O Problema do Racismo de Hoje

racismo so pensa que e mera injuria quem nunca sofreu na pele1456838528

Bissmillahir Rahmanir Rahim!

Um dos problemas que assolam a comunidade islâmica moderna é o racismo e o preconceito.

Infelizmente, não se aborda o tema com maturidade e imparcialidade. Parece que a tentativa de abordagem é como acionar uma bomba relógio: em algum momento, todos sairão machucados, os que opinarem e os que não opinarem, não importa. Entretanto, como o Islam acabou com o racismo durante sua revelação e ordena ao muçulmano que razoe e reflita sobre todos os assuntos que permeiam a vida do ser humano, faz-se necessário tocar neste assunto!

O que move sentimentos de sobreposição de uma raça sobre outra, intolerância ou preconceito, é sempre a arrogância e ignorância. Não há forma de se definir um racista, se não como ignorante e opressor, isto é fato. Mas, como definir as pessoas que não refletem sobre as ações do opressor? Sobre aquelas pessoas que, apesar de verem os dados estatísticos apontando assustadoramente para uma sociedade racista, não se posicionam a favor da igualdade e fraternidade, pelo contrário, posicionam-se justificando os atos nefastos dos racistas? Qual a definição para aquela pessoa honesta, responsável, dedicada à religião e à família, mas que prefere não olhar para o lado mais afetado repetindo que “isso não existe”? O fato de a gente não querer que isso exista não faz com que não exista. Talvez não exista no seu núcleo familiar, mas existe, quem sabe, no seu vizinho, na casa de seu conterrâneo, na comunidade de seus antepassados. Não importa, existe e todos somos parte da força motriz disso tudo, mesmo que, pessoalmente, odiemos em silêncio.

A sociedade árabe voltou a ser, há algum tempo, uma sociedade extremamente racista, como era na época pré-islâmica da jahiliyah (tempos da ignorância). Assim como a sociedade brasileira, que já se formou racista e assim permanece. Os dados estatísticos de situações onde o racismo é presente permeiam a vida dos pretos no Brasil ou no Oriente Médio... não se pode negar! É fato que o racismo moderno está estreitamente ligado ao preconceito social e econômico, mas é bem pouco provável que um cidadão estrangeiro pobre e branco, no mundo árabe, tenha o mesmo tratamento que um cidadão estrangeiro pobre e preto. Duvida-se muito que a patroa kuwaitiana tivesse filmado, do conforto de seu apartamento, uma empregada branca gritando por socorro e despencando do sétimo andar (referindo ao incidente noticiado há poucos meses atrás). Assim como é difícil crer que o funcionário egípcio do aeroporto tivesse chamado 2 negros no fim da fila para passarem na frente de todos os brancos esperando o check-in – como fez com uma brasileira e sua amiga branca em uma fila de pretos. As reclamações não são dois ou três casos isolados, são inúmeros, incontáveis. E então, o que faremos? Defenderemos os “guardiães” da religião em detrimento do que prega o Qur’an e a Sunnah de nosso amado profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele)? Por muito menos, comparando às injustiças que vemos hoje, o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) se zangou verdadeiramente com um companheiro que chamou Bilal de “filho de preta”, como forma insultuosa – relatado mais abaixo, na íntegra. Como nos devemos sentir quando alguém justifica que a patroa acima mencionada filmou a empregada caindo para a morte para provar que não havia feito nada, como se isso fosse algo normal e corriqueiro? Devemos mudar de assunto e falar sobre o tempo ou a culinária? Seria esta a atitude esperada de um(a) muçulmano(a)?

A Visão Do Islam em Relação ao Racismo

 “Ó humanos, em verdade, Nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Allah, é o mais temente. Sabei que Allah é Sapientíssimo e o Bem Inteirado” (versículo 13)

Na exegese do significado deste versículo é dito: “Todos vós, que representam diferentes raças e apresentam diferentes cores e são parte de diferentes tribos e comunidades, vindes da mesma origem! Por isso, não deveríeis vos dividir em grupos ou agredir uns aos outros ou gastardes vossas energias nestas dissensões.

