Breve História do Islam - Parte 1

 

O Começo – O período do Profeta

بسم الله الرحمن الرحيم

Em nome de Allah o Gracioso, o Misericordioso

 

Em verdade, todos os louvores são para Allah, nós buscamos Sua ajuda e o Seu perdão. Nós buscamos refúgio com Ele do mal de nossas próprias almas e de nossas más ações. Aquele que Allah guia nunca será extraviado, e aquele que Allah deixa extraviado, ninguém pode guiar.  Testemunho que não há divindade além de Allah, e eu testemunho que Muhammad é Seu servo e Mensageiro.

Esse é um simples esforço de um assunto nobre, eu peço à Allah que aceite esse projeto de mim e de todos que o usem por Sua causa.

Dr. Khalid Alhamdy

 

Introdução

Começando como a fé de uma pequena comunidade de crentes na Arábia no século VII, o Islam rapidamente se tornou uma das maiores religiões do mundo. O centro dessa fé é a crença que Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) (c. 570-632), um respeitado empresário de Meca, centro religioso e comercial da Arábia ocidental, recebeu revelações de Deus que foram preservadas no Alcorão. O coração dessa mensagem revelada é a afirmação de que “não há divindade além de Allah (Deus), e Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) é o mensageiro de Deus.” O termo Islam vem da raiz árabe s-l-m, que faz uma referência geral à paz e submissão. Especificamente, Islam significa submissão à vontade de Deus, e muçulmano é aquele que se submete.

Muçulmanos acreditam que Islam é a fé monoteísta básica proclamada por profetas através da história. O Alcorão não é visto como apresentando uma nova revelação, mas sim como fornecendo um completo, preciso, e portanto, registro final da mensagem que já foi dada através de Abraão, Jesus, e outros profetas anteriores. Como base para uma comunidade histórica e tradição de fé, no entanto, Islam começa em Meca com a vida e trabalho de Muhammad no começo do século VII.  (De   Encyclopedia of Politics and Religion, ed. Robert Wuthnow. 2 vols. - Washington, D.C.: Congressional Quarterly, Inc., 1998 - 383-393).

A Arábia Pré-Islâmica

O termo “Arábia”, que é usado em antigas fontes Latina e Grega, cobre uma região da costa leste do Rio Nilo até a Península do Sinai no norte da Síria, e o termo Arábia Pré-Islâmica refere-se à Península Árabe de antes do surgimento do Islam nos anos 630, quando o Mediterrâneo e o mundo do “Oriente Médio” (tão ao leste quanto a Ásia central para o norte e o que seria o Paquistão moderno para o sul) era dominado por dois superpoderes: O Império Romano no oeste (antes da queda de Roma) e o Império Persa Sassânida no leste.

Contudo, fés diferentes, como Judaísmo, Cristianismo, Zoroastrianimo e Sabi eram comuns entre os árabes antes do advento do Islam, a crença religiosa mais comum era sem dúvida uma forma de paganismo. E o lugar mais importante nesse tipo de crença foi sem dúvida Kaaba (em Meca) e seus arredores. Meca tornou-se um importante centro comercial no século VI, com poderes como os Sassânidas, Bizantinos, e Etíopes. Como consequência, a cidade era dominada por famílias de mercadores poderosos, dentre os quais os homens Coraixitas (membros da tribo Quraysh) eram predominantes.

O começo de Meca é atribuído aos descendentes de Ismael. O capítulo Salmos 84:3-6 do Velho Testamento menciona uma peregrinação para o Vale de Baca, que os Muçulmanos como referência para a menção de Meca como Makkah no Alcorão, surata 3:96. O historiador grego Diodoros Siculus, que viveu entre 60 AEC e 30 AEC, também escreve sobre a isolada região da Arábia em seu trabalho Bibliotheca Historica, descrevendo um santuário sagrado que muçulmanos veem como referência a Kaaba em Meca “E um templo foi criado ali, que é muito sagrado e reverenciado em excesso por todos os árabes”. (Traduzido por C H Oldfather, Diodorus Of Sicily, Volume II, William Heinemann Ltd., London & Harvard University Press, Cambridge, Massachusetts, MCMXXXV, p. 217).

