Reconciliando os Corações

 

 

 

Allah – O livre de todas as imperfeições – disse:

“Então, temei a Allah e reconciliai-vos.” [Surah al-Anfal (8):1]

 

 

“Os crentes não são mais que irmãos. Então, reconciliai vossos dois irmãos que pelejarem. E temei a Allah, na esperança de obterdes misericórdia” [Surah al-Hujurat (49):10]

 

Este é um nó com o qual Allah uniu os crentes entre si, tal que sempre que se encontra uma pessoa que possui iman (fé) em Allah, nos Seus Anjos, nos Seus Livros, nos Seus Mensageiros e no Último Dia – quer se encontre na parte ocidental ou oriental do mundo, tal pessoa torna-se um irmão dos crentes. Esta irmandade implica que os crentes devem amar para aquela pessoa aquilo que amam para si, e odiar para aquela pessoa aquilo que odeiam para si. Assim, o Profeta (sallAllahu ‘alayhi wa sallam) disse, quando ordenou a irmandade por iman (fé).

 

“Não se invejem uns aos outros. Não inflacionem preços entre si. Não se odeiem. Não se abandonem. Não cortem relações uns com os outros. Mas sejam servos de Allah e irmãos. O muçulmano é irmão de outro muçulmano; ele não o oprime, não o humilha, não mente para ele, nem o despreza. E a piedade está aqui – e apontou para o seu peito três vezes. É mal suficiente para uma pessoa desprezar o seu irmão muçulmano. Todo o muçulmano é sagrado para outro muçulmano; o seu sangue, a sua propriedade e a sua honra.” [1]

 

Além disso, ele (sallAllahu ‘alayhi wa sallam) também disse:

“O crente para outro crente é como uma estrutura sólida, uma parte apoiando a outra.” E entrelaçou os seus dedos em demonstração a isso... [2]

 

Portanto, Allah e o Seu Mensageiro (sallAllahu ‘alayhi wa sallam) ordenaram que os direitos dos crentes fossem atendidos por cada um, e que aqueles assuntos que trarão harmonia, amor e união fossem exercidos. Tudo isto deve ser feito de forma a promover os direitos que possuem entre si. Assim, dentre estes direitos, é que quando ocorre uma desavença entre eles – levando a que os seus corações se apartem e que haja ódio e corte de relações – os crentes devem trazer reconciliação entre os seus irmãos e fazer o que for necessário para remover a inimizade. Em seguida, Allah ordenou taqwa de forma geral e fez da distribuição da Sua Misericórdia a consequência de possuírem taqwa e de cumprirem com os direitos dos crentes. Ele disse:

“E temei a Allah, na esperança de obterdes misericórdia” [Surah al-Hujurat (49):10]

 

“Portanto, se a misericórdia de Allah for alcançada, então o bem deste mundo e da Outra Vida será também alcançado.” [3]

 

‘Aaishah (radhiAllahu ‘anha) costumava dizer, quando as pessoas deixavam de agir sobre este ayah (versículo): “E, se duas facções dos crentes pelejam, reconciliai-as” [Surah al-Hujurat 49:9], que quando os muçulmanos começavam desavenças entre si, tornava-se obrigatório reconciliá-los, conforme Allah – o Altíssimo – ordenou. Contudo, quando falhavam em agir dessa forma, fitnah (provações e tribulações) se espalhava, tal como a ignorância, e é isso que fazia com que as diferenças persistissem.[4]

 

O Mensageiro de Allah (sallAllahu ‘alayhi wa sallam) afirmou:

“Não vos deveria informar de algo que é maior em grau que o jejum, a caridade e a oração (opcionais)?” Eles responderam: Sem dúvida, informe-nos. Então ele disse: “Trata-se de reconciliar entre as pessoas. Pois, por certo, causar corrupção entre elas é lâmina!” [5]

 

E ele (sallAllahu ‘alayhi wa sallam) explicou esta lâmina numa outra narração:

“A doença das pessoas antes de vós alcançou-vos, nomeadamente a inveja e o ódio, e isso é lâmina. Não digo que (é uma lâmina que) corta o cabelo. Pelo contrário, (é uma lâmina que) corta a religião.” [6]

 

Revista Al-Istiqamah, Edição Nº 3

 

Referências:

[1] Relatado por Muslim (nº 2564), de Abu Hurayrah (radhiAllahu ‘anhu).
[2] Relatado por al-Bukhari (nº 481) e Muslim (nº 2585), de Abu Hurayrah (radhiAllahu ‘anhu).
[3] Taysirul-Karimur-Rahmaan (7/133-134) de Shaykh as-Sa’di.
[4] Relatado por Ibn Abil-‘Izz em Sharhul-‘Aqeedatit-Tahaawiyyah (2/777). Al-Bayhaqi narrou algo semelhante a isso no seu Sunanul-Kubraa (8/172).
[5] Sahih: relatado por at-Tirmidhi (nº 2640) e Abu Dawud (nº 4919), de Abud-Darda (radhiAllahu ‘anhu). Foi autenticado por al-Albani em Ghayatul-Maram (nº 414).
[6] Hasan: relatado por at-Tirmidhi (nº 2641), de az-Zubayr ibn al-‘Awwaam (radhiAllahu ‘anhu). Foi autenticado por al-Albani em Sahih Sunan at-Tirmidhi (nº 2038).

 

 

Fonte: Abdurrahman.Org

Tradução: Mariama bint Carlos


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