Humanos! Vós estais sendo chamados pelo Único Criador para que vos inteireis do propósito de haverdes sido divididos em tribos e nações. Isto não é para que vos movais em direção a conflitos. Por outro lado, a razão disto é que vos conheçais uns aos outros e vivais juntos e em paz. Diferenças de línguas, cores, temperamentos, modos, talentos e habilidades não direcionam a conflitos ou contendas. Em realidade, elas propiciam a cooperação, então, todas estas tarefas são preenchidas e todas as necessidades garantidas. Cor, raça, língua, nacionalidade e fatores similares não possuem qualquer importância no ponto de vista de Allah. Há apenas um critério para determinar o valor de uma pessoa: “o mais honrado, dentre vós, ante Allah, é o mais temente”. E, certamente, nobre é aquele que é nobre na visão de Allah. Ele vos dá valor com base em Seu perfeito conhecimento e Sua perfeita consciência de valores e medidas: “Allah é Sapientíssimo e o Bem Inteirado”. Portanto, todos os fatores e valores divisores devem ser descontados, deixando-se apenas uma medida e um valor através do qual os seres humanos são testados.

Todos os motivos para conflitos e disputas na Terra desaparecem, todas as considerações cobiçadas pelos seres humanos perdem o valor. Em lugar disso, uma importante, clara e distinta razão para a amizade e cooperação é construída: ou seja, o Senhorio de Allah sobre todos e o fato de que Ele criou toda a raça humana da mesma origem. Uma bandeira única é levantada, então, todos competiriam para alinhar tudo abaixo dela. Esta é a bandeira do temor apenas a Allah. Esta é a bandeira levantada pelo Islam em ordem da salvação da humanidade de todas as consequências nefastas do fanatismo dos títulos raciais, nacionalistas, tribais, familiares, etc. tudo isso pertence a um mundo de ignorância (jahiliyah), apesar de adotarem diferentes nomes, cores ou maneiras. Em essência, são laços de ignorância que não possuem qualquer relação com o Islam.”

Não temos dúvida que o Islam trouxe a igualdade entre as pessoas, isso é afirmado no Qur’an, como visto acima e em outras passagens, como:

E, com efeito, honramos os filhos de Adão e levamo-los por terra e mar e demo-lhes por sustento das cousas benignas, e preferimo-los, nitidamente, a muitos dos que criamos. [Isra, 17:70]

E, dentre Seus sinais, está a criação dos céus e da terra, e a variedade de vossas línguas e de vossas cores. Por certo, há nisso sinais para os sabedores. [Rum, 30:22]

Também, na sunnah de nosso amado Profeta Muhammad, sala’ Allahu alaihim wa sallam, consta a igualdade e justiça. Como nos ahaadith a seguir:

Abu Mussa relatou do Mensageiro de Allah, sala’ Allahu alaihim wa sallam:

إِنَّ اللَّهَ تَعَالَى خَلَقَ آدَمَ مِنْ قَبْضَةٍ قَبَضَهَا مِنْ جَمِيعِ الْأَرْضِ فَجَاءَ بَنُو آدَمَ عَلَى قَدْرِ الْأَرْضِ فَجَاءَ مِنْهُمْ الْأَحْمَرُ وَالْأَبْيَضُ وَالْأَسْوَدُ وَبَيْنَ ذَلِكَ وَالسَّهْلُ وَالْحَزْنُ وَالْخَبِيثُ وَالطَّيِّبُ

Certamente, Allah, o Exaltado, criou Adão de um punhado que Ele tomou da terra, assim os filhos de Adão vieram de acordo com a terra. Alguns vêm com pele vermelha, pele branca, ou pele preta e tudo o que esteja nela misturado: fina, grossa, suja e limpa. (Sunan At-Tirmidhi 2955, classificado como Sahih)

Abu Nadrah relatou: eu ouvi o sermão de despedida do Mensageiro de Allah, sala’ Allahu alaihim wa sallam, e ele disse:

