Um Tratado sobre a Prostração do Esquecimento

 

 

Pelo Shaikh Muhammad ibn Saalih al-Uthaimin (que Allah tenha misericórdia dele)

Traduzido (originalmente para o Inglês) por Abu Talhah Dawud ibn Ronald Burbank (que Allah tenha misericórdia dele)

 

 

Índice

1. A prostração devido ao esquecimento

2. Suas causa

(i) Por ter adicionado algo

(ii) Omissão

(iii) Dúvida

3. Prostração do Esquecimento para quem reza atrás do immam

4. É feita antes da saudação em dois casos

5. Também é feita depois da saudação

 

 

Bismillah ar-Rahmaan ar-Rahim.

 

Todos os louvores são para Allah, o Senhor de toda criação, e que Ele exalte e envie bênçãos de paz sobre nosso Profeta Muhammad que transmitiu a mensagem clara e sobre os seus verdadeiros seguidores, seus Companheiros e todos aqueles que os seguem no bem até o Dia do Juízo. Continuando:

Muitas pessoas são ignorantes sobre muitas das regras com relação ao Sujudus-Sahw (a prostração do esquecimento) na oração. Algumas delas a deixam quando ela é obrigatória; outros a fazem em lugar que não é correto; alguns a fazem antes da saudação de salaam (a saudação no final da oração) até mesmo em casos quando ela deve ser feita depois do salaam; outros prostram-se depois do salaam mesmo quando deve ser feito antes disso. Portanto, é muito importante tornar-se ciente de sua regras, especialmente para os Imaams a quem as pessoas seguem em suas orações e que, portanto, assumiram a responsabilidade de seguir o que é correto e prescrito em suas orações e de liderar os muçulmanos sobre isso. Então eu quis colocar diante de meus irmãos algumas das decisões a esse respeito, esperando que Allah, o Altíssimo, faça com que isso seja benéfico para Seus servos crentes.

 

Assim, eu digo, enquanto busco a ajuda de Allah, o Altíssimo, e peço que Ele nos guie e nos conceda o que é correto:

 

A Prostração do Esquecimento é: duas prostrações que a pessoa orando faz para compensar os erros que ocorrem na oração devido ao esquecimento (sahw).

 

As causas da prostração do esquecimento são três: por ter adicionado algo (az-Ziyaadah), ter omitido algo (an-Naqs) e por dúvidas (as-Shakk).

 

 

(I) POR TER ADICIONADO ALGO (Az-Ziyaadah)

Se a pessoa rezando voluntariamente adicionar um levantar, sentar, curvar ou prostrar extra, então a sua oração é inválida. Se, no entanto, ela o faz devido ao esquecimento e não se lembra da adição até que a tenha completado, então, não há nada que ela deva além da Sujudus-Sahw, sua oração será correta. Se, no entanto, ela se lembra enquanto está fazendo aquela adição, então torna-se obrigatório que ela a deixe e também faça a Sujudus-Sahw (ou seja, no final da oração), e sua oração será correta.

 

Um exemplo disto é uma pessoa que fez cinco rak’at na oração Zuhr, mas não lembra da adição exceto enquanto faz o tashahud. Assim, ela deve completar o tashahud, e fazer a saudação (salaam) e então prostrar-se por arrependimento, e, então, dar a saudação (novamente). Se, no entanto, ela não se lembra da adição exceto depois da saudação, então ela deve fazer a prostração por esquecimento e dar a saudação (novamente).

 

A prova para isto é o hadith de ‘Abdullaah ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse que, “o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezou o Zuhr com cinco rakat, então alguém disse, “foi feito um aumento na oração?’ Então ele respondeu, ‘E por que isso?’ Eles disseram, ‘Tu oraste cinco (rakat).’ Então ele fez duas prostrações após ter dado a saudação” e em uma narração (ocorre que) “... então ele virou seus pés e ficou de frente para a qiblah, e fez duas prostrações, depois ele deu a saudação.”

Relatado pelo grupo inteiro. [1]

 

 

DAR AS SAUDAÇÕES (Salaam) ANTES DE COMPLETAR A ORAÇÃO

Dar a saudação antes de completar a oração é um caso de adição nela. Assim, aquele que dá a saudação antes de completar a oração, deliberadamente, a sua oração é inválida. Se, no entanto, isso é feito devido ao esquecimento, e a pessoa não se lembra disto até que um longo tempo tenha passado, então ela deve repetir sua oração novamente. Se ela se lembra logo depois, como dois ou três minutos depois, então ela deve completar sua oração e a saudação e, então, prostrar-se por esquecimento e então dar a saudação (novamente).