John William Draper, cientista Anglo-americano, filósofo, físico, químico, historiador e fotógrafo escreveu em seu livro:

"Quatro anos após a morte de Justinian, 569 DC, nasceu em Meca, na Arábia o homem que, de todos os homens, exerceu a maior influência na humanidade...  Mohammed... (A History of the Intellectual Development of Europe, London 1875, Vol.1, pp.329-330).

“Muhammad” (Que a Paz esteja sobre Ele) – cujo nome significa “altamente glorificado” – nasceu em Meca em 570 DC. Seu pai, 'Abd Allah ibn'Abd al-Muttalib, morreu antes dele nascer; sua mãe, Aminah, morreu quando ele tinha seis anos. O órfão foi entregue aos cuidados do seu avô, o chefe do clã Hashim. Após a morte do avô, Muhammad foi criado pro seu tio, Abu Talib, e sob sua guarda, Muhammad (Que a Paz esteja sobre ele) começou a ganhar a vida como empresário e comerciante. Aos doze anos, ele acompanhou Abu Talib com a caravana mercante até Bostra, na Síria. Muhammad (Que a Paz esteja sobre ele) ficou popularmente conhecido com ‘al-Ameen’ por seu caráter incontestável, pelos habitantes de Meca e visitantes. O título al-Ameen significa honesto, o seguro e confiável, e  exprime o mais alto padrão de moral e vida pública.

Ao ouvir sobre as impressionantes credenciais de Muhammad, Khadijah, uma rica viúva comerciante, pediu que Muhammad (Que a Paz esteja sobre) levasse mercadoria para comércio a Síria. Logo após essa viagem, quando ele tinha 25 anos, Khadijah pediu Muhammad em casamento através de um parente. Muhammad aceitou o pedido. Naquele tempo, Khadijah tinha quarenta anos. Muhammad teve com ela dois filhos – que não sobreviveram – e quatro filhas.

A primeira Revelação (em Meca)

Aos quarenta anos, Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) começou a se retirar para meditar em uma caverna no Monte Hira, fora de Meca, onde o primeiro de grandes eventos do Islam aconteceu. Um dia, enquanto ele estava sentado na caverna, ouvindo uma voz, mais tarde identificada como a voz do Anjo Gabriel, que o ordenou: “Recite: Em nome do teu Senhor que criou, Criou o homem de um coágulo de sangue.”

Três vezes Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) implorou sua incapacidade para tal, mas a cada vez o comando foi repetido. Finalmente, Muhammad recitou as palavras do que agora são os primeiro cinco versos da 96ª surata ou capítulo do Alcorão – palavras que proclamam Deus o Criador do homem e Fonte de todo o conhecimento.

No início, Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) divulgou sua experiência apenas para sua esposa e círculo íntimo. Mas, como as revelações intimaram-no a proclamar a unicidade de Deus universalmente, seus seguidores cresceram; no princípio entre os pobres e escravos, mas mais tarde entre os mais proeminentes homens de Meca. As revelações que ele recebeu nessa época e aquelas que recebeu depois foram incorporadas no Alcorão, a Escritura do Islam.

“Isso (Islam) substituiu pieguice por coragem. Ele dá esperança para o escravo, irmandade pra humanidade, e reconhecimento dos fatos fundamentais da natureza humana.” (Canon Taylor, em um documento lido perante Church Congress at Walverhamton, Oct. 7, 1887; Quoted by Thomas Walker Arnold in THE PREACHING OF ISLAM, pp. 71-72).

O Alcorão foi revelado em Árabe puro para o Profeta Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) em um período de 23 anos, terminando em 632 DC.

Nem todo mundo aceitou a mensagem de Deus transmitida através de Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele). Mesmo no seu próprio clã houve aqueles que rejeitaram seus ensinamentos, e vários comerciantes se opuseram ativamente à mensagem. A oposição, no entanto, meramente serviu para aguçar o senso de missão de Muhammad e seu entendimento de como exatamente Islam se diferenciava do paganismo. A crença na unidade de Deus era fundamental no Islam; a partir disso tudo se seguiu. Os versos do Alcorão salientam a singularidade de Deus, alerta àqueles que negam a punição iminente, e proclama Sua compaixão sem limites para aqueles que se submetem à Sua vontade. Eles confirmam o Último Julgamento, quando Deus, o Juiz, irá pesar na balança a fé e o trabalho de cada homem, recompensando o fiel e punindo o transgressor. Então, porque o Alcorão rejeita o politeísmo e enfatiza a responsabilidade moral do homem, em imagens poderosas, ele apresentou um grande desafio para os mundanos habitantes de Meca.