يَا أَيُّهَا النَّاسُ أَلَا إِنَّ رَبَّكُمْ وَاحِدٌ وَإِنَّ أَبَاكُمْ وَاحِدٌ أَلَا لَا فَضْلَ لِعَرَبِيٍّ عَلَى أَعْجَمِيٍّ وَلَا لِعَجَمِيٍّ عَلَى عَرَبِيٍّ وَلَا لِأَحْمَرَ عَلَى أَسْوَدَ وَلَا أَسْوَدَ عَلَى أَحْمَرَ إِلَّا بِالتَّقْوَى أَبَلَّغْتُ

Ó povo, o teu Senhor é Um e teu pai Adão é um. Não há virtude de um árabe sobre um não árabe, nem de um não árabe sobre um árabe, e nem da pele branca sobre a pele negra, nem da pele negra sobre a pele branca, exceto pela taqwah. Eu não vos entreguei a mensagem? (Musnad Ahmad 22978, classificado como Sahih)

Uqbah ibn Amir relatou do Mensageiro de Allah, sala’ Allahu alaihim wa sallam:

لَيْسَ لأَحَدٍ عَلَى أَحَدٍ فَضْلٌ إِلا بِالدِّينِ أَوْ عَمَلٍ صَالِحٍ حَسْبُ الرَّجُلِ أَنْ يَكُونَ فَاحِشًا بَذِيًّا بَخِيلا جَبَانًا

Ninguém é melhor do que ninguém, exceto pela religião ou boas ações. É suficiente ruim para um homem ser profano, vulgar, ganancioso, ou covarde. (Shu'b al-Iman 4767, classificado como Sahih)

Abu Dharr relatou que o Mensageiro de Allah, sala’ Allahu alaihim wa sallam, disse:

انْظُرْ فَإِنَّكَ لَيْسَ بِخَيْرٍ مِنْ أَحْمَرَ وَلَا أَسْوَدَ إِلَّا أَنْ تَفْضُلَهُ بِتَقْوَى

Contemplem! Na verdade, não há beneficio na pele vermelha ou pele preta, mas sim na virtude da taqwah. (Musnad Ahmad 20885, classificado como Hasan)

Ibn Abbas, que Allah esteja satisfeito com ele, disse:

فَيَقُولُ الرَّجُلُ لِلرَّجُلِ أَنَا أَكْرَمُ مِنْكَ ، فَلَيْسَ أَحَدٌ أَكْرَمَ مِنْ أَحَدٍ إِلا بِتَقْوَى اللَّهِ

Um homem poderia dizer a outro homem “eu sou mais nobre do que tu”, mas ninguém é feito nobre senão pelo temor a Allah. (al-Adab al-Mufrad 898)

O Profeta repreendia seus companheiros se eles denigrissem pessoas por razão de sua raça.

Abu Umamah relatou: Abu Dharr repreendeu Bilal sobre sua mãe, dizendo: "Ó filho de uma mulher negra!" Bilal foi até o Mensageiro de Allah, sala’ Allahu alaihim wa sallam, e contou-lhe o ocorrido. O Profeta ficou zangado e, então Abu Dharr veio, embora não soubesse o que Bilal lhe dissera. O Profeta se afastou dele e Abu Dharr perguntou: "Ó Mensageiro de Allah, tu te desviaste por algo que te foi dito?" O Profeta disse:

أَنْتَ الَّذِي تُعَيِّرُ بِلالا بِأُمِّهِ وَالَّذِي أَنْزَلَ الْكِتَابَ عَلَى مُحَمَّدٍ مَا لأَحَدٍ عَلَيَّ فَضْلٌ إِلا بِعَمَلٍ إِنْ أَنْتُمْ إِلا كَطَفِّ الصَّاعِ

“Tu reprovaste Bilal sobre sua mãe? Por Aquele que revelou o Livro a Muhammad, ninguém é mais virtuoso sobre outro senão por ações justas. Tu não tens nada senão um montante insignificante”. (Shu'b al-Iman 4760, classificado como Sahih)

Abu Huraira relatou: O Mensageiro de Allah, sala’ Allahu alaihim wa sallam, disse:

 إِنَّ اللَّهَ قَدْ أَذْهَبَ عَنْكُمْ عُبِّيَّةَ الْجَاهِلِيَّةِ وَفَخْرَهَا بِالْآبَاءِ إِنَّمَا هُوَ مُؤْمِنٌ تَقِيٌّ وَفَاجِرٌ شَقِيٌّ النَّاسُ كُلُّهُمْ بَنُو آدَمَ وَآدَمُ خُلِقَ مِنْ تُرَابٍ

#Verdadeiramente, Allah removeu de vós o orgulho do tempo da ignorância com a sua vanglória aos antepassados. Certamente, só se é um crente justo ou um pecador miserável. Todas as pessoas são filhas de Adão, e Adão foi criado do pó”. (Sunan At-Tirmidhi 3955, classificado como Sahih)

O Mundo Árabe tem de Admitir que é Racista

Por Mat Nashed

O racismo é um problema no mundo árabe, mas muitas pessoas na região o negam. Na semana passada, uma trabalhadora doméstica etíope caiu da varanda da casa da empregadora no Kuwait. O incidente foi pego em câmera, e embora a mulher tenha sobrevivido, ela revelou mais tarde que sua empregadora estava tentando matá-la.

“A senhora colocou-me no banheiro e estava prestes a me matar no banheiro sem que ninguém soubesse", disse a funcionária.

“Ela teria jogado meu corpo como um lixo, então, em vez de ficar lá, eu fui me salvar e então eu caí”.

Este não é um caso isolado. Muitos países árabes mantêm o método de “kafala” – sistema de patrocínio – que vincula o status legal dos trabalhadores migrantes com baixos salários diretamente ao empregador, dando ao último o poder de retirar os passaportes dos trabalhadores, reter seus salários e sujeitá-los a abusos angustiantes.

E mesmo nos países árabes onde a kafala não é aplicada, refugiados e imigrantes não-ocidentais são rotineiramente abusados pelo Estado, pela sua comunidade de acolhimento e até pelas organizações de ajuda que foram criadas para ajudá-los.

A ironia é perturbadora. Num mundo onde os muçulmanos e os árabes têm sido submetidos a racismo e à conquista imperial, muitas sociedades árabes não consideram a forma como tratam os imigrantes mais vulneráveis que vivem nelas.

E aqui reside o paradoxo mais óbvio: como uma sociedade pode derrotar o racismo quando ela o perpetua?

 

Funcionário, não escravo

No ano passado, o relatório do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre Tráfico de Pessoas mencionou seis estados árabes em sua lista de vigilância. Cada país na lista, além do Líbano, é membro do Gulf Cooporation Council (GCC). O sistema kafala, no entanto, é algo que todos têm em comum.

Em alguns lugares, como o Qatar e o Kuwait, mais de 90% da força de trabalho é importada do sul e sudeste da Ásia e da África. A maioria dos trabalhadores opta por migrar para esses países, uma vez que continua sendo uma das poucas opções viáveis para apoiar suas famílias nos seus países de origem.

Os recrutadores fazem sua parte em atrair trabalhadores propagando falsas promessas de um salário justo e um dia de folga por semana. Não é até que chegam que muitos trabalhadores percebem que foram traficados para praticar trabalho escravo ao qual nunca teriam consentido.

A Confederação dos Sindicatos Internacionais estima que mais de 4.000 trabalhadores de baixos salários morreriam enquanto criam infra-estrutura para a Copa do Mundo da FIFA 2022 do Qatar.

Há quatro meses, o Qatar modificou suas leis trabalhistas, alegando que protegeriam melhor os direitos dos trabalhadores migrantes. No entanto, os grupos de direitos humanos disseram que as reformas apenas são apenas a “ponta do icebergue” em termos de salvaguarda contra abusos e exploração.

Oficiais do Qatar recusaram-se a cumprir e, em vez disso, acusaram os grupos de direitos de propagação de “publicidade negativa” sobre seu país. Essa refutação é tão ridícula quanto é egocêntrica. Se os Qataris estão preocupados com sua imagem na arena global, então eles devem abolir um sistema que funciona para escravizar as pessoas.

