Purificação pelo Tawhid - A Maior Necessidade da Humanidade

Introdução

 

Ibn Abil-‘Izz (m.792H) - rahimahullah - disse:

“O conhecimento de Usulud-Din (os fundamentos do Din) é o mais nobre dos ramos do conhecimento, já que a excelência de um certo tipo de conhecimento é dependente daquilo com o que se relaciona, e este é o maior Fiqh (entendimento), e é por isso que o Imam Abu Hanifah (m.150H) - rahmatullahi ‘alayhi - chamou àquilo que ele compilou, com relação ao Usul ud-Din: “al-Fiqhul-Akbar (O Maior Fiqh)." A necessidade que os servos têm desse conhecimento é maior do que qualquer outra necessidade; e é para eles a coisa mais necessária sobre todas as outras, já que não há nenhuma vida para os corações, nem nenhum prazer, tranquilidade, exceto conhecer o seu Senhor, O Único a ser adorado, o seu Criador - com os Seus Nomes, Seus Atributos e Ações e que Ele - junto com tudo o que foi mencionado - é mais amado para a pessoa do que qualquer outra coisa. Então o esforço do homem é relacionado a tudo que o atrairá para perto de Allah, com exceção da criação.

 

No entanto, é impossível para as mentes virem a entender e compreender tudo em detalhe, então O Misericordiosíssimo, O Majestosíssimo - por Sua Misericórdia, enviou Mensageiros para ensinar e chamar para isso; para dar boas notícias para aqueles que aceitam seu Chamado e para alertar aos que o rejeitam. A chave para o seu Chamado e a essência da sua mensagem foi a aproximação do servo a Allah - O Perfeitíssimo - através de Seus Nomes, Atributos e Ações, uma vez que tudo aquilo com o que os Mensageiros foram ordenados é construído em cima disso. Isso então é seguido por dois grandes princípios:

1. Conhecer o caminho que leva a Ele - e isto diz respeito à Shari’ah, que é composta de Suas ordens e proibições.

2. Que aqueles que seguem o caminho sabem o que lhes aguarda, que é a felicidade sem fim.

 

Então, aqueles que melhor conhecem Allah são os que melhor seguem o caminho para Ele; e sabem melhor o que está no final do caminho.” [1]

 

 

Firmeza no Din

 

Assim, a firmeza no Din de Allah, excelência neste mundo e salvação na vida futura são construídas sobre dois grandes assuntos:

1. “O conhecimento de Allah e de seus lindos Nomes, e nobres Atributos que Lhe convêm, e Suas Ações - e isso requer apreciação de Sua Majestade, honrá-Lo, temê-Lo, admirá-Lo, amá-Lo, depositar Nele suas esperanças, confiar-Lhe, satisfazer-se com Seu decreto e ter paciência com o que Ele manda fazer no que tange às dificuldades.

2. Conhecimento daquilo que Ele ama e com o que está satisfeito, e o que Ele odeia e O irrita - quer seja dizendo as crenças ou por ações interiores e exteriores. Então, aquele que tem este conhecimento deve se apressar para cumprir com aquilo com que Allah está satisfeito, e evitar o que Ele odeia e o que O irrita” [2]

 

Sufyan ibn ’Uyaynah (m.197H) – rahimahullah – disse:

“Existem três tipos de Eruditos: aquele que conhece Allah e Seus comandos (suas ordens); aquele que conhece Allah, mas não os Seus comandos; e aquele que conhece Seus comandos, mas não O conhece. E o mais completo dentre eles é o primeiro - e é aquele que teme a Allah e conhece Suas regras.” [3]

 

 

A Essência do Islam

 

Explicando a essência do Islam em seu principal pilar, o Profeta Muhammad (sallAllahu 'alayhi wa salaam) disse: “O Islam é construído sobre cinco (pilares), a saber: testemunhar que ninguém tem o direito de ser adorado, exceto Allah e que Muhammad é o Seu Mensageiro, realizar as orações, pagar o Zakah, fazer a peregrinação à Casa [Makka] e jejuar no Ramadan” [4]. Em outra narração: “Islam é construído sobre cinco: adorar Allah e rejeitar qualquer associação a Ele...” [5] E ainda numa outra narração: “Islam é construído sobre cinco: O Tawhid de Allah...” [6]

 

Assim: “testemunhar que ninguém tem o direito de ser adorado, exceto Allah” tem o mesmo significado que “adorar a Allah e rejeitar qualquer associação a Ele...” que, por sua vez, tem o mesmo significado que “o Tawhid de Allah...” Então, ficará claro para o estimado leitor que o Tawhid é a essência do Islam e é o ponto de começo e fim de todo o bem e excelência.