Nos três primeiros anos de seu ministério, Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) conquistou apenas 40 seguidores. E como seus ensinamentos ameaçavam o estilo de vida moral e econômico em Meca, ele e seus seguidores experimentaram perseguição pesada. Primeiro em forma de zombaria, mas rapidamente tornou-se violência aberta. Membros do pequeno movimento foram apedrejados, cobertos de terra enquanto rezavam, atacados com paus, jogados na prisão e atendimento recusado por comerciantes.

O Profeta perdeu sua esposa Khadijah. Os problemas ficaram piores rapidamente após a morte do seu tio e protetor. Profeta Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) começou a sofrer mais com as incansáveis tentativas dos Coraixitas de extirpar o Islam e destruir seus seguidores.

Depois de Muhammad ter pregado publicamente por mais de uma década, a oposição a ele alcançou um ponto tão alto que, temendo pela sua segurança, ele mandou alguns de seus seguidores para Etiópia, onde o líder Cristão os protegeu, uma memória estimada por Muçulmanos desde então. Mas em Meca a perseguição piorou. Seguidores de Muhammad foram perseguidos, abusados e até torturados. Finalmente, por esse motivo, Muhammad enviou 70 de seus seguidores para o norte, a cidade de Yathrib. Mais tarde, no início do outono de 622, ele soube de um plano para assassiná-lo e, junto com seus amigo próximo Abu Bakr al-Siddiq, partiu para se juntar aos emigrantes.

Hijrah – A Imigração

Esse famoso evento, conhecido com “Hijrah” (imigração), ocorreu em 622 EC, mais ou menos 12 anos após a revelação dos primeiros versos do Alcorão. Essa imigração foi destinada para ter vastas consequências no estabelecimento da comunidade Islâmica, fortalecendo a posição do Islam, e espalhando a mensagem.

A imigração para Yathrib, mais tarde renomeada Medina, significando “a cidade” onde Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) concluiu um tratado com as tribos de Medina. Um grande número de medinenses, conhecidos com Ansar (ajudantes), foram atraídos para a causa de Muhammad.

Exercendo uma excelente arte de governar, ele fundiu cinco heterogêneas e conflitantes tribos da cidade, três das quais eram judias, numa confederação ordenada. Para garantir a paz e tranquilidade, o Profeta propôs um tratado definindo termos de conduta para todos os habitantes de Medina. Ele foi ratificado por todos – muçulmanos, não-muçulmanos, árabes e judeus... Sua reputação espalhou-se e pessoas começaram a vir de todas as partes da Arábia para ver o homem que tinha conseguido esse “milagre”.

Conquista de Meca

A emigração do Profeta Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) para Medina tornou os inimigos de Meca mais hostis e eles constantemente pensavam em como poderiam derrotá-lo, e dar um fim ao Islam. Os habitantes de Meca e seus aliados começaram a trazer seus ataques ao redor de Meca, destruindo árvores frutíferas dos muçulmanos e levando embora seus rebanhos, as pessoas de Medina começaram uma batalha de anos com a cidade natal de Muhammad.

Consequentemente, a Batalha de Badr é uma das maiores e mais conhecidas batalhas no Islam. Pela primeira vez os seguidores de uma nova fé foram colocados num sério teste. Apesar da superioridade numérica dos Coraixitas (313 muçulmanos versus 1000 coraixitas), a Batalha de Badr foi uma vitória clara para Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele).                                                                                                                       Essa foi uma batalha chave nos primeiros dias do Islam e provou ser um momento decisivo na luta do Islam com seus oponentes opressores, entre eles os Quraysh de Meca.