 

A prova para isso é o hadith de Abu Hurairah (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse que “o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) os liderou na oração Zuhr ou ‘Asr e deu a saudação depois de duas rakat. Então ele saiu rapidamente de uma das portas da mesquita, e as pessoas disseram que a oração havia sido diminuída. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) enquanto isso, ficou do lado de um pedaço de madeira colocada na mesquita, apoiado nele, como se estivesse zangado. Então um homem levantou-se e disse, ‘Ó Mensageiro de Allah, acaso esqueceste ou a oração foi reduzida?’ Então o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse, ‘Eu não esqueci e nem ela foi reduzida.’ Então o homem disse, ‘Verdadeiramente esqueceste’. ‘Então o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse aos Companheiros, ‘O que ele diz é verdade?’ Disseram, ‘Sim.’ Então o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) voltou e rezou o que restava de sua oração, então ele deu a saudação, e depois ele prostrou-se duas vezes, de seguida voltou a dar a saudação.”

Concordado (ou seja, os dois grandes compiladores, Bukhari e Muslim, relaram este hadith, portanto ele é Mutafakun alaih). [2]

 

E se o Imaam dá a saudação antes de completar a sua oração e existem alguns seguidores que perderam parte dela e que se levantaram para repor o que perderam e o Imaam lembra-se que há algo incompleto em sua oração que ele tem que repor, então ele se levanta para completa-la – então, neste caso, os seguidores que já levantaram para completar o que perderam têm a opção entre continuar a repor o que perderam e então fazerem a prostração pelo esquecimento e entre voltar a seguir o Imaam – e quando ele fizer a saudação para completar o que perderam – então prostrarem-se pelo esquecimento depois de dar a saudação, e isto é o mais correto e prudente.


 

(II) OMISSÃO (Naqs)

A omissão dos pilares (Arkaan) – Se uma pessoa omite um pilar (Rukn) de sua oração e se isso acontece no Takbir inicial (Takbiratul-ihraam), não há oração para ela, quer ela o tenha feito deliberadamente ou por esquecimento, porque sua oração não foi estabelecida. Se isso acontece em alguma outra parte do que o Takbir inicial, então, se ela o faz deliberadamente, sua oração é inválida. Se, no entanto, ela o omite devido ao esquecimento, se ela continua e chega até este ponto na próxima rak’ah, então ela descarta a rak’ah na qual a esqueceu e a próxima toma o seu lugar. Se ela não chegou em seu ponto na próxima rak’ah, então é obrigatório que ela retorne ao pilar esquecido e o faça e o que quer que venha depois disso. Em ambos os casos será obrigatório que ela faça a prostração pelo esquecimento depois da saudação.

 

Um exemplo disto é o caso da pessoa que esquece a segunda prostração depois da primeira rak’ah, mas lembra-se disto enquanto senta-se entre as duas prostrações na segunda rak’ah. Assim, ela deve descartar a primeira rak’ah e a segunda tomará o seu lugar, então ela conta aquela como a sua primeira e completa sua oração baseado nisso. Então deve dar a saudação, prostrar-se por esquecimento, e então voltar a dar a saudação.

 

Um outro exemplo é o da pessoa que esquece a segunda prostração e o sentar-se antes disso na primeira rak’ah. Mas ela se lembra disto depois de levantar-se ereta do ruku na segunda rak’ah. Ela deve retroceder para sentar-se e prostrar-se e então completar a sua oração dali em diante. Então deve dar a saudação, prostrar-se pelo esquecimento e, finalmente, dar a saudação.

Omissão das Obrigações (Waajibaat) - Se a pessoa rezando deixa uma obrigação das obrigações da oração voluntariamente, então sua oração é inválida.  Se, no entanto, ela o faz devido ao esquecimento, e se lembra antes de prosseguir a partir de seu ponto na oração, então deve fazê-la e não há nada sobre ela.

