A Criação de Jesus علیه السلام

A Criação de Jesus علیه السلام

A criação de Jesus (عليه السلام) é um dos temas mais importantes na conversa entre muçulmanos e cristãos. O Islam apresenta uma explicação clara, detalhada e coerente: Jesus foi criado de forma milagrosa, por vontade de Allah, sem intervenção humana, como um sinal para a humanidade. Neste artigo, aprofundaremos essa explicação usando o Qur’an, a Sunnah e os comentários clássicos dos estudiosos — preservando todo o conteúdo original e ampliando com evidências e clareza.


1. Como se deu a criação milagrosa de Jesus?

O Quran explica que Allah ordenou ao Anjo Gabriel (Jibril عليه السلام) que soprasse em Maria (Maryam), permitindo que o sopro chegasse ao útero, criando ali uma alma. O processo é descrito repetidamente:

Allah diz:

“E com Maria, filha de ‘Imran, que conservou o seu pudor, e a qual alentamos com o Nosso Espírito.”
(Qur’an 66:12)

Outra passagem reforça o caráter milagroso da concepção:

“E [recorda-te] também daquela que conservou a sua castidade, e a quem alentamos com o Nosso Espírito, fazendo dela e de seu filho sinais para a humanidade.”
(Qur’an 21:91)

Essa expressão “Nosso Espírito” refere-se ao sopro de Gabriel, que agiu apenas por ordem de Allah.

E o próprio anjo declara a Maria:

“Sou tão-somente o mensageiro do teu Senhor, para agraciar-te com um filho puro.”
(Qur’an 19:19)

Portanto:

  • O sopro veio por meio de Gabriel.
  • A criação do feto ocorreu por ordem direta de Allah.
  • A origem de Jesus é milagrosa, mas ainda humana, sem qualquer divindade.

2. Quanto tempo durou a gestação?

Alguns muçulmanos escutam histórias dizendo que a gestação durou apenas alguns minutos ou horas. Os estudiosos tradicionais rejeitam isso.

Por quê?

Se a gestação tivesse sido instantânea, a própria população de Maria não teria suspeitado dela, e o milagre teria sido óbvio demais. Entretanto, o Qur’an mostra que ela foi acusada de fornicação, o que indica que o processo aparentava ser natural.

“Ó Maria, eis que fizeste algo extraordinário!”
(Qur’an 19:27)

O que dizem os estudiosos?

Ibn Kathir (m. 774 H):

“A opinião mais difundida é que foram nove meses.”
– Tafsir Ibn Kathir 3/122

Embora reconheça que existam tradições divergentes, Ibn Kathir explica que:

  • A conjunção “fa” (“então”, “logo”) em 19:22 não implica imediatismo literal.
  • Assim como na criação humana descrita no Qur’an 23:12-14, a sequência é natural.

Sheikh al-Shinqiti (m. 1393 H):

“Tudo indica que esta foi uma gravidez comum, mesmo sendo milagrosa em sua origem.”
– Adhwa’ al-Bayan 4/264

Assim, a opinião correta e mais forte é: Maria teve uma gestação normal, porém iniciada de forma milagrosa.


3. Jesus é o “Espírito de Allah”? O que isso significa?

Algumas pessoas, influenciadas por leituras superficiais, entendem que Jesus seria parte da essência de Allah. Isso é incorreto — e os sábios explicam cuidadosamente seu significado.

O erro mais comum

Alguns dizem: “O Qur’an o chama de Espírito de Allah, então ele é divino”.

Essa conclusão é inválida, pois parte de um entendimento linguístico errado.

A explicação de Ibn al-Qayyim

Ibn al-Qayyim explica que quando o Qur’an atribui algo a Allah, essa atribuição pode ter dois sentidos:

1. Atributos de Allah (não criação)

Ex.:

  • Sua fala
  • Sua vontade
  • Seu conhecimento
  • Sua face
  • Suas mãos
    Esses não são criados.

2. Criações especiais, honradas por Ele

Ex.:

  • A Casa de Allah (a Kaaba)
  • A Camela de Allah do Profeta Salih علیه السلام
  • O Espírito (o sopro que gerou Jesus)

Essa segunda categoria não implica divindade. A “Casa de Allah” não é parte de Allah — mas pertence a Ele e foi honrada.

O mesmo ocorre com “Seu Espírito”.

Jesus não é parte de Allah.