 

Linguisticamente Tawhid significa: “tornar algo único ou afirmar a unicidade de algo." [7] No entanto, o que está em causa aqui é a Shari'ah ou o significado técnico de Tawhid que é: "apontar Allah sozinho para a adoração." [8]

 

Al-Bayjowri – rahimahullah – disse:

“É singularizar al-Ma’bud (o Único a ser adorado - ou seja, Allah) com adoração juntamente com credo e afirmação na unicidade e exclusividade de Sua Dhat (Essência), Sifat (Atributos) e Ações.” [9]

 

Shaykh al-Ghunayman – hafidhahullah – disse:

“É singularizá-Lo com adoração, com amor, humildade e submissão, cumprindo com Seus mandamentos e submentendo-se aos mesmos." [10]

 

 

As Divisões do Tawhid

 

E o Tawhid – com os Salaf e os Eruditos dos Ahlus-Sunnah wal-Jama’ah – tem três divisões.

‘Allamah as-Safarini (m.1112H) – rahimahullah – disse:

“Saiba que o Tawhid tem três divisões:

1. Tawhid ar-Rububiyyah (a Unicidade de Allah em Seu Senhorio);

2. Tawhid al-Uluhiyyah (escolher Allah sozinho para adoração);

3. Tawhid al-Asma was-Sifat (a exclusividade dos Nomes e Atributos de Allah). [11]

 

“E Allah - O Altíssimo - reuniu estas três divisões em Suas Palavras:

“É O Senhor dos céus e da terra e do que há entre ambos. Então, adora-O e pacienta, em Sua adoração. Acaso, conheces-Lhe algum homônimo?” [Surah Maryam (19):65]

[12] [13]

 

“Então, Tawhid ar-Rububiyyah implica: uma crença firme e definitiva, de que só Allah é o Criador, o Mestre e o Dono, e o Comando é para ninguém mais para além Dele." [14]

 

“E Tawhid al-Uluhiyyah é singularizar Allah sozinho para toda adoração e não adorar nada junto com Ele, seja um anjo, um Mensageiro, um Profeta, uma pessoa piedosa, uma árvore, pedra, Sol, lua, ou qualquer outra coisa.” [15]

 

“E Tawhid al-Asma was-Sifat é a Unicidade de Allah – O Altíssimo – com relação aos Seus Nomes e Atributos, afirmando o que Allah por Si mesmo declarou – seja em Seu Livro ou através da língua de Seu Mensageiro (sallAllahu ’alayhi wa sallam) – sem tahrif (distorcer os Nomes e Atributos de Allah), ta’til (negação dos Nomes e Atributos de Allah), takyif (dizer como eles são) ou tamthil (fazer qualquer semelhança com a criação).” [16]

 

 

Tawhid no Conhecimento e Ações

 

As três divisões supramencionadas do Tawhid foram agrupadas – por alguns dos Eruditos – em dois tipos:

O primeiro tipo lida com conhecer Allah através de Seus Nomes, Atributos e Ações (ou seja, Tawhid al-Asma was-Sifat e Tawhid ar-Rububiyyah);

O segundo tipo lida com a pática e a manifestação desse Tawhid através da singularização de Allah sozinho na adoração (ou seja, Tawhid al-Uluhiyyah). O primeiro tipo de Tawhid está ligado ao conhecimento, enquanto o segundo à ação.

