Por que é que os Pais se Preocupam Quando os Filhos Se Convertem ao Islam?

 

 

Por Nourdeen Wildeman

 

Existem muitos obstáculos a serem encontrados no caminho da pessoa que acabou de dizer a sua shahada e alguns desses obstáculos começam logo no primeiro dia.

 

Muitos convertidos no meu país – a Holanda – declararam a sua shahada enquanto ainda viviam em casa com os seus pais.

 

À medida que o novo convertido toma uma decisão consciente pelo Islam, os pais encontram-se numa situação que eles não pediram e nem entendem completamente. O resultado pode ser uma receita para o desastre, enquanto que ao mesmo tempo também existem várias formas de lidar com a situação de uma forma positiva e construtiva.

 

Sendo ativo no campo da dawah e no apoio aos novos muçulmanos, eu vejo e ouço muitas histórias de diferentes convertidos e seus pais. Um dia, enquanto me preparava para ajudar uma nova irmã a dizer a shahada numa mesquita no Amsterdão, ela disse-me como a sua mãe reagiu com desdém quando ela lhe contou sobre a sua escolha de aceitar o Islam.

 

“A sua mãe está certa” – foi a minha simples resposta.

 

A irmã estava chocada: porque é que a pessoa que a estava a guiar para pronunciar a shahada também dizia que a sua mãe estava corretamente desdenhosa sobre a sua decisão de se tornar muçulmana?

 

 

Transparência

Expliquei para ela como a sua mãe conhecia o Islam apenas através da TV. Tanto quanto ela sabe, Islam é uma religião negativa, intolerante, agressiva, que oprime os direitos das mulheres. Nenhuma mãe no mundo desejaria isso para o seu filho.

 

“Se a sua mãe tivesse qualquer amor por si, ela não iria querer que você aceitasse o que ela pensa ser o Islam. A boa notícia é: parece que a sua mãe a ama. O desafio é: fazer ela ver o que você está a fazer e o que isso significa para si.”

 

Todos nós sabemos o quão o Islam nos chama a termos boas e respeitosas relações com os nossos pais, especialmente com as nossas mães. Mas como sucedemos em fazer isso, se o mero facto de que seguimos o Islam é o motivo para o rompimento desta relação?

 

A mais importante ferramenta é a transparência! A ideia que mais preocupa os pais dedicados é de não saber ou compreender o que o seu filho está a fazer ou por que está a passar.

 

O medo de radicalização é genuína e sincera e portanto deve ser abordado. Na minha opinião pessoal, é da responsabilidade da pessoa que se converte tomar estes primeiros passos nesse processo.

 

Basicamente se o indivíduo não explica aos seus pais o que ele pensa ser o Islam, eles explorarão por si mesmos e descobrirão o que outras pessoas pensam do Islam. Eles encontrarão sites da internet cheios de informações negativas, livros cheios de equívocos e notícias de todos aqueles que fizeram erros trágicos nas suas vidas e temem que o seu filho fará o mesmo. E se ele se isolar dos pais, eles preocupar-se-ão ainda mais.

 

A melhor forma de contrariar isto é um convertido dar aos seus pais compreensão nas mudanças que ele está a fazer na sua vida e as ideias que estão a passar pela sua mente. Ele deve tentar ser transparente o tanto quanto possível, sem tentar convencê-los a seguir os seus passos (já que isso perturbaria a conversa!). Ele deveria dizer aos seus pais aonde guarda os seus livros sobre o Islam e assim permitir que eles também os possam ler.

 

Uma outra coisa a fazer é introduzir os seus novos irmãos na fé aos seus pais, para que eles saibam com quem ele está quando vai à mesquita. Discutir abertamente as suas ideias ou interpretações do Islam e não hesitar em explicar que ele não sabe tudo e que ainda continua a estudar.

 

Ao deixá-los dentro dessa parte da sua vida – independentemente da sua posição pessoal em relação ao Islam – eles verão que ele está a tentar viver uma vida positiva, lendo livros positivos e encontrando-se com pessoas positivas.

 

 

A Comunidade Deve Reconhecer a Posição de Pais de Convertidos

Quando um novo muçulmano vem à mesquita e declara a a sua shahada, todos estão mais do que dispostos a darem o seu apoio a esta pessoa. Os convertidos recebem livros e DVD’s gratuitos, são convidados para os iftars e recebem alguma atenção extra do imam ou das organizações de dawah. O suporte que a nossa comunidade dá a novos muçulmanos é uma boa coisa!

 

Contudo, há também uma responsabilidade sobre a comunidade como um todo em não apenas reconhecer os convertidos como um público-alvo de suporte extra, mas também os seus pais.

 

Na Holanda, vemos agora eventos sendo organizados especialmente para pais de convertidos. Estes eventos consistem numa simples apresentação dos princípios Islâmicos, destaque da posição dos pais no Islam, numa oportunidade para esses pais encontrarem-se com outros na mesma situação e num bom passeio pela mesquita.

 

Uma vez dei uma apresentação sobre o Islam a um grupo de 10 pais cujas filhas tornaram-se muçulmanas. Eles ficaram muito entusiasmados com isso.

 

Não porque agora queriam se tornar muçulmanos eles mesmos, mas porque foram reconhecidos na sua posição como pais e guardiões e finalmente foram capazes de ver para onde as suas filhas iam todos os fins de semana. Isto não apenas minimiza os obstáculos que poderiam quebrar os laços familiares, de fato, aproxima as pessoas.

 

Na minha opinião, toda a organização ativa na área da dawah deveria ter um programa para os pais dos muçulmanos convertidos. Devia focar em reconhecer a sua posição e em fazê-los se sentirem bem vindos também como não-muçulmanos. O programa devia ter como objetivo responder a qualquer questão ou necessidade trazidas por esses pais.

 

Existem tantos obstáculos no nosso caminho. Nem todos eles podem ser completamente removidos ou tratados, mas a maioria pode. Ao ser transparente, aberto e acolhedor aos pais dos novos muçulmanos convertidos, quase todos os assuntos podem ser atendidos.

 

Não podemos esperar os outros tomarem o primeiro passo, mas sim fazer o que precisa ser feito, sendo inspirado a assim agir com base na nossa linda religião.

 

Fonte: aboutislam.net


You have no rights to post comments