê-la, ela disse aos seus dignitários que havia recebido uma nobre missiva, na qual se lia: “Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso; não vos exalteis contra mim, mas vindes a mim como muçulmanos.” Essas palavras mostram o equilíbrio do profeta Suleiman: firmeza contra a injustiça e, ao mesmo tempo, convite à submissão pacífica a Allah, sem arrogância.
Bilkis consultou seus conselheiros, que ressaltaram o poder militar de seu povo, mas deixaram a decisão final em suas mãos. Ela, porém, era prudente e sabia que uma guerra poderia destruir cidades e humilhar os mais honrados. Por isso, decidiu enviar presentes valiosos, testando as intenções de Suleiman e, ao mesmo tempo, tentando sondar a dimensão real de seu poder.
Quando os mensageiros chegaram, encontraram um exército formado não apenas por homens, mas também por animais e jinns, todos organizados em obediência ao profeta de Allah. Suleiman recusou os presentes, dizendo que o que Allah lhe havia dado era muito melhor e que não seria comprado com riquezas.
Ele então ordenou que os mensageiros retornassem à sua rainha com a mensagem de que, se ela e seu povo se recusassem a se submeter a Allah, ele viria com um exército contra o qual eles não poderiam resistir. Diante disso, Bilkis decidiu ir pessoalmente ao encontro de Suleiman, acompanhada de sua comitiva.
Ao saber disso, Suleiman quis mostrar a ela, de forma clara, que aquilo que possuía era milagre e favor de Allah, não mera força política. Perguntou ao seu exército quem poderia trazer o trono de Bilkis antes que ela chegasse. Um dos jinns poderosos se ofereceu, dizendo que o faria antes que Suleiman se levantasse de seu lugar, mas outro servo, que possuía conhecimento do Livro, disse:
“‘Eu to farei vir, num piscar de olhos.’ E, quando ele o viu estabelecido, junto de si, disse: ‘Isso é algo do favor de meu Senhor, para que me ponha à prova se Lhe agradeço ou sou ingrato. E quem Lhe agradece, apenas agradece em benefício de si mesmo. E quem é ingrato, por certo, Allah é Bastante a Si mesmo, Ele é Generoso.’” (Surah An-Naml, 40)
O trono de Bilkis foi trazido de uma distância enorme em um instante, e Suleiman reconheceu, mais uma vez, que tudo aquilo era prova, não motivo de orgulho. Ele mandou que desfigurassem o trono para ver se Bilkis perceberia a mudança, testando sua inteligência e sensatez.
Quando ela chegou, foi convidada a entrar em um palácio cujo piso era de vidro transparente sobre água corrente. Confundindo o chão de cristal com um manto de água, Bilkis levantou as vestes e descobriu as canelas, até que Suleiman explicou que era um palácio revestido de cristal. Diante daquele conjunto de sinais – o trono, o palácio, a conduta de Suleiman – a rainha compreendeu que estava diante de um profeta de Allah, não apenas de um rei poderoso. O Alcorão registra suas palavras:
“Disseram-lhe: ‘Entra no palácio.’ E, quando ela o viu, supô-lo um manto d’água; ergueu, então, as vestes, e descobriu ambas as canelas de suas pernas. Salomão disse: ‘É um palácio revestido de cristal.’ Ela disse: ‘Senhor meu! Por certo, fui injusta com mim mesma, e islamizo-me, com Salomão, para Allah, o Senhor dos mundos.’” (Surah An-Naml, 44)
Assim, Bilkis e seu povo abraçaram o Islam, submetendo-se a Allah. A história de Suleiman e Bilkis mostra como a sabedoria, aliada ao poder usado com justiça, pode levar corações sinceros a reconhecerem a verdade.
Ensinos espirituais da vida de Suleiman
Ao estudar a história do profeta Suleiman no Islam, percebemos que seus milagres não são apenas feitos extraordinários para admirar, mas sinais carregados de lições espirituais. O domínio do vento, o serviço dos jinns, a comunicação com os animais e os grandes projetos que realizou tinham um propósito: mostrar que, quando o servo se submete sinceramente a Allah, até as forças da criação podem ser colocadas em seu benefício, mas nada disso o desvia do monoteísmo.
Suleiman nunca atribuiu seus poderes a si mesmo; sempre os reconheceu como favor e teste. Isso fica claro quando ele diz, diante do milagre do trono de Bilkis, que aquilo é…
“algo do favor de meu Senhor, para que me ponha à prova se Lhe agradeço ou sou ingrato” (Surah An-Naml, 40).
Outro ensinamento importante é que Suleiman integrou governo e espiritualidade de forma harmoniosa. Ele era um rei forte e, ao mesmo tempo, um adorador humilde, que se prostrava, suplicava e agradecia. A tradição islâmica relata que ele dividia seu tempo entre a administração do reino, a adoração, o ensino e o cuidado com o povo, entendendo que a verdadeira liderança é serviço.
Nos livros de hadith há narrativas que mostram seu desejo de ter uma descendência forte que lutasse pela causa de Allah, evidenciando que seu objetivo maior era ver a mensagem de Allah prevalecer. Em um famoso relato, o profeta Muhammad, que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele, menciona a intenção de Suleiman de visitar suas esposas em uma noite para que todas engravidassem e dessem à luz guerreiros no caminho de Allah, e conclui dizendo que, se Suleiman tivesse dito “inshaAllah”, seu desejo teria se concretizado; este hadith é autêntico, narrado em coleções como Sahih al-Bukhari e Sahih Muslim.