 

Se ela se lembra disso depois de ter prosseguido a partir de seu ponto na oração, mas antes de chegar ao pilar subsequente, então esta pessoa retorna a ela e a faz. Então, completa a sua oração e dá a saudação, prostra-se pelo esquecimento, e dá a saudação. Se, no entanto, ela se lembra disso depois de ter chegado ao pilar subsequente, então ela é cancelada, assim a pessoa não deve voltar a esta obrigação, mas deve continuar sua oração e, então, prostrar-se pelo esquecimento antes de dar a saudação.

 

Um exemplo disso é quando uma pessoa se levanta da segunda prostração no segundo rak'ah, a fim de se levantar para o terceiro rak'ah, esquecendo-se do primeiro tashahud. Mas se lembra antes de realmente se levantar, então ela deve permanecer na posição sentada, executar o tashahud e então completar sua oração e não há nada sobre ela. No entanto, se ela se lembrar depois de começar a ficar de pé, mas antes de ficar em linha reta, então ela deve voltar para a posição sentada e fazer o tashahud. Deve então completar sua oração e dar a saudação, prostrar-se pelo esquecimento e dar a saudação.

 

Se ela se lembrar depois de levantar-se ereto, então ela cancela o tashahud, e não retorna à essa obrigação. Pelo contrário, ela continua e completa sua oração e prostra-se pelo esquecimento antes de dar a saudação.

 

A prova disto é o que foi relatado por al-Bukhari e outros, a partir de ‘Abdullah ibn Buhaynah (que Allah esteja satisfeito com ele), que disse que, “O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) os liderou na oração Zuhr. Ele levantou-se depois das duas primeiras rakat e não se sentou (ou seja, para o primeiro tashahud) e o mesmo o fizeram as pessoas com ele. Então, quando chegou a conclusão da oração e as pessoas aguardaram sua saudação, ele disse o takbir enquanto sentado e realizou duas prostrações antes de dar a saudação. De seguida ele fez a saudação." [3]


 

(III) DÚVIDA (Shakk)

Duvidar é estar incerto sobre qual dos dois assuntos ocorreram e a dúvida não é levada em consideração nos assuntos de adoração em três casos:

  • Se é apenas auto ilusão, não tendo realidade, como sussurros diabólicos.
  • Se isso ocorrer muito frequentemente a uma pessoa tal que ela não faz nenhum ato de adoração sem que haja dúvida nele.
  • Se isso ocorre depois de completar os atos de adoração, então ela não é levada em consideração, desde que não esteja certa dela, caso no qual deve agir de acordo com aquilo sobre o que ela está certa.

 

Um exemplo disto é que uma pessoa reze o Zuhr, e depois de terminar a sua oração fique em dúvida se rezou três ou quatro rakat. Então, ela não deve considerar esta dúvida a menos que tenha certeza de ter rezado apenas três rakat, caso no qual ela deve completar sua oração se isso tiver acontecido pouco tempo depois, então ela deve dar a saudação, fazer a prostração pelo esquecimento e, então, fazer a saudação. Se, no entanto, ela não se lembra até que muito tempo tenha passado, ela deve fazer toda a oração novamente.

 

Quanto a outras dúvidas além dessas três, então são levadas em consideração. Dúvida na oração será uma de dois tipos:

(i) que um dos dois assuntos é mais importante na sua cabeça – de maneira que ela agirá sobre o que lhe pese mais, então completará sua oração com base nisso, depois da qual deve dar a saudação, prostrar-se por arrependimento e, finalmente, dar a saudação.

 

Um exemplo disto é se uma pessoa reza o Zuhr e tem dúvida, enquanto faz uma rak’ah, se aquela é a segunda ou a terceira. Mas o caso que mais lhe pesa na mente é o fato de que aquela é a terceira, então ela faz daquela rak’ah a terceira. Então, depois ela faz uma rak’ah a mais, dá a saudação, prostra-se pelo esquecimento e, então, dá a saudação.

 

A prova para o que está estabelecido nos dois Sahihs e em outros lugares, do hadith de ‘Abdullah ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele) é que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse, “Se um de vós tem dúvidas em sua oração, então que ele se esforce para chegar ao que é correto e complete-a com base nisso. Então, que ele dê a saudação e faça duas prostrações." [4] Este é a formulação de al-Bukhari.

 

(ii) Nenhuma das duas possibilidades é mais forte em sua mente – portanto, ela deve agir sobre aquilo de que está certa, o qual será a menor das duas e completar a sua oração com base nisso e, então, prostrar-se pelo esquecimento antes de dar a saudação e, então, dá-la.

