As Nossas Memórias no Ramadan

A mais bela memória que nós, muçulmanos, temos do Ramadan é que o nosso melhor Livro, e lembrança sensata, foi revelado neste mês.

 "O mês de Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e vidência de orientação e discernimento." (Surat Al-Baqarah 2:185)

Logo, a revelação do Qur'an no Ramadan fez da sua lembrança a mais doce das memórias e os seus dias os mais eternos de todas as eras.

O Qur'an foi enviado a uma nação iletrada para a elevar, pela permissão de Allah, da escuridão para a luz. Sempre que o Ramadan chega, este lembra-nos deste favor magnífico da revelação do Qur'an para o nobre Profeta ?.

"A falsidade não se aproxima dele (o Livro), nem pela frente, nem por trás; é a revelação do Prudente, Laudabilíssimo." (Surah Fussilat 41:42)

No Ramadan, nós fomos bem sucedidos. Com a permissão de Allah nós aniquilámos a descrença na grande Batalha de Badr. Foi, de facto, uma grande vitória para o Profeta ? e para os seus companheiros dos Muhajirun e dos Ansar.

"Sem dúvida que Deus vos socorreu, em Badr, quando estáveis em inferioridade de condições. Temei, pois, a Deus e agradecei-Lhe." (Surat Aal 'Imran 3:123)

O Islam prevaleceu sobre a descrença no Ramadan. A bandeira de "La ilaha il Allah, Muhammadan RassulAllah" (Não há nenhuma divindade a ser adorada senão Allah e Muhammad é o seu Mensageiro) foi elevada sublimemente no Ramadan "no dia do encontro dos dois grupos (exércitos)" (Surat Aal 'Imran 3:155).

A Batalha de Badr foi no dia 17 do Ramadan; por isso, sempre que este dia chega, lembra-nos dessa gloriosa batalha.

A Batalha da Conquista de Makkah também foi no Ramadan. O Qur'an celebra o evento assim:

"Em verdade, temos te predestinado um evidente triunfo" (Surat Al-Fath 48:1)

O nosso Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) conquistou corações no Ramadan e conquistou Makkah com monoteísmo no Ramadan. As duas conquistas fundiram-se e a fé prevaleceu. O Qur'an tornou-se supremo e o partido do Misericordioso foi vitorioso. As grandes batalhas islâmicas foram no Ramadan e as vitórias eternas nos muçulmanos foram no Ramadan.

Dentre as nossas amadas memórias no Ramadan está a do confiável anjo, Jibril (Gabriel), que costumava descer até ao Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) muitas vezes durante este mês, ensinando e revisando com ele os versos do Qur'an. Jibril costumava ajudá-lo a memorizar o Qur'an e ambos reflectiam juntos sobre os seus significados e sabedoria sublimes. Por sua vez, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava repetir o livro a Jibril e juntos harmonizavam a sua recitação. Estes eram, sem dúvida, momentos exaltados de adoração, períodos de proximidade suprema e sessões nobres.

Dentre as nossas memórias no Ramadan está o encontro do primeiro grupo dos companheiros para a oração de Tarawih. Eles costumavam ouvir um Imam a recitar-lhes o livro divino e muitas vezes choravam depois de contemplar os seus significados e eram atingidos por pura admiração e temor ao seu Senhor. A noite estendia-se com eles e eles encurtavam-na estando em oração. Se os tivessemos testemunhado, as lágrimas fluíam deles e a reverência tornava-se arraigada nos seus corações enquanto eles se ocupavam em ficar de pé, em curvar-se e em prostrar-se. As expressões derramavam deles, os seus suspiros eram lamentados e elevados ao Senhor da terra e dos céus. Durante esses momentos abençoados, os seus corações tremiam, as suas peles tornavam-se frias com medo e os seus olhos tornavam-se zelosos e sérios com as suas lágrimas.

Lembramo-nos ainda que os dias do Ramadan são os dias em que os portões dos jardins (do Paraíso) são abertos e os portões do fogo (do Inferno) são fechados e os demónios são acorrentados. Estas são, sem dúvida, as mais doces memórias, quando o servo de Allah sente que lhe é mostrada misericórdia neste mês gracioso. E que as ciladas dos demónios foram desviadas dele. Depois, para todos aqueles que jejuam este mês, existem dois momentos felizes. Eles tornam-se felizes quando quebram o seu jejum e quando se encontram com o seu Senhor, o Altíssimo. Sempre que este mês retorna, este estado de felicidade excepcional e de sentimentos amigáveis é também renovado e aumentado.

Todos os meses do Ramadan, de acordo com o Profeta Muhammad(que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), expiam todos os pecados que foram cometidos durante o ano passado. É um mês que suporta memórias esplêndidas para todos os muçulmanos, do dia que eles sabem que foram limpos de pecado e más acções.

O Ramadan é o mês dos pobres e dos indigentes. Eles encontram neste mês, socorro e presentes dos ricos. Eles encontram sustento e ajuda dos abastados. Muitos deles, então, ficam felizes durante este mês por causa do que recebem dos generosos. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: "Por certo, no Paraíso há um portão chamado al-Rayan e só as pessoas que jejuam entram por ele. Assim que elas entram, este é fechado e mais ninguém passa por ele."

O portão de al-Rayan tem um significado especial para os servos do Misericordioso durante o Ramadan.

 

(Poema árabe traduzido:)

O mês da felicidade e generosidade veio até vós,

Por isso saúdem-no com as mais bonitas memórias.

Ó época de perdão, envolve-nos.

Tu és a padroeira, Ó tempo de retidão.

Ó Allah condede-nos o retorno de muitos

dias do Ramadan por muitos anos,

em vestimentas de retidão e arrependimento renovado.

Tradução do livro 30 Lessons for Those who Fast por Aa'id Abdullah al-Qarni, pág. 69 a 73.


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