Ele é uma criatura honrada, criada por um sopro vindo do anjo Gabriel a mando de Allah. Isso significa honra, não divindade.

Ibn al-Qayyim resume:

“A anexação do espírito a Ele é para demonstrar sua honra, não sua divindade.”
(Kitab ar-Ruh, p. 154–155)


4. Jesus é uma criatura como Adão

O Qur’an usa uma comparação poderosa para esclarecer que Jesus não é divino:

“Por certo, o exemplo de Jesus, para Allah, é semelhante ao de Adão: criou-o do pó e, em seguida, disse-lhe: ‘Sê’, e ele foi.”
(Qur’an 3:59)

Ou seja:

  • Adão foi criado sem pai e sem mãe e isso não o torna divino.
  • Jesus foi criado sem pai, por um milagre semelhante.

Logo: O nascimento milagroso não implica divindade.


5. Jesus é um sinal, não uma divindade

Em todas as passagens que mencionam seu nascimento, o Qur’an repete que Jesus e sua mãe são sinais:

“…fazendo dela e de seu filho sinais para a humanidade.”
(Qur’an 21:91)

Allah o enviou:

  • Como profeta
  • Como servo
  • Como mensageiro aos Filhos de Israel
  • Como confirmação da Torá
  • Como portador de um injil (evangelho) verdadeiro
  • Como anunciador do Profeta Muhammad ﷺ (Qur’an 61:6)

Nada nele indica divindade.
Sua existência milagrosa é um sinal do poder de Allah, assim como:

  • Adão
  • A camela de Salih
  • Os milagres de Moisés
  • O fogo que não queimou Abraão

6. Por que Allah escolheu um nascimento milagroso?

O Qur’an não apresenta explicitamente todos os motivos, mas os sábios destacam alguns elementos:

1. Para mostrar o poder absoluto de Allah

Allah cria “como quiser” (Qur’an 3:47).
Ele cria por meios:

  • Normais
  • Fora do comum
  • Totalmente sobrenaturais

2. Para refutar falsas crenças

O fato do nascimento ser milagroso:

  • Não faz de Jesus divino
  • Não faz de Maria divina
  • Não dá base ao conceito de trindade
  • Não implica que seja filho literal de Deus (Qur’an 112)

3. Para conectá-lo aos grandes sinais da história

Jesus faz parte da cadeia de milagres que acompanha todos os profetas importantes.


7. O erro dos que atribuíram divindade a Jesus

O Qur’an critica abertamente as distorções posteriores:

“Foram blasfemos aqueles que disseram: ‘Deus é o Messias, filho de Maria.’”
(Qur’an 5:72)

“E muitos dentre eles dizem: ‘O Messias é filho de Deus.’”
(Qur’an 9:30)

O Islam afirma:

  • Jesus é um profeta nobre
  • Um mensageiro honrado
  • O Messias aguardado
  • Nascido de forma milagrosa
  • Capaz de milagres por permissão de Deus
  • Retornará no fim dos tempos
    … mas é sempre servo de Allah.

O próprio Jesus, como registra o Qur’an, dirá no Dia do Juízo:

“Jamais lhes disse senão o que Tu me ordenaste: ‘Adorai a Allah, meu Senhor e vosso Senhor.’”
(Qur’an 5:117)


8. Conclusão

A criação de Jesus (عليه السلام) é um milagre extraordinário, mas totalmente dentro da crença islâmica de que:

  • Allah cria como quiser
  • Jesus é um servo e mensageiro
  • Seu nascimento milagroso é um sinal
  • Ele é honrado, mas não divino
  • Sua descrição como “Espírito de Allah” expressa honra, não natureza divina
  • Seu retorno futuro é certo
  • Ele chamará à adoração de Allah apenas

Assim, o Islam preserva:

  • A grandeza de Maria
  • A nobreza de Jesus
  • A unicidade absoluta de Allah

Referências

  1. Alcorão Sagrado, tradução do Dr. Helmi Nasr.
  2. Ibn Kathir – Tafsir al-Qur’an al-‘Azim, vol. 3.
  3. Al-Shinqiti – Adhwa’ al-Bayan fi Idah al-Qur’an bil-Qur’an.
  4. Ibn al-Qayyim – Kitab ar-Ruh.
  5. Sahih al-Bukhari.
  6. Sahih Muslim.
  7. IslamQA (fatwa e comentários dos sábios).

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