Os coraixitas se preparam melhor para a Batalha de Uhud, ocorrida no ano seguinte. Eles juntaram uma força de cerca de 3000 homens, incluindo um forte contingente de cavalaria liderado por Khalid Ibn Al-Walid, mais tarde um famoso general do Islam. A batalha ocorreu no vale de Aqiq, norte de Yathrib (Medina), à sombra do Monte Uhud. Apesar dos muçulmanos terem vantagem inicial, eles decidiram saquear o campo dos habitantes de Meca e abandonaram uma boa posição de arquearia no terreno elevado. Isso permitiu que Khalid Ibn Al-Walid salvasse o dia para os coraixitas e infligisse graves perdas aos muçulmanos.

Em 630, Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) e suas forças marcharam para Meca e os derrotaram. O Profeta dedicou novamente o templo de Kaaba para Allah, testemunhou a conversão de quase toda população de Meca pra o Islam, e então retornou para Medina.

Conquista da Arábia

Logo após a conquista de Meca, Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele), foi alarmado por uma ameaça militar das tribos confederadas de Hawazin que estavam construindo um exército duas vezes maio que o exército de Muhammad. Os Hawazin eram velhos inimigos dos habitantes de Meca. Muhammad derrotou os Hawazin e Thafiq na batalha de Hunayn.

No mesmo ano, Muhammad lançou uma expedição contra o norte da Arábia, a batalha de Tabouk, por causa das derrotas anteriores na batalha de Mutáh, assim como notícias de atitude hostil contra Muçulmanos. Embora Muhammad não tivesse feito contato com forças hostis em Tabouk, ele recebeu submissão de alguns dos chefes locais da região.

“Na Arábia de Muhammad, não havia estado – havia apenas tribos independentes e cidades espalhadas, O Profeta formou seu próprio estado, e deu a ele uma lei sagrada prescrita por Allah.” (Herbert J. Muller, The Loom of History, 1958).

Em seu famoso livro (Heros and Heros Worship) o autor e historiador Thomas Carlyle escreveu:

“… As mentiras (calúnias do Ocidente) que zelo bem intencionado acumulou ao redor desse homem (Muhammad) são vergonhosas apenas para nós mesmos...  Como um único homem, sozinho, pôde juntar tribos guerreiras e beduínos viajantes na mais poderosa e civilizada nação em menos de duas décadas... Uma grande alma silenciosa, uma das que não pode deixar de ser séria. Ele veio para estimular o mundo, o Criador do mundo assim ordenou.”

Espalhando a mensagem em todo o mundo

Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele), de acordo com a historiografia Islâmica normalmente dita, enviou embaixadores com tais cartas para Heraclius o Cesar de Bizantina, Chosroes II o Khosrau da Pérsia, Negus da Etiópia, Muqawqis o governante do Egito, Harith Gassani o governador da Síria, Munzir ibn Sawa e para o governante de Bahrain.

Este é o texto enviado por Muhammad para Heraclius, imperador da Bizantina:

Em nome de Allah, o Clemente e Misericordioso 

De Muhammad, o mensageiro de Allah, para Hiraql, imperador dos Romanos,

Que a paz esteja sobre ele, que segue o caminho reto.

Depois disso, eu te convido ao rebanho do Islam. Portanto, se você deseja segurança, aceite o Islam. Se aceitar o Islam, Allah retribuirá em dobro e se você se recusar a fazê-lo, a responsabilidade para essa transgressão da nação inteira, será sua.

(Ó povo do Livro, venha para a palavra que é comum entre vocês, que nós devemos adorar a nenhum outro além de Allah, nem associar parceiros a Ele, e que nós não devemos tomar nossos companheiros como senhores além de Allah.)

Se você negar isso, você deve saber que nós acreditamos na Unicidade de Allah.

Selo: Muhammad Profeta de Allah.

A vida social do Profeta

Muhammad viveu em Meca por 40 anos antes da profecia e 13 anos depois disso, e também viveu em Medina por 10 anos depois da imigração, onde ele viveu até quando tinha 63 anos.

Ele foi um amigo fiel, um marido amado, um pai cuidadoso, um professor honesto, um líder seguido e uma das pessoas mais influentes do mundo.