 

Um exemplo disto é se a pessoa está rezando o ‘Asr e tem dúvida em uma rak’ah se é a segunda ou a terceira, e nenhuma das duas [dúvidas] é mais forte em sua mente. Então ela faz daquela rak’ah a segunda, faz o primeiro tashahud e duas rakat depois dele e, então, prostra-se pelo esquecimento e dá a saudação.

 

A prova disto é o que Muslim relata de Abu Sa'ed al-Khudri (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: "Se um de vós duvidar em sua oração e não souber o quanto orou - três ou quatro [rakat] - então que ele afaste a dúvida e a faça [a oração] sobre aquilo de que ele está certo. Então que ele faça duas prostrações antes de dar a saudação. Assim, se ele rezou cinco, elas (as rak'at) farão a sua oração compensada para ele, e se ele tiver rezado todas as quatro, então elas serão uma humilhação para Satanás.” [5]

 

E dos exemplos de dúvida está uma pessoa que chega enquanto o Imaam está curvado (em ruku’). Então dá o takbir inicial enquanto ele está se levantando ereto, e, então, ele faz o ruku’, e isto resultará em um dos três casos:

  • Que ela está certa de que alcançou o Imaam enquanto fazia o ruku’, antes que se levante dele. Assim, ela pegou aquela rak’ah e a recitação da Surah al-Fatihah não é requerida dela neste caso.
  • Que ela está certa de que o Imaam se levantou do ruku’ antes que o alcançasse, então esta rak’ah lhe escapou.
  • Que ela duvida se alcançou o Imaam enquanto fazia o ruku’ – de forma que ela pegou aquele ruku’, ou se o Imaam se levantou do ruku’ antes que ela o alcançasse – de forma que terá perdido aquela rak’ah. Assim, se uma das duas [dúvidas] é mais forte em sua mente, ela, então, deve agir de acordo com isso e completar a sua oração com base nisso e dar a saudação, fazer a prostração pelo esquecimento e, então, dar a saudação. Isto é a menos que seja o caso que ela não tenha perdido nada da oração porque nenhuma prostração será devida sobre ela nesse caso.

 

Mas, se nenhum dos dois casos é mais forte na sua mente, então ela deve agir de acordo com aquilo sobre o que está certo (que é que ela perdeu a rak’ah), então ela completa sua oração com base nisto[6] e prostra-se pelo esquecimento antes de dar a saudação e, então, ela a dá.

 

(Observação): Se a pessoa duvidar em sua oração, ela deve agir de acordo com aquilo sobre o que ela está certa ou sobre aquilo que é mais pesado [de que tem mais certeza] em sua mente – de acordo com os detalhes fornecidos anteriormente. Então, se se tornar claro para ela que o curso da ação sobre a qual ela procedeu está, de fato, de acordo com a realidade e que ela nem adicionou, nem deletou, nada de sua oração, então ela não tem mais que fazer a prostração do esquecimento, de acordo com o que é bem sabido da madhab[7], devido ao fato de que a dúvida que a necessita [a prostração do esquecimento] não está mais presente. Uma declaração diferente é que ela ainda é necessária de modo a humilhar Satanás, devido ao dito do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele), “E se ele a rezou completamente, então as duas prostrações serão uma humilhação para Satanás.” E devido ao fato que ele fez parte de sua oração em um estado de dúvida com relação à sua realização e esta é a declaração mais correta.

 

Um exemplo disto é se uma pessoa reza e duvida numa rak’ah se ela é a segunda ou a terceira rak’ah. Nenhuma das duas possibilidades carrega mais peso em sua mente, assim, ela faz daquela rak’ah a segunda e completa a sua oração com base nisto.  Mas, enquanto prossegue com a oração, torna-se claro para ela que, aquela, de fato, realmente era a segunda rak’ah. Em tal caso ela não tem a obrigação de fazer a prostração pelo esquecimento, de acordo com a declaração mais bem conhecida na madhab, mas a prostração pelo esquecimento antes da saudação é exigida dela na segunda declaração, a qual consideramos ser preferível.

 

 

A Prostração do Esquecimento para quem reza atrás do Imaam

Se o Imaam se esquece, então é obrigatório para os que o seguem na oração segui-lo em fazer a prostração do esquecimento, devido ao dito do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) “O Imaam é designado para ser seguido, então não difira dele...” até que ele disse “... assim, quando ele se prostrar, prostre-se.”[8] Este hadith está de acordo com o hadith de Abu Hurairah (que Allah esteja satisfeito com ele).

