Dez Erros na Prática de Ruqya

 

 

Todos os louvores são para Allah, e que o salat e o salam estejam sobre o último Mensageiro...prosseguindo:

 

A Comité Permanente para Pesquisa Académica e Fatwa analisou o que foi enviado à sua Excelência, o Grande Mufti da Arábia Saudita, pelo estimado Ministro dos Assuntos Islâmicos, Guia e Da’wah, juntamente com um relatório preparado por um representante do Ministério dos Assuntos Islâmicos assim como por um representante da Comité para a Promoção da Virtude e Prevenção de Vício em Qasim. Estes relatórios foram posteriormente referidos à Comité Permanente pela Comité de Assuntos Gerais aos grandes eruditos da Arábia Saudita com referência #139, datada de 8/1/1418 H. Os documentos consistiam de um número de pontos que foram respondidos com o seguinte:

 

1. Ler [o Qur’an] sobre água misturada com açafrão, de seguida mergulhar folhas na água e secá-las [para uso futuro]. Posteriormente, misturar as folhas com água e bebê-la.

 

Comentários: Ler sobre água que contém açafrão, depois mergulhar folhas nessa água e mais tarde vender essas folhas como cura – não é permissível, porque é um método de enganar pessoas pelo seu dinheiro através de meios fraudalentos. Não constitui uma forma lícita de Ruqya [encantamento divino], que os sábios consideraram permissível – que é escrever ayat de Qur’an num pedaço de papel ou algum outro material puro, e depois lavar a escrita e beber a água.

 

 

2. É correto o indivíduo que afligiu a pessoa doente de 'Ayn comparecer enquanto o raqi  [a pessoa que realiza a ruqya] estiver a efetuar a Ruqyah? De modo semelhante, é também correto para o raqi pedir aos Jinn que mostrem à pessoa doente quem foi que a afligiu com ‘Ayn?

 

Comentários: O assunto de o indivíduo por detrás do ‘Ayn comparecer perante a pessoa doente durante a sessão de leitura, ou o raqi ordenar o Jinn fazê-lo é obra do Shaytan e não é permissível. Esta é uma forma de solicitar ajuda dos Shayatin que aparecem na forma do indivíduo responsável pelo ‘Ayn. Esta prática é proibida porque envolve procurar assistência dos Shayatin, causa desavença entre pessoas, propaga medo entre elas e está por isso incluído na afirmação de Allah, o Exaltado:

“E que: ‘Alguns dos humanos refugiavam-se em alguns dos jinns, então, acrescentaram-lhes aflição.’” [Surah al-Jinn (72):6]

 

 

3. A questão de tocar o corpo de uma mulher; tocar a sua mão, testa ou pescoço sem qualquer barreira, com a desculpa de aplicar pressão sobre o Jinn dentro dela. Visto que isso é algo que ocorre nos hospitais por parte dos médicos, quais são as regulações em relação a este assunto?

 

Comentários: Não é lícito para o raqi tocar  qualquer parte do corpo de uma mulher enquanto realiza a Ruqya devido à fitnah envolvida com esta prática. Aquele que realiza a Ruqya deve apenas ler sobre ela, sem tocá-la. Há uma diferença entre o trabalho de um raqi e o trabalho de um médico. Este último pode não conseguir curar uma área lesionada exceto através do toque, ao contrário do raqi, cuja prática só envolve ler e soprar levemente.

 

 

4. Trazer um grande anel escrito com ayat e adhkar relacionadas com magia, ‘AynJinn, mergulhar o anel numa mistura de água com açafrão, de seguida usar o anel para carimbar estes ayat em papéis que poderão mais tarde ser misturados com água para beber.

 

Comentários: Não é admissível para o raqi escrever ayat e adhkar em anéis, mergulhá-los em mistura de água com açafrão, e usá-los como carimbos que substituirão o lugar da escrita, sendo os papéis carimbados mais tarde lavados e a água bebida. Isto porque, uma das condições preceituadas de Ruqya é que, tanto o raqi como o indivíduo sobre o qual ela é exercida, devem ter a intenção de cura a partir do Livro de Allah enquanto estes ayat são escritos.

 

 

5. A pessoa doente cheirar a pele de um lobo com a justificação de que isto trará a presença de um Jinn à luz, porque o Jinn, de acordo com eles, teme lobos, torna-se nervoso na sua presença e escapa.

 

Comentários: É impermissível para o raqi usar a pele de um lobo para que a pessoa doente a cheire, de forma a verificar a presença de um Jinn. Isto é apenas misticismo e é baseado em falsas crenças. Esta prática deve ser completamente evitada. A sua alegação de que o Jinn teme lobos é somente superstição e não possui qualquer evidência. 