Quando o Profeta (Que a Paz esteja sobre Ele) acordava, ele rezava Fajr (a oração da Alvorada) com seus companheiros na mesquita. Depois, ele se sentava no local onde rezou, relembrando Allah até o nascer do sol, e seus companheiros se sentavam com ele. Algumas vezes, eles conversavam e lembravam coisas que aconteceram antes do Islam; eles gargalhavam e ele sorria.

Em sua casa, Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) estava a serviço de sua família: ele ordenhava sua cabra, costurava sua roupa, servia-se e rememdava seus sapatos. Quando chegava a hora da oração, ele saía e liderava as pessoas em oração, depois se sentava com eles, conversava com eles, ensinava-os, exortava-os, ouvia suas reclamações e reconciliava. Depois ele voltava à sua casa.

Stanley Edward Lane-Poole foi um arqueologista e orientalista britânico que escreveu em seu livro:

“Ele foi o mais fiel protetor daqueles que ele protegia, o mais doce e agradável numa conversa. Aqueles que o viam eram subitamente preenchidos com reverência; aqueles que se aproximavam o amavam; aqueles que o descreviam diziam, “Nunca vi ninguém parecido, nem antes ou depois.” Ele era bastante reservado, mas quando falava era com ênfase e cuidado, e ninguém podia esquecer o que ele disse...” (The Speeches and Table-Talk of the Prophet Mohammad – 1893).

Seu último sermão e a morte do Profeta

Profeta Muhammad (SAWS) fez seu ultimo sermão (Khutbah) no nono dia de Dhul Hijjah (12º e último mês do ano Islâmico), 10 anos após a Hijrah (migração de Meca para Medina) no Vale Uranah do Monte Arafat. Suas palavras foram bem claras e concisas e direcionadas a toda humanidade.

Após louvar e agradecer a Allah, ele disse:   “Ó pessoas, empresta-me o ouvido atento, pois não sei se após esse ano vou estar entre vós. Portanto ouçam o que estou dizendo a vós  com cuidado e LEVEM ESSAS PALAVRAS PARA AQUELES QUE NÂO PUDERAM ESTAR PRESENTES HOJE. Ó povo, assim como vocês consideram esse mês, esse dia, essa cidade como Sagrados, então considerem cada vida e cada propriedade de cada muçulmano como um dever sagrado. Devolvam os bens confiados a vocês aos seus legítimos donos. Não machuque a ninguém então ninguém o machucará. Lembre-se que você encontrará seu Senhor, e Ele contará suas boas ações. Allah o proibiu de tomar usura (juros), então todas as obrigações de juros deverão ser dispensadas. Se capital, no entanto, é seu para manter. Você não infligirá nem sofrerá nenhuma inequidade. Allah julgou que não haverá juros e que todos os juros devido a Abbas ibn ‘Abd’al Muttalib (tio do Profeta) serão dispensados...

Tenham cuidado com Satanás, para a segurança de sua religião. Ele perdeu toda a esperança de que ele irá afastá-lo em grandes coisas, então fique atento ao segui-lo nas pequenas coisas. Ó povo, é verdade que você tem certos direitos sobre as suas mulheres, mas elas também têm direitos sobre vocês. Lembre-se que vocês as tomaram por esposas sob a proteção e permissão de Allah. Se elas respeitam o seu direito, devem ser alimentadas e vestidas com gentileza. Tratem suas mulheres bem e sejam gentis com elas, pois são suas companheiras e ajudantes comprometidas. E é seu direito que elas não façam amizade com ninguém que vocês desaprovem, assim como nunca serem impuras. Ó Povo, ouçam-me com seriedade, adorem Allah, digam suas cinco orações diárias (Salah), jejuem durante o mês de Ramadan, e doem sua riqueza em Zakat. Performe Hajj se vocês podem pagar.

Toda humanidade vem de Adão e Eva, um árabe não é superior a um não-árabe nem um não-árabe é superior a um árabe; assim como um banco não é superior a um negro e nem um negro é superior a um branco exceto por devoção (taqwa) e boa ação. Aprendam que qualquer muçulmano é um irmão para todo muçulmano e que muçulmanos constituem uma irmandade. Nada deverá ser legítimo a um muçulmano que pertença a companheiro muçulmano e foi dado a ele livre e voluntariamente. Não façam, portanto, injustiça a vocês mesmos. Lembrem-se, um dia vocês aparecerão em frente a Allah e responderão por suas ações. Então sejam cuidadosos, não se desviem do caminho da retidão depois que eu me for. Ó Povo, nenhum profeta ou apóstolo virá depois de mim e nenhuma fé nova nascerá. Pensem bem, portanto, ó Povo, e entendam essas palavras que eu transmito a vocês. Eu deixo duas coisas, o ALCORÃO e meu exemplo, a SUNNAH e se vocês os seguirem nunca se desviarão.