 

Ibn al-Qayyim (m.756H) – rahimahullah – disse:

“No que tange ao Tawhid pelo qual os Mensageiros chamaram e pelo qual os Livros foram revelados, eles são de dois tipos: Tawhd al-Ma’rifah wal-Ithbat (o Tawhid do conhecimento e afirmação) e o Tawhid fit-Talab wal-Qasd (o Tawhid das ações e das intenções).

 

Assim, o primeiro tipo afirma a realidade da Dhat (essência) do Senhor – O Altíssimo – juntamente com os Seus Nomes, Atributos, Ações, Seu Discurso em Seus livros e a quem quer que Ele queira de Seus servos. Também afirma a natureza abrangente de Sua Predestinação, (pré) Decreto e Sua sabedoria. O Qur’an esclareceu completamente este tipo de Tawhid – como ocorre no início da Surah Hadid e Surah Ta-Ha, no fim da Surah al-Hashr, no início da Surah as-Sajda, no início da Surah Al-’Imran e toda a Surah al-Ikhlas e outras para além destas.

O segundo tipo: é o que está contido na Surah al-Kafirun e contido em Suas – as do Altíssimo – palavras:

"Dize: 'Ó seguidores do Livro! Vinde a uma palavra igual entre nós e vós: não adoremos senão a Allah, e nada Lhe associemos e não tomemos uns aos outros por senhores, além de Allah.' E, se voltarem as costas, dizei: 'Testemunhai que somos moslimes.'" [Surah al-i-Imran (3):64]

[17]

 

Também está presente no início da Surah Tanzil e no início, meio e fim da Surah al-Mu'minun, no início e no final da Surah al-A'raf e a maior parte da Surah al-An’am. Na verdade todas as Surahs no Qur'an compreendem estes dois tipos de Tawhid, testemunhando-lhe e convocando para ele.

 

Já que o Qur'an ora [i] fornece informações sobre Allah, Seus Nomes, Seus Atributos, Suas Ações e Seus dizeres – que é o Tawhid al-Ma'rifah wal-Ithbat (o Tawhid do conhecimento e da afirmação); ora [ii] é um chamado para adorar a Allah sozinho, sem qualquer parceiro e é uma rejeição de tudo o que é adorado além Dele – e isso é Tawhid al-Iradi at-Talabi (o Tawhid das ações e intenções); ora [iii] é um comando para Lhe obedecer e cumprir as Suas ordens e proibições – portanto isso é dos direitos de Tawhid e é a sua conclusão; ou [iv] dá informações sobre o povo do Tawhid e como eles foram tratados neste mundo e como serão honrados na outra vida – e esta é a recompensa pelo Tawhid; ou [v] dá informação sobre o povo do Shirk (aqueles que associam parcerios a Allah) e a punição que recebem nesta vida e o tormento que receberão na outra – assim, esta é a recompensa para aqueles que abandonam o Tawhid.” [18]

 

 

Tawhid - Sua Importância no Qur’an

 

Ibn Abil-’Izz – rahimahullah – disse:

“O Qur’an – todo ele – é sobre o Tawhid, seus direitos e suas recompensas; e sobre Shirk, seu povo e a suas punições. Assim, “Louvor a Allah, O Senhor dos mundos”[19] é Tawhid (de conhecimento). “O Misericordioso, O Misericordiador” é Tawhid (de conhecimento). “O Soberano do Dia do Juízo!” também é Tawhid (de conhecimento). “Só a Ti adoramos e só de Ti imploramos ajuda” é Tawhid (de ação). “Guia-nos à senda reta” refere-se ao Tawhid e ao pedido de orientação para o caminho do povo do Tawhid, (que é): “À senda dos que agraciaste; não à dos incursos em Tua ira nem à dos descaminhados”, aqueles que se separaram do Tawhid.”[20] Assim, Allah inicia esta Surah primeiro informando-nos sobre Si mesmo - O Perfeitíssimo (ou seja, Tawhid de conhecimento). Depois de ter conhecimento de Allah - O Altíssimo - Ele nos ordena com o Tawhid de ação: “Só a Ti adoramos...”