 

 

6. Ler o Qur’an com um alto-falante durante a ruqya, ou através de um telefone, devido à longas distâncias, ou ler sobre um grande grupo de pessoas de uma só vez.

 

Comentários: Ruqya deve ser efetuada diretamente sobre a pessoa doente, não pode ser feita por meio de um alto-falante ou telefone, pois isso contradiz a prática do Mensageiro de Allah e dos seus companheiros, que Allah esteja satisfeito com eles, e aqueles que os seguirem no bem. O Mensageiro de Allah [sallAllahu 'alayhi wa sallam] disse:

“Quem quer que  inove algo neste nosso assunto [religião] ser-lhe-á rejeitado.”

 

 

7. Buscar a ajuda dos Jinn na identificação de ‘Ayn ou magia, de modo semelhante, acreditar no Jinn dentro da pessoa afligida com a justificação de magia ou ‘Ayn, e basear-se nas suas reivindicações.

 

Comentários: Não é permitido buscar assistência dos Jinn para averiguar o tipo de aflição e como curá-la, porque fazer isso constitui Shirk. Allah, o Elevado, disse:

“E que: ‘Alguns dos humanos refugiavam-se em alguns dos jinns, então, acrescentaram-lhes aflição.’” [Surah al-Jinn (72):6]

 

Ele – o Majestoso – também disse:

“E um dia, Ele os reunirá, a todos, e dirá: ‘Ó coorte de jinns! Com efeito, cativastes muitos dos humanos.’ E seus aliados, entre os humanos, dirão: ‘Senhor nosso! Deleitamo-nos, uns com os outros, e atingimos nosso termo, que Tu havias fixado, para nós." Ele dirá: "O Fogo será vossa moradia: nele, sereis eternos, exceto se Allah quiser outra cousa.’ - Por certo, teu Senhor é Sábio, Onisciente.” [Surah al-An’am (6):128]

 

O significado de se terem deleitado uns com ou outros é que os humanos glorificaram os Jinn, submetendo-se e buscando refúgio junto deles. Os Jinn, por sua vez, serviram-nos e concederam-nos o que pediram, como informá-los de certos tipos de doenças e suas curas que apenas eles conseguem ver. Podem mentir em relação a isso, e portanto, certamente não se deve confiar nem é permitido acreditar neles.

 

 

8. O assunto de colocar um áudio com o Qur’an para a pessoa doente por um número de horas, e selecionar versículos específicos sobre a magia, ‘Ayn e Jinn para escutar.

 

Comentários: Colocar um ficheiro áudio do Qur’an ou adhkar não substitui a Ruqya, porque esta é uma prática que requer crença e intenção enquanto é efetuada e quando se sopra sobre a pessoa doente. Isso não pode ser feito usando um dispositivo de áudio.

 

 

9. Escrever versículos do Qur’an e várias súplicas num papel e colá-lo em partes do corpo da pessoa afligida, tais como no seu peito. Ou dobrá-lo e colocá-lo nos dentes molares, ou escrever súplicas legisladas num pedaço de papel, embrulhá-lo com couro e colocá-lo debaixo de uma cama ou outros lugares, ou ainda pendurar amuletos compostos de Qur’an, dhikr e súplicas.

 

Comentários: Não é lícito colar papéis com Qur’an ou súplicas no corpo, ou pô-los por debaixo de camas ou qualquer outro lugar, já que isso constitui uma forma de pendurar amuletos, a qual foi proibida na afirmação do Profeta.

“Que Allah não complete a necessidade de uma pessoa que pendura um amuleto.”

 

E a sua [sallAllahu ‘alayhi wa sallam] afirmação:

“Deveras [o tipo proibido de] Ruqya, amuletos e tawlah [uma forma de magia] são Shirk.”

 

 

10. Existem algumas súplicas sem bases, tais como ‘Hajar Yabis Shihab Qabis...’

 

Comentários: Esta súplica não tem qualquer base e consiste em transgressão contra pessoas que não estão por detrás do mau olhado. Não é permissível usá-la devido à afirmação do Profeta:

“Quem quer que inove algo neste nosso assunto [religião] ser-lhe-á rejeitado.”

 

E que o salat e salam estejam sobre o nosso Profeta Muhammad, sua família e companheiros.

 

 

Fonte: Subulassalaam.Com [Traduzido por Abu Abdul-Waahid e Nadir Ahmad]

Tradução: Mariama bint Carlos


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