Todos aqueles que escutam a mim deverão passar minhas palavras para outros, e aqueles para outros novamente; e que os últimos entendam minhas palavras melhor do que aqueles que ouviram diretamente a mim. Seja minha testemunha, Ó Allah, que eu transmiti Sua mensagem para o Seu povo”.  (Referência: Ver Al-Bukhari, Hadith 1623, 1626, 6361) Sahih de Imam Muslim também refere-se a esse sermão em Hadith número 98. Imam al-Tirmidhi mencionou esse sermão em Hadith números 1628, 2046, 2085. Imam Ahmed bin Handal nos deu a mais longa e talvez mais complete versão desse sermão em seu Masnud, Hadith n° 19774).

A morte de Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) foi uma perda profunda. Para seus seguidores, esse homem simples de Meca foi mais do que um amigo amado, mais do que um administrador talentoso, mais do que o líder reverenciado que construiu um novo estado a partir de aglomerados de tribos em guerra. Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) foi também o exemplo dos ensinamentos trazidos a eles de Deus: os ensinamentos do Alcorão, os quais, por séculos, tem guiado o pensamento e ação, a fé e a conduta, de inúmeros homens e mulheres, e que marcou o começou de uma era distinta na história da humanidade. Sua morte, porém, teve pouco efeito na dinâmica sociedade que ele criou na Arábia, e efeito algum na sua missão central: transmitir o Alcorão para o mundo. Como Abu Bakr colocou: “Quem quer que adorava Muhammad, diga a ele que Muhammad está morto, mas quem quer que adore a Deus, diga a ele que Deus está vivo e não morre.”

Hoje, mais de 1,6 bilhões de Muçulmanos, que é 23% da população global acredita em Muhammad como profeta, mensageiro de Deus e exemplo a ser seguido.

O quê eruditos não-muçulmanos, filósofos, líderes e historiadores disseram sobre Profeta Muhammad (Que a Paz esteja sobre Ele) e seu ensinamentos

 

M.K. Ghandi (1869-1948) foi o preeminente líder do movimento pela independência da Índia do governo da Inglaterra:

“...Eu me tornei mais do que convencido que não foi somente a espada que ganhou um lugar pelo Islam naqueles dias, no esquema de vida. Foi a simplicidade rígida, o absoluto auto apagamento do profeta, o escrúpulo considerado em suas promessas, sua intensa devoção aos amigos e seguidores, sua intrepidez, seu destemor, sua absoluta confiança em Deus e na sua própria missão. Estes, e não a espada, realizou tudo perante eles e superou todos os problemas.”  (YOUNG INDIA, 1924).

Alphonse de Lamartine (1790 - 1869), escritor, poeta e político francês que foi fundamental na fundação da Segunda República e na continuação da Tricolore como bandeira da França:

“Se grandiosidade de propósito, pequenez dos meios, e resultados extraordinários são três critérios para o gênio humano, quem ousaria comparar qualquer grande homem da história moderna a Muhammad? Os homens mais famosos criaram somente exércitos, leis e impérios. Eles fundaram, se alguma coisa, nada mais do que poderes materiais que frequentemente desmoronaram diante de seus olhos. Esse homem moveu não somente, exércitos, legislações, impérios, povos e dinastias, mas milhões de homens em um terço do mundo habitado; e mais do que isso, ele moveu os altares, deuses, as ideias, as crenças e almas... a paciência na vitória, sua ambição, que foi inteiramente devotada para uma ideia e de maneira nenhuma empenhando-se por um império; suas intermináveis orações, sua místicas conversas com Deus, sua morte e seu triunfo após a morte; isso tudo atesta não para um impostor mas para a firme convicção que deu a ele o poder para restaurar um dogma. Este dogma era duplo, a unidade de Deus e a imaterialidade de Deus, o primeiro dizendo o que Deus é, o último dizendo o que Deus não é; um derrubando falsos deuses com a espada, o outro começando uma ideia com palavras. Filósofo, orador, apóstolo, legislador, guerreiro, conquistador de ideias, restaurador de dogmas racionais, de um culto sem imagens; o fundador de vinte impérios terrestres e um império espiritual, esse é Muhammad. Quanto a todos os padrões pelos quais a grandeza humana pode ser medida, podemos muito nem perguntar, existe algum homem mais grandioso que ele?”  (Histoire de la Turquie, Paris 1854, Vol II, pp. 276-77).