 

Da mesma forma, assim como: “o nobre Qur’an começa com o Tawhid, também termina com ele. Assim, começa com a Surah al-Fatiha: “Louvor a Allah, O Senhor dos mundos” e termina com a Surah: “Dize: ‘Refugio-me nO Senhor dos homens...’” [Surah an-Nas (114):1] [21] [22]

 

Outrossim, a maior ayah no Qur’an é a Ayatul-Kursi[23], pois esta extraordinária ayah nos informa - do início ao fim - inteiramente sobre os Nomes de Allah, Seus Atributos e Suas Ações. Assim, isso enfatiza mais a importância do Tawhid de conhecimento.

 

Da mesma forma, a Surah al-Ikhlas - do início ao fim - está relacionada ao Tawhid de conhecimento, enquanto que a Surah al-Kafirun está conectada com o Tawhid de ação. De fato, o Profeta Muhammad (sallAllahu 'alayhi wa salaam) disse sobre um homem que a recitava no primeiro rak’ah: “Este é um servo que acredita em seu Senhor.” De seguida, o homem recitou a Surah al-Ikhlas no segundo, ao que ele, sallAllahu 'alayhi wa salaam, disse: “Este é um servo que conhece seu Senhor.”[25] O Profeta (sallAllahu 'alayhi wa salaam) disse: “ Dize: Ele é Allah, O Único” [referindo-se à Surah al-Ikhlas (112] é equivalente a um terço do Qur’an. E “Dize: "Ó renegadores da Fé!” [referindo-se à Surah al-Kafirun (109)] é equivalente a um quarto do Qur’an." [26]

 

O que mais demonstra a importância deste Tawhid é o fato de que o Profeta (sallAllahu 'alayhi wa salaam) “começaria o seu dia com Tawhid (de conhecimento e ação), pois ele recitaria tanto a Surah al-Kafirun como a Surah al-Ikhlas nos dois rak’at antes do Fajr (oração da Alvorada). [27] E ele terminaria a noite recitando estas duas Surahs em sua oração witr." [28] [29]

 

“Verdadeiramente, tudo do Qur’an é sobre Tawhid.” [30] E Allah - O Poderoso e Majestoso - diz:

“Este é um Livro bendito, que fizemos descer, para ti, a fim de que eles ponderem seus versículos e a fim de que os dotados de discernimento meditem. ” [Surah Sad (38):29]

[31]

 

 

Tawhid – Sua importância da Sunnah

 

E o que prova a importância do Tawhid a partir da Sunnah é que o Escolhido - ‘alayhis-sallatu was salam - permaneceu em Makka treze anos entre os incrédulos, chamando-os para o Tawhid, e dizendo-lhes: “Diga: Ninguém tem o direito de ser adorado exceto Allah e assim, tenha sucesso...”[32]

 

O Mensageiro de Allah, sallAllahu ’alayhi wa sallam, disse: “ Fui enviado próximo da Hora, com a espada, para que ninguém tenha o direito de ser adorado, a não ser Allah, sozinho, sem nenhum parceiro. Meu sustento está sob a sombra da minha lança. E a humilhação e a ignomínia são para quem quer que se oponha ao meu comando. E quem quer que imite um povo pertence a ele.” [33] [34]

 

Da mesma forma, ele enviaria seus Companheiros para várias comunidades, ordenando-lhes com este Tawhid primeiro – como foi o caso quando mandou Mu'adh ibn Jabal ao Iémen, dizendo: "de fato vais a um povo, do Povo do Livro, então deixe que o Tawhid de Allah seja a primeira coisa para a qual irás chamá-los..."[35]

 

E assim como o Profeta, sallAllahu ' alayhi wa sallam, começou sua missão profética e ensino com a questão do Tawhid, então da mesma forma, ele sallAllahu ' alayhi wa sallam, também a mencionou  durante a sua doença terminal, da qual veio a falecer, quando disse: "a maldição de Allah esteja com os judeus e os cristãos, pois eles tomaram os túmulos de seus Profetas como lugares de adoração." [36]" [37]

 

 

Esclarecendo um Equívoco

 

Shaykhul-Islam Ibn Taymiyyah– rahimahullah – (m. 728H) disse:

"O Tawhid com o qual os Mensageiros foram enviados compõe-se da afirmação que a Divindade e Adoração pertencem a Allah, sozinho, de modo que a pessoa testemunha que ninguém tem o direito de ser adorado exceto Allah e que ninguém, exceto Ele, é adorado, nem depende de outro além Dele, e que nem alianças ou inimigos são feitos exceto por Ele, bem como nem uma ação é feita a não ser por Ele. Esta afirmação também abrange aqueles Nomes e Atributos que Allah declara de Si mesmo, conforme Ele - O Altíssimo - diz:

“E vosso Deus é Deus Único. Não existe deus senão Ele, O Misericordioso, O Misericordiador.” [Surah al-Baqara (2):163]

[38]

 

E Allah - O Altíssimo - diz:

"E Allah disse: 'Não tomeis, em adoração, a dois deuses. Apenas Ele é Deus Único, e a Mim, então, venerai-Me.'" [Surah an-Nahl (16):51]

[39]

 

E Ele - O Altíssimo - diz:

“E quem invoca, com Allah, outro deus, do qual não tem provança alguma, seu ajuste de contas será, apenas, junto de seu Senhor. Por certo, os renegadores da Fé não serão bem-aventurados.” [Surah al-Mu’minnun (23):117]

[40]

 

Allah - O Altíssimo - também diz:

“E pergunta aos que, de Nossos Mensageiros, enviamos, antes de ti: ‘Se Nós fizemos, além dO Misericordioso, deuses, para serem adorados?’” [Surah az-Zukhruf (43):45]

[41]

 

E Allah nos informou sobre cada Profeta dentre os Profetas que chamaram as pessoas a adorá-Lo sozinho, sem parceiros, a saber:

“Com efeito, há para vós belo paradigma em Abraão, e nos que estavam com ele, quando disseram a seu povo: ‘Por certo, estamos em rompimento convosco e com o que adorais, em vez de Allah; renegamos-vos, e a inimizade e a aversão mostrar-se-ão, para sempre, entre nós e vós, até que creiais em Allah, só nEle...’.” [Surah al-Mumtahina (60):4]

[42]

 

E Allah disse sobre os mushriks (pagãos idólatras):

“Por certo, quando se lhes dizia: ‘Não há deus senão Allah’, ensoberbeciam-se, E diziam: ‘Abandonaremos nossos deuses por um poeta louco?’” [Surah as-Saffat (37):35]

[43]

 

E isso ocorre bastante no Qur’an.

 

Tawhid não significa simplesmente Tawhid ar-Rububiyyah – a crença que Allah sozinho é o Criador - que é o que o povo do Kalam (teologia especulativa) e os Sufis pensam! Assim, eles pensam que se afirmarem este tipo de Tawhid, juntamente com suas provas, terão confirmado os limites máximos do Tawhid e que se eles o testemunharem e tornarem-se absortos nele, então terão se integrado nos seus limites! No entanto, este não é o caso. Uma vez que mesmo que a pessoa concorde com esses atributos, que são próprios ao Senhor, e O declare livre de tudo que Ele deve ser declarado livre e afirme que Ele, sozinho, é o Criador de tudo - ainda assim, tal pessoa não seria um muwahhid (uma pessoa de Tawhid) até que juntamente com isso, ele testemunhe que o único Ilah (ou seja, objeto de adoração) é Allah (Allah) – (isto é, ninguém tem o direito de ser adorado exceto Allah, sozinho) – afirmando que Ele sozinho é o Ilah merecedor de toda a adoração, aderindo a ela e não associando-Lhe nenhum parceiro. Afirmando ainda que esse Ilah (objeto de adoração) é Ele, que é deificado e adorado e que merece adoração e não meramente aquele Ilah, que tem o sentido de: “Aquele que tem o poder de criar e originar.” [44]

 