 

Assim, quer o Imaam prostre-se pelo esquecimento antes da saudação ou depois dela, isso é obrigatório àqueles que estão rezando atrás dele. Isto é, exceto para a pessoa que chegou tarde e precisa repor parte da oração que perdeu, neste caso ela não deve seguir o Imaam fazendo a prostração pelo esquecimento depois da saudação, já que isto não é possível para ela. Isto se dá porque ela não pode dar a saudação juntamente com o Imaam, então, o que ela deve fazer é repor primeiro o que perdeu e, então, dar a saudação, depois prostrar pelo esquecimento, e de seguida dar a saudação.

 

Um exemplo disto é se um homem entrar na oração juntamente com o Imaam na rak’ah final e uma prostração pelo arrependimento é devida pelo Imaam depois da saudação. Assim, quando o Imaam dá a saudação este homem deve se posicionar para completar aquilo que ele perdeu e não se prostrar juntamente com o Imaam. Depois, quando ele tiver completado o que perdeu e tiver dado a saudação deve, então, fazer a prostração pelo esquecimento depois desta, saudação. Mas se o seguidor e não o Imaam se esquece na oração, e nada dela o escapa, então, nada da oração é devido para ele. Isto se dá porque a sua prostração o causaria diferir do Imaam e interromper o seu estado de segui-lo. Também porque os Companheiros (que Allah esteja satisfeito com eles) deixaram o tashahud quando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) o esqueceu, assim, eles permaneceram juntamente com ele e não se sentaram para o tashahud, de forma a cumprir com o dever de seguir e não diferir do Imaam.

 

Mas se ele perde parte da oração devido ao esquecimento enquanto reza atrás do Imaam, ou enquanto faz o que ele perdeu por si mesmo, então ele deve prostrar-se para o esquecimento após a conclusão do que tinha perdido. Esta prostração será antes ou depois da saudação, dependendo da sua causa, conforme precedeu.

 

Um exemplo disto é se um seguidor se esquece de dizer, 'Subhaana Rabbi yal-'Adltim' no ruku', mas ele não perde nenhuma ação da oração, ele não precisa se prostrar. Mas se uma rak'ah ou mais é perdida por ele, então ele deve repor e, em seguida, prostrar-se pelo esquecimento antes da saudação.

 

Um outro exemplo é se um seguidor reza o Zuhr juntamente com o Imaam, então quando ele se levanta para a quarta rak’ah o seguidor permanece sentado, pensando que esta é a última rak’ah. Mas quando ele se apercebe que o Imaam permaneceu de pé, ele se levanta. Assim, se ele não perdeu nada da oração, ele não deve se prostrar pelo esquecimento. Mas se isso fez com que ele perdesse uma rak’ah ou mais, então ele deve refazê-la e dar a saudação e, então, prostrar-se pelo esquecimento e dar a saudação. Esta prostração é por causa do sentar que ele adicionou à oração quando o Imaam se levantou para a quarta rak’ah.

 

(Observação): A partir do que precedeu ficará claro que a prostração do esquecimento é, por vezes, realizada antes da saudação e, por vezes, depois dela.

 

 

Assim, ela é feita antes da saudação em dois casos:

(i) Se for devido à deficiência, devido ao hadith de ‘Abdullaah ibn Buhaynah (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) prostrou-se pelo esquecimento antes da saudação quando ele deixou o primeiro tashahud e o hadith com este texto tem precedência.

 

(ii) Se for devido à dúvida quando a pessoa não pode distinguir qual das duas possibilidades tem mais peso em sua mente, devido ao hadith de Abu Sa’id al-Kudri (que Allah esteja satisfeito com ele) sobre aquele que duvida em sua oração e não sabe quanto ele rezou, se foram três ou quatro rak’at. Assim, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) comandou que tal pessoa fizesse duas prostrações antes de dar a saudação e o hadith e a sua redação têm precedência.