Edward Gibbon (1737 - 1794 ), um historiador e Membro do Parlamento Inglês:

“Não é a propagação, mas a permanência de sua religião que merece nossa admiração, a mesma pura e perfeita impressão que ele tem gravado em Meca e Medina é preservada depois da revolução de doze séculos pelos Indianos, Africanos e Turcos prosélitos do Alcorão... Os maometanos tem uniformemente resistido à tentação de reduzir o objeto de sua fé e devoção ao nível dos sentidos e imaginação do homem. ‘Eu acredito em Um Deus e Muhammad, o Apóstolo de Deus’, é a simples e invariável declaração do Islam. A imagem intelectual da Entidade nunca foi degradado por nenhum ídolo visível; as honras do profeta nunca transgrediram a medida da virtude humana, e seu preceito de vida restringiu a gratidão de seus discípulos dentro dos limites da razão e religião.” (History of the Saracen Empire, Londres, 1870, p. 54).

Napoléon Bonaparte, (1769 – 1821) militar e líder político francês que ganhou destaque durante a Revolução Francesa e liderou várias campanhas bem sucedidas durante as Guerras Revolucionárias:

“Eu espero que o tempo não esteja muito longe quando serei capaz de unir todos os sábios e educados homens desses países e estabelecer um regime uniforme baseado nos princípios do Alcorão que por si só são verdadeiras e por si só levam os homens à felicidade.” (Citado em Christian Cherfils BONAPARTE ET ISLAM; Paris, 1914).      

                       

Reverendo Benjamin Bosworth Smith, (1794-1884) bispo Protestante Episcopal Americano. Nascido em Bristol, R.I, e graduado na Brown University em 1816:

“Ele foi César e Papa em um; mas ele foi Papa sem pretensão de Papa, César sem legiões de César: sem um exército permanente, sem guarda-costas, sem um palácio, sem um salário fixo, se algum outro homem tem o direito de dizer que governou pelo direito divino, ele foi Muhammad, pois ele teve todo o poder sem seus  instrumentos e sem seu suporte.”  (Mohammed and Mohammadanism, Londres, 1874, p. 92).

Annie Besant (1 Outubro 1847 – 20 Setembro 1933) foi uma proeminente socialista Britânica, teósofa, ativista dos direitos da mulher, escritora e oradora e adepta do autogoverno da Índia e Irlanda:

“É impossível para qualquer um que estuda a vida e o caráter do grande Profeta da Arábia, que sabe como ele ensinou e como viveu, sentir qualquer coisa além de reverência pelo poderoso Profeta, um dos grandes mensageiros do Supremo. E embora no que eu coloquei para você eu possa dizer muitas coisas que pareçam familiar para muitos, ainda assim eu sinto sempre que releio, uma nova forma de admiração, um novo senso de reverência por esse poderoso professor Árabe.” (The Life and Teachings of Muhammad, Madras 1932, p. 4).

 

William Montgomery Watt (1909-2006),  historiador escocês, Professor Emérito em Árabe e Estudos Islâmicos na Universidade de Edimburgo:

“Sua prontidão para sofrer perseguições por suas crenças, o grande caráter moral dos homens que acreditavam nele e o admiravam como líder, e a grandeza de sua última realização – todos afirmam sobre sua integridade fundamental. Para supor Muhammad como um impostor levanta mais problemas do que resolve. Além do mais, nenhuma das grandes figuras históricas é tão pouco apreciada no Ocidente quanto Muhammad.” (Mohammad at Mecca, Oxford 1953, p. 52).