Esse hadith reforça outra lição importante da vida de Suleiman: a necessidade de sempre vincular nossos planos à vontade de Allah, dizendo “se Allah quiser” (inshaAllah), reconhecendo que nenhum projeto, por mais bem-intencionado, se realiza sem a permissão do Criador. Assim, a história do profeta Suleiman convida os muçulmanos a unirem esforço, planejamento, poder e tecnologia com humildade, lembrando que o sucesso vem somente de Allah.
A morte de Suleiman e a lição sobre o Invisível
A forma como o profeta Suleiman morreu também contém um ensinamento profundo sobre o conhecimento do Invisível. Ele estava sentado, apoiado em seu cajado, supervisionando o trabalho de alguns jinn que, sob seu comando, executavam tarefas pesadas. Eles temiam sua autoridade e trabalhavam continuamente, pensando que o profeta os observava com olhos atentos. Foi nesse estado, apoiado no cajado, que Allah decidiu tirar-lhe a vida.
O corpo de Suleiman permaneceu naquela posição por um longo período, sem que os jinn percebessem que ele tinha falecido. Eles continuavam a trabalhar, servindo a um profeta que já não estava presente neste mundo. Somente quando um cupim começou a roer o cajado e o fez quebrar é que o corpo de Suleiman caiu ao chão. Nesse momento, tanto os jinn quanto os humanos compreenderam que ele havia morrido há muito tempo. O Alcorão descreve esse episódio com clareza:
“E, quando lhe decretamos a morte, nada lhes indicou sua morte senão a térmite que lhe devorou o báculo. Então, quando ele caiu, tornou-se evidente para os jinns que, se soubessem do Invisível, não haveriam permanecido no aviltante castigo.” (Surah Saba’, 34:14)
Esse versículo é uma prova clara, para os muçulmanos, de que nem mesmo os jinn possuem conhecimento do Invisível (al-ghayb). Se tivessem esse conhecimento, teriam percebido a morte de Suleiman e deixado o trabalho pesado que faziam. A morte do profeta, portanto, se torna um sinal contra qualquer crença de que existam criaturas – humanas, jinn ou outras – capazes de conhecer o futuro ou aquilo que Allah ocultou. No Islam, o conhecimento do Invisível pertence somente a Allah, que revela partes dele apenas a quem Ele quiser, em circunstâncias específicas, e nunca de forma absoluta.
A história da morte de Suleiman também mostra que a vida, por mais poderosa e plena que pareça, termina no momento decretado por Allah. O profeta Suleiman morreu em posição de trabalho e responsabilidade, e isso lembra a todo crente que a morte pode chegar em qualquer instante, seja em meio a uma tarefa religiosa, seja em um momento comum do cotidiano. Por isso, o muçulmano é orientado a viver em estado de lembrança constante de Allah, buscando o arrependimento sincero e a retidão em todas as situações.
Conclusão
A história do profeta Suleiman no Islam é muito mais do que o relato de um reino poderoso. Ela é um espelho que reflete, para cada geração, lições sobre fé, humildade, justiça, uso correto do poder e confiança em Allah. Ao ver um profeta que controla o vento, comanda exércitos de homens, animais e jinns, e possui riquezas abundantes, poderia surgir o risco de enxergá-lo como um rei distante e vaidoso; porém, o Alcorão e a literatura islâmica o apresentam como servo grato, que se curva diante do Criador, reconhecendo que tudo o que possui é um teste.
Da juventude de Suleiman, aprendemos a importância de buscar sabedoria desde cedo, refletindo sobre a vida, a morte, o tempo e as emoções. Das suas decisões como rei e profeta, retiramos a necessidade de julgar com justiça, ouvir todas as partes e submeter nossos planos à vontade de Allah. Do encontro com Bilkis, vemos como a verdade, apresentada com clareza e firmeza, é capaz de transformar corações que antes se prosternavam diante do sol em adoradores do Senhor dos mundos. E de sua morte, lembramos que nenhum ser criado conhece o Invisível e que apenas Allah possui controle absoluto sobre o tempo e o destino.
Assim, ao estudar Suleiman (que a paz esteja sobre ele), o muçulmano é convidado a unir esforço e tawakkul (confiança em Allah), buscar conhecimento, agir com justiça e manter a humildade mesmo quando alcança alguma forma de poder ou destaque. Essa é a verdadeira herança dos profetas: não palácios nem tesouros, mas um caminho claro de submissão sincera ao Criador.
Referências
- Alcorão Sagrado, tradução de Helmi Nasr, com destaque para as suratas:
- Ibn Kathir. História dos Profetas (Stories of the Prophets).
- IslamReligion.com. Artigos sobre o profeta Suleiman (Salomão) e os demais profetas no Islam.
- Sunnah.com. Compilação de hadiths autênticos sobre o profeta Suleiman, incluindo o relato de sua intenção de ter descendência numerosa (Sahih al-Bukhari; Sahih Muslim).
- Tafsir Ibn Kathir. Comentário do Alcorão, especialmente sobre as passagens das suratas An-Naml e Saba’.
- IslamQA.info. Fatawa e explicações sobre a crença correta no Invisível (al-ghayb) e sobre os milagres dos profetas.
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