 

 

E a prostração pelo esquecimento é feita depois das saudações:

(i) Se for devido a uma adição na oração, devido ao hadith de ‘Abdullah ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele) quando o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) rezou Zuhr com cinco rak’at, então eles mencionaram isso a ele depois da saudação, assim ele (que a paz e as bênçãos de Allah sobre ele) fez duas prostrações e então deu a saudação. Nem ele explicou (que a paz e as bênçãos de Allah sobre ele) que sua prostração depois da saudação foi devida ao fato que sabia da adição depois de tê-la feito. Assim, isto mostra que esta regra é geral e que a prostração por causa da adição é para ser feita depois da saudação, quer ele saiba dela antes ou depois da saudação.

 

A partir disto é o caso de quem distraidamente dá a saudação antes de completar a oração, então lembra-se e a completa. Ele adicionou uma saudação à oração, então ele deve prostrar-se depois da saudação devido ao hadith de Abu Hurairah (que Allah esteja satisfeito com ele), que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deu a saudação no Zuhr ou no ‘Asr depois de duas rak’at. Eles o mencionaram a ele, então ele completou a oração e então deu a saudação, então prostrou-se pelo esquecimento e o hadith e a sua redação têm precedência.

 

(ii) Se for devido ao esquecimento quando uma de duas possibilidades tem mais peso em sua mente, devido ao hadith de Ibn Mas’ud (que Allah esteja satisfeito com ele) que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) ordenou que aquele que esquece em sua oração deve se esforçar para determinar o que é correto e então, completar sua oração com base nisso, então dar a saudação e prostrar-se, e o hadith e a sua redação têm precedência.

 

Assim, se dois casos de esquecimento ocorrem à pessoa, um deles requerindo prostração antes da saudação e o outro depois dela, então os sábios dizem que a prostração antes da saudação predomina, assim ele deve prostrar-se antes dela.

 

Um exemplo disto é se a pessoa reza o Zuhr e levanta-se para a terceira rak’ah sem se sentar para o primeiro tashahud, então ele se senta na terceira rak’ah, pensando que ela é a segunda. Ele então se lembra que aquela é a terceira – de modo que ele deve se levantar, rezar um rak’ah a mais, e prostrar-se pelo esquecimento e, então, dar a saudação.  Assim, esta pessoa deixou o primeiro tashahud, o que requer prostração antes da saudação e ele adicionou um sentar na terceira rak’ah, o que requer prostração depois da saudação, assim, a prostração antes da saudação predomina e Allah sabe melhor.

 

Assim, eu peço a Allah que Ele garanta a nós e a nossos irmãos muçulmanos, entendimento de Seu Livro e da Sunnah do Seu Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e que possamos agir de acordo com eles, interna e externamente, em assuntos de ‘aqidah, adoração e relações. E que Ele nos garanta um bom resultado, verdadeiramente, Ele é Beneficentíssimo, Generosíssimo.

 

Todos os louvores são para Allah, o Senhor de toda criação e que Allah exalte e envie bênçãos de paz sobre o nosso Profeta Muhammad, sobre seus verdadeiros seguidores e todos os seus Companheiros.

 

Escrito e compilado por aquele que necessita de Allah, o Altíssimo, Muhammad ibn Saalih al-'Uthaimin em 4/3 / 1400H

 

Notas de Rodapé:

[1] AI-Bukhari, Muslim e os quatro Sunan. Relatado por al-Bukhari, (Trad. em inglês vol. 1, nº. 394 & 398, vol. 2 nº. 317, vol. 8 nº.664, vol. 9, nº. 355) Muslim, (Trad. em inglês vol. 1 nº. 1177) e Abu Daawud, (Eng.; Trans. vol. 1 nºs. 1014-1017).

[2] Relatado por Al-Bukhari (Trad. em inglês vol. 2, nºs. 318-321) e (Muslim Trad. em inglês vol. 1, nºs. 1182-1186).

[3] Relatado por Bukhari, (Trad. em inglês vol. 2, nºs. 315-316) e Muslim (Trad. em inglês vol. 1, nºs. 1163-1165).

[4] Relatado por Bukhari (Trad. em inglês vol. 1 nº. 394.)

[5] Relatado por Muslim (Trad. em inglês vol. 1, nº. 1166).

[6] Ou seja, ele executa uma adicional rak’ah em lugar desta.

[7] Ou seja, a Madhhab Hanbali.

[8] Relatado por Bukhari, (Trad. em inglês vol. 1, nºs. 689, 701) e Muslim, Trad. em inglês (vol. 1 nºs. 826 e 831).

 

 

Fonte: Salafi Research Institute (Salafiri.com)

Tradução e adaptação: Islane Castelo


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