 

James Albert Michener (1907 - 1997), autor Americano de mais de 40 livros, a maioria dos quais eram ficção, extensas sagas familiares cobrindo a vida de várias gerações em locais geográficos específicos e incorporando sólida história:

“Muhammad, o inspirado homem que fundou o Islam, nascido em 570 A.D em uma tribo árabe que adorava ídolos. Órfão ao nascer, ele foi sempre particularmente solícito para os pobres e necessitados, a viúva e o órfão, o escravo e o oprimido. Aos vinte anos ele já era um empresário bem-sucedido, e rapidamente tornou-se diretor de caravanas de camelos para uma viúva rica. Quando ele tinha 25 anos, sua patroa, reconhecendo seu mérito, propôs casamento. Mesmo sendo 15 anos mais velha, ele casou-se com ela e, enquanto ela viveu, permaneceu um marido devoto.

Como a maioria dos profetas antes dele, Muhammad intimidou-se  de servir como o transmissor de Deus, sentindo sua própria inadequação. Mas o anjo disse ‘Leia’. Na medida do que sabemos, Muhammad era incapaz de ler e escrever, mas ele começou a ditar aquelas palavras inspiradas que iriam rapidamente revolucionar um grande segmento da terra: “Há um só Deus.”

Em todas as coisas Muhammad era profundamente prático. Quando seu amado filho Ibrahim morreu, aconteceu um eclipse e rumores das condolências pessoais de Deus surgiram. Sobre Muhammad é dito que ele anunciou ‘Um eclipse é um fenômeno da natureza, é bobagem atribuir tais coisas com a morte e vida de um ser humano.’

Na própria morte de Muhammad foi feita uma tentativa de idolatrá-lo, mas o homem que se tornou seu sucessor administrativo destruiu a histeria com um  dos mais nobres discursos na história religiosa: ‘Se existe algum entre vocês que idolatrava Muhammad, ele está morto. Mas se é Deus que você idolatra, Ele vive pra sempre.’” ('Islam: The Misunderstood Religion' in Reader's Digest (American Edition), May 1955, pp. 68-70).

 

Michael H. Hart (1932- ), astrofísico Americano e autor, mais notavelmente de  Os 100: Um ranking das pessoas mais influentes da História.

O primeiro livro de Hart foi Os 100: Um ranking das pessoas mais influentes pessoas na História (1978), que vendeu mais de 500.000 cópias e foi traduzida em 15 línguas. A primeira pessoa na lista de Hart foi Muhammad, na frente de Jesus ou Moisés.

“Minha escolha de Muhammad para liderar a lista de pessoa mais influente do mundo pode surpreender muitos leitores e ser questionada por outros, mas ele foi o único homem na história que foi supremamente bem sucedido em ambos os níveis religioso e secular.” (The 100: A Ranking of the Most Influential Persons in History, New York: Hart Publishing Company, Inc. 1978, p. 33).

 

Sarojini Naidu (1879 - 1949), também conhecida como Rouxinol da Índia, foi uma ativista pela independência da Índia e poeta:

“Foi a primeira religião a pregar e praticar democracia, porque na mesquita, quando o chamado pra oração é feito e adoradores se juntam, a democracia do Islam é incorporado cinco vezes por dia quando o plebeu e o rei se ajoelham lado a lado e proclamam: ‘Só Deus é grande’...” (S. Naidu, Ideals of Islam, Speeches and Writings, Madaras, 1918).

George Bernard Shaw (1865 - 1950), ganhador do prêmio Nobel e vencedor do Oscar, escritor de peças, crítico e socialista que influenciou o teatro, cultura e política Ocidental desde 1880 até sua morte em 1950:

“Eu acredito que se um homem como ele assumisse a ditadura do mundo moderno ele seria bem sucedido em resolver os problemas de uma maneira que traria a paz e felicidade tão necessárias. Eu o estudei – o homem – e na minha opinião está longe de ser um anticristo. Ele devia ser chamado o salvador da Humanidade.

Eu tenho profetizado sobre a fé de Muhammad, que seria aceitável na Europa de amanhã como está começando a ser aceita na Europa de hoje.” (The Genuine Islam Vol.No.8, 1936.)

 


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