Assim, se um explicador (do Qur’an) explicar que Ilah significa: “Aquele que tem o poder de criar e de originar” e acreditar que esta é descrição mais específica do Ilah e confirmar ser este o limite do Tawhid – como fazem os do povo do Kalam, e isso é o que dizem de Abul-Hasan al-Ash’ari [45] e seus discípulos – então, isso significa que ele não sabe a verdadeira realidade do Tawhid com o qual Allah enviou Seus Mensageiros, pois os mushriks Árabes costumavam acreditar que Allah sozinho é o Criador de tudo. Contudo, apesar disso, ainda eram mushriks, como Allah – o Altíssimo – diz:

“E a maioria deles não crê em Allah senão enquanto idólatras.” [Surah Yusuf (12):106]

[46]

 

Um grupo dentre o Salaf (as três primeiras gerações de muçulmanos) disse:

“Se perguntares-lhes quem criou os Céus e a Terra, dirão: ‘Allah’– mas ainda assim, juntamente, adorariam outros além Dele.” [47]

 

Allah – O Altíssimo – diz:

“Dize, Muhammad: ‘De quem é a terra a quem nela existe, se sabeis?’ Dirão: ‘De Allah.’ Dize: ‘Então, não meditais?’ Dize: ‘Quem é O Senhor dos sete céus e O senhor do magnífico Trono?’ Dirão: ‘Allah:’ Dize: ‘Então, não temeis a Allah?’” [Surah al-Mu’minun (23):84]

[48]

 

Então, nem sempre todos que afirmam que Allah é o Senhor de tudo e é seu Criador, serão adoradores apenas Dele, excluindo tudo o resto– chamando para Ele sozinho, esperando Nele, temendo apenas a Ele, fazendo aliança e inimizade por Ele, obedecendo Seus Mensageiros, ordenando o que Ele ordena e proibindo o que Ele proibiu.”[49]

 

 

Conclusão

Shaykh ’Abdul-Qadir al-Jilani – rahimahullah – (m.561H) disse:

“Então é sobre vós temer a Allah – O Poderoso e Majestoso – e não temer a ninguém exceto Ele. Recorrei a Ele – O Poderoso e Majestoso – para todas as vossas necessidades e confiai Nele sozinho – O Altíssimo – buscando Dele, sozinho, aquilo que necessitais. Não confieis em ninguém além Dele. E Tawhid – tudo está contido no Tawhid." [50]

 

 

Referências

[1] Sharhul-’Aqidatul-Tahawiyyah (p.69).
[2] Fadl ’Ilmus-Salaf (p.47) do al-Hafidh Ibn Rajab (m.795H).
[3] Relatado por ad-Darimi (1/102) e Abu Nu’aym em al-Hilyah (7/280), com isnad Sahih.
[4] Relatado por al-Bukhari (1/49) e Muslim (nº 16) de ’Abdullah ibn ’Umar –radiAllahu’anhu.
[5] Relatado por Muslim (nº20).
[6] Relatado por Muslim (nº19).

[7] Lisan ul-'Arab (3/450) de Ibn Mandhur e também fi al-Hujjah Bayanil-Mahajjah (1/305) de Abul-Qasim al-Asbahani.

[8] Ad-Dururus-Sunniyyah (1/48) de Shaykh ’Abdur-Rahman ibn Hasan.

[9] Jawharah at-Tawhid (p. 10).
[10] Sharh Kitabut-Tawhid min Sahihil-Bukhari (1/38).
[11] Lawami’ al-Anwarul-Bahiyyah (1/128) de as-Safarini. Para a divisão do Tawhid em três partes, consulte: al-Ibanah ’an Shari’atil-Firqatin-Najiyah (p. 693-694) de Ibn Battah (m.387H); Kitab ut-Tawhid de Ibn Mandah (m.395H) e al-Hujjah fî Bayanil-Mahajjah (1/85, 1/111-113) de Abul-Qasim al-Asbahani (m.535H).