 

Morrendo para escapar

Trabalhadores domésticos imigrantes – geralmente mulheres – são ainda mais vulneráveis. No Líbano, elas são excluídas das proteções básicas sob a lei do trabalho. E, como em outros lugares da região, muitas estão trancadas dentro de casa e rotineiramente sujeitas a fome, estupro e morte. A chefe feminina da família é às vezes a agressora ou, pelo menos, cúmplice no abuso.

Em 2008, o Human Rights Watch descobriu que pelo menos uma trabalhadora imigrante doméstica no Líbano estava morrendo a cada semana como resultado de “causas não naturais”, como suposto suicídio ou depois de cair suspeitosamente de edifícios altos. Os ativistas suspeitam que a taxa de óbitos permaneça alta até hoje.

Os políticos nunca parecem levar o maltrato dos trabalhadores imigrantes suficientemente a sério. O ex-Ministro do Trabalho do Líbano, Sejaan Azzi, chegou a dizer que o abuso contra as trabalhadoras domésticas era "exagerado", apesar da evidência crescente do contrário.

Os grupos de direitos locais, no entanto, pressionaram incansavelmente em apoio aos trabalhadores imigrantes, mas grandes segmentos da sociedade libanesa continuam a normalizar o racismo.

Não é segredo, por exemplo, que as trabalhadoras domésticas da África e da Ásia do Sul são geralmente as mais baratas para recrutar. As trabalhadoras filipinas estão no topo da hierarquia racial por causa de sua pele mais clara. Enquanto seus salários também são abismais, elas geralmente recebem mais dinheiro.

Dois anos atrás, um grupo de mães libanesas também formaram uma ONG para "defender o tratamento" dado às trabalhadoras imigrantes. Um membro do grupo, Helen Atala Geara, argumentou que, se as trabalhadoras domésticas se juntassem a sindicatos e lutassem por seus direitos não estariam disponíveis para atender às necessidades das suas famílias.

Essa lógica é aterrorizante. O argumento de Geara foi reutilizado por gerações de homens misóginos para subjugar as mulheres. E agora as mulheres árabes como ela, que foram excluídas do feminismo branco geral, estão falhando em defender aqueles presos no sistema kafala.

 

Cinquenta tons de racismo

Em outros lugares da região, o racismo se expõe de maneiras mais sutis. Os membros da comunidade nubiana do Egito, por exemplo, são frequentemente retratados como servos da mídia e são bode expiatório pela violência na rua.

No entanto, os ativistas nubianos dizem que ainda são tratados melhor do que os imigrantes e refugiados sub-saarianos. No Egito, quanto mais escuro você for, mais dura é a discriminação.

Isso foi óbvio depois que um alto funcionário egípcio supostamente chamou de "cães e escravos" a africanos sub-saarianos durante uma visita diplomática ao Quênia no ano passado.

Como esperado, o regime egípcio negou as alegações e afirmou ter ficado insultado que seu orgulho africano tivesse sido posto em causa. Mas este caso não é uma exceção, é a norma.

A palavra árabe para “escravo” é frequentemente usada de forma coloquial para se referir aos negros africanos no Oriente Médio. Pense no tumulto – e na raiva justificada – quando os racistas se referem aos árabes de uma maneira igualmente degradante.

A Jordânia decreta o mesmo duplo padrão. No ano passado, a rainha Rania da Jordânia falou contra o aumento da islamofobia em apoio aos sírios na Europa. Ela até disse que “os refugiados não são números, mas seres humanos como você e eu”.

Suas palavras ainda poderiam ressoar se a Jordânia não tivesse deportado 800 refugiados sudaneses por se manifestarem contra a agência de refugiados da ONU no final desse ano.

É claro que o racismo não é exclusivo do mundo árabe, mas este também não é imune. Não há pessoas suficientes que falam quando vêem uma pessoa de cor ser assediada, e parece que ainda menos se importam depois de uma ser morta.

É hora de mais árabes defenderem os direitos dos outros tanto quanto eles defendem os seus próprios direitos. O racismo é desenfreado na região, e apenas a solidariedade, não a negação, pode vencê-lo.

Por Letícia Gouvêa

Último artigo traduzido por Cláudia Sofia Simões | Fonte do artigo: Midle East Eye


You have no rights to post comments