[12] Surah Maryam 19:65.
[13] Taqribut-Tadmuriyyah (p.110) do Shaykh Ibn al-’Uthaymin.
[14] Taqribut-Tadmuriyyah (p.110-111).
[15] Taqribut-Tadmuriyyah (p.112-113).
[16] Taqribut-Tadmuriyyah (p.116-117).
[17] Surah Al-’Imran 3:64
[18] Madarijus-Salikin (3/449-450) de Ibn al-Qayyim.
[19] Surah al-Fatiha 1:1 – e o que se segue é uma conclusão desta Surah.
[20] Sharhul-’Aqidatul-Tahawiyyah (pp. 89-90) de Ibn Abil-’Izz.
[21] Surah an-Nas 114:1

[22] Hukmul-Intima (p.58) do Shaykh Bakr Abu Zayd – ligeiramente adaptado.
[23] Relatado por Muslim (nº 1768) de ’Ubayy ibn Ka’b – radiAllahu’anhu.
[24] Consulte Majmu’ al-Fatawa (1/54) de Ibn Taymiyyah.
[25] Hasan: Relatado por at-Tahawi e Ibn Hibban. Al-Hafidh Ibn Hajar autenticou-lhe em Ahadithul-’Aliyat (nº 16).
[26] Sahih: Relatado por at-Tabarani em al-Mu’jamul-Kabir (3/203/2) de Ibn ’Umar – radiAllahu’anhu. Foi autenticado por al-Albani em Sahihul-Jami’ (nº 4405).
[27] Relatado por Muslim (nº726)
[28] Sahih: Relatado por an-Nasa’i e al-Hakim, que o declarou sahih.
[29] At-Tawhid wa Atharahu fî Hayatil-Muslim (p.30) de Ahmad ibn Ibrahim al-Hariqi.
[30] Madarijus-Salikin (3/450).

[31] Surah Sad 38:29.
[32] Relatado por Ahmad (4/63).
[33] Sahih: Relatado por Ahmad (nº 5114) e Ibn Asakir (19/96/1), de Ibn ’Umar – radiAllahu’anhu. Autenticado por al-Hafidh al-’Iraqi em Takhrijul-Ihya (3/42), e al-Hafidh Ibn Hajr em Fathul-Bari (10/222).
[34] At-Tawhid wa Atharahu fi Hayatil-Muslim (p.29).
[35] Relatado por al-Bukhari (1/13) e Muslim (1/272), de Ibn ’Abbas – radiAllahu ’anhu.

[36] Relatado por Bukhari (1/532) e Muslim (5/16).
[37] At-Tawhid wa Atharahu fi Hayatil-Muslim (p.29).
[38] Surah al-Baqara 2:163.
[39] Surah Nahl 16:51.
[40] Surah Mu’minun 23:117.
[41] Surah az-Zukhruf 43:45.
[42] Surah al-Mumtahinah 60:4.
[43] Surah Safat 37:35-36.

[44] Este é o dito do povo de Kalam, tais como Abu Mansur al-Maturidi em - at-Tawhid (pp.20-21) e para um equívoco semelhante consulte Fi DhilAlil-Qur'an (5/2707) de Sayyid Qutb. Compare este significado de IIah com as explicações corretas de grandes mufassirs – tais como Imam Ibn Jarir at-Tabari em seu Tafsir (20/102) e Ibn Kathir em seu Tafsir (3/398) – que é: aquele que é adorado e que merece ser adorado sozinho.

[45] Ele é Abul-Hasan ’Ali ibn Isma’il al-Ashari (m. 324H) – ao qual a 'aqidah Ash’ariyyah é incorretamente atribuído, pois ele abandonou essa ’aqidah – e aquela do Mu’tazilah anteriormente – pela ’aqidah dos Salaf – como mencionado por Ibn Kathir em Tabaqatush-Shafi’iyyah e mostrado por seu último livro: Al-Ibanah ’an Usulid-Diyanah.

[46] Surah Yusuf 12:106

[47] Este é o dito de lbn ’Abbas e outros– como ocorre em  Jami’ul-Bayan ’an Ta’wilul-Qur‘an (13/50-51) de at-Tabari.

[48] Surah Muminun 23:84-87.

[49] Majmu’ul-Fatawa (3/97-105) de Ibn Taymiyyah.

[50] Futuhul-Ghayb (p.176).

 

 

Fonte: Abdurrahman.Org

Tradução: Islane Castelo



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